Jornal dos Desportos

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Seleco averba primeira derrota

FRANCISCO CARVALHO - 22 de Janeiro, 2018

Angola fecha fase regular com derrota

Fotografia: Jornal dos Desportos

Angola terminou ontem a primeira fase do campeonato africano sénior masculino de andebol, que decorre em Libreville, com derrota por 20-25 diante da poderosa selecção do Egipto. A equipa orientada por Felipe Cruz ocupa a segunda posição do grupo com três vitórias e uma derrota.
Angola vai aos quartos de final em busca de um lugar para o Mundial. Felipe Cruz e pupilos entraram bem partida e lideram o marcador por 2-0. A boa postura técnica e táctica do grupo foi sol de pouca duração.
Os faraós mais possantes puxaram da algibeira a experiência e começaram a apertar o placarde. Com jogadas rápidas e ataque continuado, os egípcios aumentaram a velocidade na quadra. Com a pista aberta, igualaram o resultado em 2-2. Num ápice, os nortenhos de África passarama liderar o marcador e nunca mais largaram.
Sem a solução, Felipe Cruz usou do \"time-out (desconto de tempos) para refrear a velocidade dos faraós, mas o efeito foi contrário. Os egípcios aceleraram cada vez mais e obrigaram os angolanos a correr mais. Os empates consecutivos duraram até o sexto golo. Adiante, os angolanos assistiram \"ao bom andebol\".
Contra a maré, Felipe Cruz e pupilos remavam a toda força. O destino afastava-se cada vez mais. Nem as defesas espectaculares de Muachissengue ajudou o grupo a aproximar-se no placarde. No final da primeira parte, Angola perdia por 9-13.
No reatamento, Angola entrou mais precavida para defender do que atacar. Com trocas de bolas a todo vapor, a finalização era ineficaz. Os pontas e os meias-distâncias encontraram um muro com altura da \"pirâmide de Gizé\". As bolas eram todas travadas por um guarda-redes que estava em dia Sim.
O momento propiciou ao Egipto manter a velocidade imprimida na primeira parte. Com ataques rápidos e certeiros, o balaio enchia com golos. Muachissengue perdeu a elasticidade e permitiu a entrada de muitas bolas para o fundo da rede.
No final, da compita, as contas apontaram mais 11 golos de Angola e 12 do Egipto. O equilíbrio na segunda parte é justificado pela redução de velocidade do ataque egípcio. Os faraós procuraram gerir o resultado favorável.
Ao som do apito final, o placarde registou 20-25 para o Egipto.

Palavras derramadas
Kafukafuca crescidas


Hoje vou derramar palavras para homenagear os rapazes que me deixaram orgulhoso, não só por ser angolano (isto ainda me orgulha) mas, também, porque nossos caminhos profissionais cruzaram-se muito cedo e desde então tive o prazer de ver e reportar os passos da carreira de cada um deles.
Falo-vos dos "kafucafuka", um grupo de rapazes, franzinos que embarcaram numa gigante aeronave da Taag, em 2008, para representarem a selecção nacional de andebol em sub16 no Brasil, Rio de Janeiro. Era a VI edição dos jogos da CPLP.O treinador responsável, hoje é o suspeito do costume. Filipe Cruz cumpria, salvo erro, a sua primeira missão à frente de uma selecção nacional, pouco tempo depois de ter retornado ao país e ao 1º de Agosto, onde era atleta e treinador. No Rio de Janeiro cumpriu-se, embora sem formalidades, o ritual da primeira internacionalização de muitos jovens que, pode-se dizer, faltava-lhes ainda a certeza de que iam ser atletas profissionais de andebol.
Franzinos e ingénuos, Romé Ebo, Edivaldo Ferreia, Manuel Nascimento, Adelino Pestana, Adilson Maneco, Cláudio Lopes eram tratados por "kafucafuka" pelo seu "pai", era assim que os ouvia tratar, Filipe Cruz. Hoje, muitos destes "Kafukafukas" são homens, fazem o delírio dos adeptos da modalidade, a desfilar nos principais clubes do país. A maior parte deles, ainda sob comando de Filipe Cruz, está no Gabão, onde decorre a 23ª edição do campeonato africano de seniores. Os Kafukafuka cresceram, têm habilidades de adulto. Orgulham-me.
Sei que a selecção nacional de andebol ainda não cumpriu o objectivo traçado de voltar a estar no pódio, mas isto é lá entre eles e a federação. Falo do jogo. Jogam bué. Eu aqui já festejo. Minha satisfação é porque a África, agora, vai ganhar o costume de respeitar Angola nas meninas e nos rapazes do andebol. Há uma viragem, uma história a ser escrita por angolanos, em campo e na orientação. Não há no gabão nenhum expatriado a representar as cores de Angola.Depois... não sei! Se vêm tirar o treinador angolano para oferecer de bandeja o lugar a um "competente" que vem pelo mar, não sei!
O que sei é que os "Kafukafuka" estão crescidos, a pintar um quadro com andebol limpo, aprovado e que me deixa orgulhoso. Bem haja rapazes!
SC