Jornal dos Desportos

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Pérolas dão gosto

Silva Cacuti | no Rio de Janeiro - 10 de Agosto, 2016

A Selecção Nacional está famosa no Rio de Janeiro por ter batido à bronze mundial Roménia e prata olímpica Montenegro

Fotografia: AFP

A questão do jogo de logo, às 20H40, entre a Selecção Nacional sénior feminina de andebol e a similar da Noruega, para a terceira jornada do grupo A preliminar, já não está em notar como Angola vai resistir ao poderio das campeãs, mas como as norueguesas vão encarar o jogo com a equipa sensação da prova.

Sem qualquer jogadora a evoluir actualmente nas competições europeias de clubes e com muitas unidades com um número reduzido de internacionalizações, a Selecção Nacional está famosa no Rio de Janeiro por ter batido o pé à bronze mundial, Roménia e à prata olímpica Montenegro, na primeira e segunda jornadas.
O eco desta fama pode estar a fazer estragos nos ouvidos das "players" da Noruega. Vai ser um jogo intenso!

A Noruega, detém  três títulos importantes, europeu, mundial e olímpico. No Rio de Janeiro as comandadas de Thorir Hergeirsson tentam juntar novo troféus aos conseguidos em 2008, em Pequim e 2012 em Londres. Nos dois últimos confrontos com a Noruega,  Angola somou derrotas. No mundial de França, em 2007, por 26-32 e 20-26, no mundial do Brasil (2011).

A equipa tem  jogado bem. Precisa de manter a humildade e procurar não deixar a adversária abrir vantagem de muitos golos.
Aliás, com suporte da torcida brasileira, que entoam o "eu sou angolano com muito orgulho e com muito Amor" ANGOLA sente-se em casa e deve aproveitar este factor, até na sexta-feira, em que, por defrontar a equipa da casa, a torcida pode lhe "puxar o tapete". Até lá, o Arena Futuro é a "Cidadela". Foi assim no primeiro jogo, e com Montenegro que Angola venceu por 27-25, com igualdade de 12 golos ao intervalo.No reatamento houve uns 10 minutos de equilíbrio até que a guarda -redes Bá decidiu fazer "vida negra" às montenegrinas.

Bá, já considerada pela torcida como melhor guarda-redes da competição até agora, defendia quase tudo, até enervar as adversárias. Aos gritos “ão, ão, ão, Bá é paredão!” e “ é a melhor goleira do Brasil!”, os brasileiros embalavam a angolana de 1,70 metro e 98 quilos. Bá correspondia. Natália e Albertina Cassoma também se destacavam nas jogadas ofensivas.

No final, vitória que coloca Angola às portas dos quartos-de-final e, mais uma vez as pérolas dançaram!
Hoje, na continuidade da terceira jornada do grupo, o Brasil defronta a Espanha e a Roménia bate-se com Montenegro.

PERFORMANCE
Cruz estoira registos das campeãs africanas


Com apenas dois jogos disputados, sob comando do técnico angolano  Filipe Cruz a Selecção Nacional sénior feminina de andebol derrubou todos os seus melhores registos das anteriores presenças em jogos olímpicos.

Passou para o passado dizer que a Selecção Nacional sénior feminina de andebol nunca ganhou mais de um jogo em Jogos Olímpicos. Tal como também ocupa compartimentos do passado o registo de que nunca fomos à segunda fase dos torneiro olímpicos. Que nunca derrotamos uma vice-campeã olímpica. E, até, que nunca fomos a este tipo de competição sem ter um estágio pré- competitivo, ou seja, com toda a preparação feita em território nacional.

Hoje, ANGOLA vai enfrentar a campeã mundial, Noruega, já com outro estatuto. Comentadores aqui no Rio de Janeiro já viraram a condição de Angola, de animadora para favorita.

Filipe Cruz, o manager angolano não parece muito empolgado. O treinador faz referência ao seu percurso como atleta na selecção e clubes portugueses, como treinador no 1º de Agosto e nota que está familiarizado com o sucesso. "Para mim, isto tudo é normal, sempre estive acompanhado com esses momentos, é algo perfeitamente normal. A diferença só está no cenário olímpico", disse ele, ao Jornal dos Desportos.
Encarar tudo como normal, disse, é também o antídoto que tem para gestão da euforia das atletas.
SC