Jornal dos Desportos

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Modalidades

RDC no caminho de Angola

Silva Cacuti e Rosa Napoleão - 20 de Março, 2015

Apesar dos inúmeros erros a selecção venceu com naturalidade a sua adversária que apresentou grandes debilidades

Fotografia: Kindala Manuel

A selecção nacional sénior feminina de andebol procura hoje manter-se na sendas das vitórias quando defrontar a similar da República Democrática do Congo, em jogo de cartaz da segunda jornada do torneio pré-olímpico que decorre em Luanda desde ontem.

Não vai ser um jogo fácil, aliás, o calendário de jogos oferece ao conjunto angolano degraus de dificuldades e, a RDC, está num degrau intermédio. Teoricamente, as vice-campeãs africanas são mais fortes que as senegalesas que ontem perderam para a selecção nacional, e são menos fortes que as tunisinas que defrontam Angola amanhã.

A RDC vê a suas ambições no torneio prejudicadas pela chegada tardia a Luanda. Ontem tiveram que jogar diante da Tunísia, após saírem do aeroporto, sem tempo de descanso.

A sua actuação, diante da Tunísia, pode ser melhorada hoje. Cristiane Mwasesa, jogadora do 1º de Agosto, Lydia Musonda, Apopie Luzamba, Grace Shokkos, atletas que evoluem no andebol francês são as principais unidades a anular.

João Florêncio, seleccionador nacional, pode aconselhar-se junto do seu filho, que no clube 1º de Agosto é treinador da nuclear Mwasesa e da guarda-redes Louise Makubanza.

Angola precisa de esquecer toda a pressão que há em torno do que pode fazer, jogar natural e explorar a criatividade de atletas como Natália Bernardo, Azenaide Carlos e Isabel Guialo e ainda a grande visão de Líisa Kiala, a imprevisibilidade de Didi e a experiência da guarda-redes Maria Pedro. João Florêncio é um treinador conhecido pela velocidade de jogo das equipas que treina, daí que deverá fazer do contra-ataque uma arma infalível diante das congolesas. Angola tem ganho a RDC com larga vantagem de golos, pelo que, aos adeptos, nem passa pela cabeça um resultado que não seja a vitória no jogo de hoje.

 A Tunísia de Paulo Pereira vai estar na plateia de bloco em mãos para tirar as notas que julgue necessárias para o jogo da derradeira jornada.Mas, antes, deverá passar pelas senegalesas a quem vão procurar vencer por um número de golos superior aos que Angola marcou ontem.

Mais vale prevenir que remediar. O regulamento do pré-olímpico valida os empates e Paulo Pereira, matreiro, não quererá ficar nas contas. É um jogo com vencedor anunciado, já que nem nos piores dias a Tunísia se deixa perder por um desconhecido como o Senegal.Silva Cacuti

ANDEBOL  apuramento aos jogos  olímpicos
Pérolas comandam pré-olímpico


A Selecção Nacional começou com vitória o torneiro pré-olímpico que decorre em Luanda ao cilindrar, ontem a congénere do Senegal por 38-21, com já favoráveis 20-10 ao intervalo. O jogo foi presenciado por cerca de cinco mil espectadores que, munidos de cachecóis e exibindo bandeiras apoiaram a equipa do princípio ao fim.

A equipa nacional cumpriu com o dever caseiro e hoje defronta a RDC, em partida referente a terceira jornada da prova.
Entrada fulgurante da Selecção Nacional que apontou cinco golos nos primeiros cinco minutos, o que obrigou Seck Ahmed a pedir um "time out" para avisar as suas jogadoras de que o jogo, o pré-olímpico de Luanda tinha começado. E o aviso resultou. O pendor ofensivo da angolanas começou a ser "ofuscada". Angola tentava mas, ou tinha falhas técnicas ou Sakou Hatadou, guarda-redes  senegalesa defendia.

As comandadas de João Florêncio arreigavam. E pioravam os números. Até ao décimo minuto tinham marcado apenas mais dois golos. Aos 15 minutos mais outros dois golos.

A equipa estabilizou o ataque aos 20 minutos, por conta das entradas de Guialo e Matilde que descobriram a melhor via para dominar a guarda-redes senegalesa.  Sem a motivação que vinha da baliza o Senegal  que dificilmente marcava de contra-ataque  abrandou o ritmo ofensivo também.

