Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Salutar competitividade

21 de Fevereiro, 2019

Independentemente da ordem classificativa com que as equipas terminam a primeira volta do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, havendo aquelas que evoluíram e outras que regrediram, estabelecida a comparação com a edição passada, o que se pode aferir com alguma justiça, é que houve, na mesma, uma salutar competitividade pelos lugares cimeiros.
Esta particularidade ajuda-nos a fazer um balanço positivo do primeiro turno do torneio, por um lado. Por outro, reflecte alguma qualidade evidenciada, embora algumas equipas, outrora potenciais candidatas ao título, se tenham apresentado muito aquém da expressão competitiva, por razões que estarão, certamente, associadas ao momento financeiro menos bom, que se vive no país.
Pior seria termos apenas 1º de Agosto e Petro de Luanda a ditar as regras, com as outras equipas obrigadas a cumprir. Isto seria muito deselegante para a prova, que sairia a perder em termos da sua grandeza competitiva. Felizmente não ocorreu. Por entre aquelas que se apresentaram fragilizadas, apareceram outras com muita atitude e ousadia.
Neste quesito, nota alta para o Desportivo da Huíla e para o Sagrada Esperança da Lunda Norte, que de meros animadores da festa que têm sido nas edições anteriores, entraram para a presente edição com uma outra determinação, e certamente com os objectivos claramente definidos, o que levou a que se pudessem opor, como se opuseram aos    adversários mais credenciados.
A prestação destas equipas, a que se pode juntar o Kabuscorp do Palanca, apesar de este ter já uma folha de serviço mais rica, dizíamos, proporcionou ao público momentos agradáveis de futebol, sendo que é no equilíbrio de forças onde radica o interesse e o suspense de qualquer competição desportiva. Deram, realmente, mostras daquilo que prometem no segundo turno.
À guisa de exemplo, o jogo 1º de Agosto-Sagrada Esperança, que se saldou numa igualdade a três golos, pode muito bem ser taxado pelos experts como o melhor verificado na primeira volta. Nem mesmo o chamado clássico dos clássicos, entre militares e petrolíferos, atingiu nível de disputa tão agradável e aplaudido.
Fazemos fé que a segunda volta não venha a fugir do mesmo ritmo. É certo que é a mais decisiva, em que a entrega das equipas, sobretudo aquelas rotuladas como candidatas ao título, se torna maior. Mas, as outras equipas, mesmo não sendo candidatas, não devem entregar o título de bandeja, sob pena de verem beliscada a sua honra e o seu orgulho.
Esperamos assistir à mesma competitividade, para que, quem vier a ter a felicidade de erguer o troféu, reconheça mérito nos adversários superados. O facto de o segundo lugar passar a contar também para as provas africanas de clubes, é um elemento que vai atiçar a luta pelos lugares cimeiros. Vamos aguardar...