Jornal dos Desportos

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Modalidades

Seleco nacional ganha Qatar na estreia

Silva Cacuti, Em Copenhaga - 12 de Janeiro, 2019

Fotografia: Vigas da Purificao | EDIES NOVEMBRO

A selecção nacional sénior masculina de andebol começou, ontem, com vitória, 24-23, diante da similar do Qatar, quando ao intervalo o marcador já lhe era favorável por 12-8. Trajados com as principais cores da bandeira nacional, calções pretos e camisolas vermelhas, em que eram visíveis nomes de patrocinadores nas partes frontal e lateral direita, enquanto a parte das costas era preenchida com o número e nome do atleta.
Filipe Cruz  Filipe Cruz alinhou no sete inicial os atletas mais experientes. O jogo começou com duas falhas técnicas angolanas, aproveitadas pelos catarenses  para abrir o marcador. Nas jogadas seguintes Angola acertou no ataque, enquanto a defesa aguerrida estorvava o jogo ofensivo dos opositores.
Nesta andar, Angola chegou ao primeiro quarto do jogo com vantagem de 8-6,  com Gabriel Teka e Amarelo a comandarem, cada um, com três golos apontados.
Perto do vigésimo minuto, Teka é suspenso por dois minutos e, na sequência disso o guarda-redes Giovani Muachissengue livre de sete metros seguido da recarga.
Aos 22 minutos, com o marcador a mostrar 9-6 para Angola, Filipe Cruz solicita o \"time out\" para contrapor as orientações do adversário. Na baliza Muachissengue seguia mostrando trabalho. Era uma das melhores unidades e, com ânsia experiência (joga o quarto mundial da carreira), galvanizava os colegas de campo.
Perto do Intervalo Teka cumpre segunda suspensão e os catarenses marcam mais um e aproximam-se, fazendo o 12-8 para Angola ao intervalo.
Nesta altura, as estatísticas apontam 38 por cento de eficiência ofensiva para Angola, contra 23 dos adversários. Angola cometeu 12 falhas técnicas contra 8, do Qatar.
No reatamento, maldito reatamento, os catarenses entraram resolutos e, nos primeiros três minutos, desfizeram a vantagem para 12-11, antes que Angola desse conta do reinício da partida. Mas Adelino Pestana \"Amarelo\" tratou de avisar que Angola estava em campo e num ápice apontou dois golos, recolocando a vantagem em 14-11.
A assistência aplaudia jogo de Angola. Estava a surpreender.
Sem poder utilizar o pivot Gabriel Teka que estava à janela, o jogo defensivo angolano ficou fragilizado, no segundo tempo. A vantagem de três golos durou até aos 44 minutos, quando o placard estava em 17 para cada equipa.
Daí em diante foi luta, \"mano a mano\" para estar na dianteira do marcador.
Angola estava na frente, 20-19, quando o cronómetro apontava 50 minutos  de jogo.
Havia, pela frente, 10 minutos infernais! Aos 52 o jogo estava empatado a 20 golos. Filipe Cruz recomeçou a utilização de Teka, apenas com funções ofensivas.
Aos 56 minutos o Qatar faz vantagem no marcador, 22-23 e, na posse de bola, a selecção nacional comete mais uma falha técnica. Mas defensivamente, não se sabe de onde foram buscar forças e no último segundo do jogo, surgiu o golo e a ovação da assistência. Romé Hebo, melhor marcador da partida, com sete golos foi eleito MVP.


DECLARAÇÕES

José Nóbrega (treinador-adjunto de Angola)
“Trabalhamos para crescer”
“O nosso objectivo é tornarmos uma equipa mais competitiva do que aquela que tivemos no campeonato passado. Estamos a aproveitar para trabalhar a equipa a pensar no campeonato africano. Nunca fomos campeões e estamos a trabalhar para crescer e chegarmos a este objectivo”.


Emalem Youssef  (treinador do Qatar)
“Jogamos como inexperientes”
“Parabéns a Angola, foi o nosso pior jogo dos últimos anos, jogamos como inexperientes, como crianças, isto é desporto, amanhã temos outro jogo e vamos procurar melhorar. Surpreenderam-nos”.


SIMPATIA
Dinamarqueses
adoptam angolanos
Sem poderem voltar a ver a sua selecção, cujo grupo tem sede em Herning, outra cidade, os dinamarqueses de Copenhaga têm que escolher a quem apoiar durante os dias de competição. Não é nada assumido, mas ao que tudo indica, Angola caiu nas graças desta gente. A selecção nacional foi surpreendida, ao longo do jogo diante do Qatar, pelo apoio, constante, por parte dos muitos dinamarqueses que acorreram ao Royal Arena, para presenciar o primeiro jogo do grupo D.
\"É algo que não consigo explicar, diria que eles tornaram-se angolanos e só temos que agradecer o apoio que foi importante. Até nos momentos em que o jogo parecia perdido, eles não pararam de suportar-nos. Foi importante e esperamos que continuem a mostrar-nos este carinho\", disse Edivaldo Ferreira, jogador muito assediado pela imprensa que faz a cobertura da prova.
Hoje, a equipa tem prevista uma sessão de treino, às 11 H00, em antevisão à jornada de amanha. Para o grupo de Angola, ainda ontem, jogaram a Argentina e a Hungria, enquanto a Suécia defrontou o Egipto.
Realçar que as duas selecções anfitriãs começaram a prova com vitórias. Em Berlim, para o grupo A, a Alemanha despachou a Coreia por 30-19, em jogo que ganhou destaque pelo facto de quatro atletas da Coreia do Norte terem integrado a equipa que seria a Coreia do Sul. A integração dos atletas deu carácter histórico à partida.
Em Copenhaga a selecção da Dinamarca venceu, a contar para o grupo C, o Chile por 39-16.