Mesmo sem fazer um jogo vistoso a selecção nacional cresceu no marcador e chegou aos 20-10, ao intervalo. Vestida de camisolas verde, calções pretos e meias brancas o Senegal apresentou-se com uma equipa franzina, aparentemente jovem e com alguns princípios de jogo por consolidar. O segundo tempo trouxe uma Angola mais alegre a jogar, que cometia algumas falhas técnicas mas diante das  debilidades técnicas da adversária, aumentava, com naturalidade a vantagem no marcador.

Teresa Almeida "Ba" fez todo o jogo na baliza angolana, permitindo poupar Maria Pedro que não lhe foi permitido usar a máscara protectora na face.
Os últimos 15 minutos dos jogo serviram para João Florêncio gerir o resultado e as atletas experimentarem gestos técnicos mais arriscados para agradar a assistência.

Dentre as convocadas angolanas apenas a guarda-redes Maria Pedro não alinhou e, das jogadores de campo, só Lisandra Salvador ficou em branco.
O público não lotou o pavilhão, cerca de cinco mil pessoas empurraram a selecção à vitória.
A arbitragem da dupla egípcia  temer Mohamed/Rasched Samir não comprometeu.  Esteve bem no acompanhamento das jogadas e mostrou coordenação no ajuizamento.

A senegalesa Câmara Doungou, com seis golos apontados foi a melhor marcadora da partida, enquanto por Angola, Isabel Guialo "Belinha" foi a melhor marcadora com cinco tentos.

Noutro jogo, iniciado às 21H30 devido a chegada tardia da equipa congolesas defrontou a similar da Tunísia mais, até ao fecho da nossa edição desconhecíamos o resultado final.

FICHA TÉCNICA

ANGOLA

1- Teresa Almeida, 2- Ríssia Oliveira (.2), 3- Liliana Venâncio (4), 4- Marta dos Santos (2), 6- Juliana Machado (6 ), 7- Elizabeth Caílo (2), 8- Lurdes Monteiro (4 ), 9- Isabel Guialo (5), 10- Delfina Mungongo (1 ), 11- Luísa Kiala (2), 16-Maria Pedro, 13- Matilde André (4), 14- Natália Bernardo (4), 15- Azenaide Carlos (4), 17- Wuta Dombaxi (2), Lisandra Salvador.
TREINADOR: João Florêncio

SENEGAL

1- Rosaline Correia, 2- Gaye Diynaba (1), 3- Dabo Aissatou, 5- Sankhare Amina (1 ), 6- Faye Mariane (2),  7- Camara Doungou (6), 8- Keita Nimatigna (1 ), 9- Cisse adiamama(1 ), 10- Radiane Haby (2),  11- Ba Khoudiedji (1), 16- Sako Hatadou , 18- Benga Seynabou (5), 19- Payero Sanou, 24-Sylla Penda (1), 26- Diop Ana, 79- Gomis Alissa
TREINADOR: Seck Ahmed


INTERVALO: 20-10

FINAL DO JOGO: 38-21

DECLARAÇÕES


Seck Ahmed (Senegal)
“Fizemos um jogo incaracterístico, apesar de sabemos que Angola é mais forte do que nós. Penso que foi proveitoso para nós porque ganhamos bastante experiencia.  Vamos continuar a trabalhar para que possamos melhorar no próximo encontro que será igualmente difícil, com a selecção da Tunísia que é a campeão africana”.

João Florêncio (Angola)
“Jogamos como sempre na mesma rotina, entramos no jogo com o objectivo de vencer e conseguimos a primeira vitória. As nossas jogadoras estiveram ao seu nível, muito embora se registasse algum massacre na nossa defesa. Vamos agora procurar melhorar os aspectos de transição”, finalizou.

CERIMÓNIA DE ABERTURA
Governador de Luanda
pede fair-play as atletas


O governador de Luanda, Graciano Domingos, apelou ontem, em Luanda, às equipas participantes no torneio pré-olimpico de andebol feminino, a decorrer nesta cidade de 19 a 21 deste mês, a pautarem pelo respeito pelo adversário.

Ao presidir a cerimónia de abertura do evento que apura o representante africano aos Jogos Olímpicos de 2016, o governante disse esperar que o evento promova harmonia entre os adeptos dos países envolvidos e   que o combinado  vencedor  saiba  representar com êxito o continente no jogos do Rio de Janeiro.
Por outro lado, agradeceu o esforço que o governo de Angola tem empreendido para massificação das distintas modalidades, em particular, no andebol, factores que ajudaram Luanda a acolher o evento com êxito.