Jornal dos Desportos

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Vencedor é hoje conhecido

Silva Cacuti e Rosa Napoleão - 21 de Março, 2015

As angolanas jogam em casa e vão ter mais de seis mil pessoas a torcerem para que vençam a campeã africana

Fotografia: M. Machangongo

A Selecção Nacional sénior feminina de andebol e a similar da Tunísia decidem hoje, a partir das 20h00, o representante africano nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. As duas equipas defrontam-se no encerramento do torneio qualificativo que decorre em Luanda desde quinta-feira, com a participação das equipas de Angola, Tunísia, RDC e Senegal.

A Tunísia, campeã continental foi a culpada por Angola não ostentar as faixas de campeã, ao vencer as angolanas por 31-30 nas meias-finais do “africano” que organizou em 2013.
“Caçumbulou” o título continental, mas Angola mantém-se na liderança do ranking continental. Angola ainda é a rainha de África.

Em campo, as duas selecções vão disputar mais que a qualificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Vão bater-se pelo ranking, pelo prestígio, pelo nome.
Representar o continente africano é um sonho que qualquer atleta alimenta para a sua carreira.

As angolanas jogam em casa e vão ter mais de seis mil pessoas a torcerem para que vençam. Mas não há favoritismo. Há anos que angolanas e tunisinas decidem seus jogos nos instantes finais, no detalhe.

Em termos de detalhe, Paulo Pereira, técnico tunisino leva alguma vantagem, pois conhece bem ou melhor as atletas angolanas que João Florêncio que comanda a equipa angolana há escassos meses. O detalhe mais importante de todos é que estamos em nossa casa e , “em casa. mandamos nós”, como diz o refrão da gíria desportiva.

João Florêncio tem que melhorar a equipa defensivamente. precisa impor coordenação nas acções defensivas e diminuir o número de falhas técnicas. Paulo Pereira aposta no rigor táctico das equipas que orienta e aproveita bem as falhas de seus adversários. Há que trabalhar. Há que anular a eficiência do remate de Mounah Chebba, travar Toumi Radja e Asma.
Liliana Venâncio na zona de pivot, a imprevisibilidade de Luisa Kiala e Didi, a garra defensiva de Marta dos Santos são trunfos a explorar pelo seleccionador angolano.

É um jogo que acaba por ser de alto risco. João Florêncio joga um dos objectivos da sua contratação, apurar a equipa para os Jogos Olímpicos. O país, as atletas só tem que ganhar. Hoje andebol em Angola só tem um resultado possível, a vitória!

No outro jogo do dia a RDC, com largo favoritismo defronta a frágil selecção do Senegal, cuja presença na prova é uma tentativa de aproximar-se aos grandes do andebol continental, já que só está inscrita devido a desistência da Argélia.

SEGUNDA JORNADA
"Espanholas" comandam vitória de Angola


A Selecção Nacional venceu ontem a similar da RDC por 36-28, em  jogo que encerrou a segunda jornada do torneio pré-olímpico que se disputa na cidadela. O jogo foi marcado pela grande actuação do trio de jogadoras do 1º de Agosto que actua no andebol espanhol. Juliana Machado, Liliana Venâncio e Isabel Guialo , juntas marcaram 17 dos golos do sete nacional e deram sotaque catalão à vitória.

A pequena Juliana Machado foi a melhor marcadora com sete golos apontados. Azenaide Carlos foi outra seta apontada para a baliza congolesa, marcou seis vezes.
A RDC pregou um susto nos instantes iniciais. Com Christiane Mwasesa, só ela, a marcar e fazer jogar a sua equipa. ANGOLA só chegou ao  empate à passagem do minuto oito, 5-5, e assumiu a dianteira no minuto seguinte.

Luísa Kiala que marcou o sexto golo caiu e não voltou a levantar-se. Lesionou-se. Segundo o médico João Mulima a jogadora  acabou evacuada para uma unidade hospitalar afim de efectuar testes para verdes tem fractura. Em princípio, para ela a prova chegou ao fim.

Angola defendia com um 5-1, aguerrido na sua zona central e Mwasesa, ainda não estava isolada, mas já via o seu espaço de  manobra reduzido.
Na quadra havia muito contacto. Depois de Luísa Kiala foi a vez da meia-distância Virginie Mamba da equipa que se vestia de vermelho a receber assistência médica.
Caílo que é colega de equipa da Mwasesa no primeiro de Agosto, passou a policia-la numa marcação directa e quase a anulou. Quase porque não é fácil anular completamente a melhor jogadora do continente. A dupla de arbitragem marfinense Coulibaly/Diabate cometia alguns erros e a assistência, cerca de seis mil pessoas, apupava a sua actuação. ANGOLA levava quatro golos de vantagem, 12-8, com 21 minutos corridos.

O contra - ataque fluía,  Juliana Machado explorava o flanco direito, equipa jogava bem. Os receios tinham acabado.
Cristiane Mwasesa que estava outra vez livre de marcação esforçava -se para mostrar que a RDC estava, ainda, em campo.
O intervalo chegou com Angola a frente do marcador por 19-12.

No reatamento a equipa angolana que vestia camisola amarela e calções pretos explodiu no ataque e acirrou a defesa. João Florêncio  mostrou outros esquemas defensivos. A equipa estava oleada. Satisfeito, o treinador retirou da quadra as melhores unidades e colocou uma segunda equipa em campo, para gerir a vantagem no marcador e poupar outras para o jogo decisivo. No jogo que abriu a jornada o Senegal criou inesperadas dificuldades à Tunísia, durante quase toda a primeira parte em que impuseram equilíbrio no marcador. Ao intervalo a surpresa persistia e o placard registava empate a 13 golos.

Contudo a surpresa podia estar ligada ao jogo de contenção feito pelas tunisinas, em antevisão ao jogo decisivo com Angola. Paulo Pereira sabia que a qualquer momento que decidisse as suas pupilas resolveriam o jogo. As campeãs africanas aproveitaram o jogo para trocar os olhos ao conjunto angolano, esconderam o seu jogo e trabalharam em ritmo de treino. Quando quis, Paulo Pereira mandou jogar e estancou o atrevimento senegalês. Em toda a segunda parte o Senegal marcou apenas seis golos. A Tunísia fechou o jogo com 25 -19, resultado final.

FICHA TÉCNICA

ANGOLA


1- Teresa Almeida, 2- Ríssia Oliveira, 3- Liliana Venâncio (5), 4- Marta dos Santos, 6- Juliana Machado (7), 7- Elizabeth Caílo (1), 8- Lurdes Monteiro (3), 9- Isabel Guialo (5), 10- Delfina Mungongo, 11- Luísa Kiala (1), 16-Maria Pedro, 13- Matilde André, 14- Natália Bernardo (5), 15- Azenaide Carlos (6)17- Wuta Dombaxi (3), 18- Lisandra Salvador.

TREINADOR:João Florêncio

RDC

1- Louise Makubanza, 2- Patrícia Mayoulou, 3- Grace Shokkos (7), 4- Feza Consolate, 5- Milemba Olga, 6- Matutu Clemence,  7- Lusamba Apopie (2),  9- Christiane Mwasesa (9), 10- Mamba Virginie (1), 11- Luhaka Aurelie (3), 14- Dabala Carole (2 ), 15- Elemani Mami, 16- Kabamba Bibiche, 18- Kibamba Sandrine (1 ), 20- Maboulou Melissa (3), 22- Louoba Diane.

TREINADOR: Mpoua Celestino

INTERVALO: 19-12

FINAL DO JOGO: 36-28


DECLARAÇÕES


João Florêncio (Angola)
"Fizemos um bom jogo, como tem sido habitual, nada mudou, cumprimos com o objectivo que era o de ganhar o jogo. Temos uma missão amanhã (hoje), a mais importante".

Mpoua Celestino (RDC)

"Infelizmente não conseguimos ganhar o jogo. Sabíamos de antemão que o jogo seria difícil, Angola está de parabéns, nós lutamos mas não conseguimos. Vamos procurar melhorar corrigir os erros para o jogo de amanhã (hoje) porque sabemos que será mais difícil".
Silva Cacuti e Roza Napoleão