Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

1 de Agosto defronta Inter de Benguela

Helder Jeremias - 26 de Junho, 2017

Militares tm hoje tarefa facilitada diante das benguelenses

Fotografia: Jos Cola | Edies Novembro

O basquetebol nacional volta a registar hoje momentos de grande intensidade, quando os ponteiros do relógio apontarem para as 16h00. O 1º de Agosto e o Inter de Benguela juntam-se na quadra do pavilhão anexo número II da Cidadela Desportiva para a disputa da terceira e última jornada da primeira volta do Campeonato Nacional de Basquetebol sénior feminino. Duas horas depois, o mesmo local acolhe o não menos aliciante encontro Interclube e o Desportivo do Maculusso, às 18h00.

Depois da vitória tangencial por 61- 60 diante do Interclube na jornada inaugural, as \"militares\" do Rio Seco sob o comando técnico de Jaime Covilhã entram para o confronto de hoje cientes do favoritismo (teórico) que lhes é atribuído. No encalço do troféu maior, o 1º de Agosto deve manter o esboço definido sem descurar os potenciais ataques das benguelenses.

A praticar um basquetebol vistoso, com diagramas tácticos voltados para a incisão no ataque e coesão defensiva, o 1º de Agosto mostra-se uma equipa com argumentos suficientes para cumprir os objectivos traçados pela direcção de Carlos Hendrick. Para que a pretensão seja uma realidade, a equipa deve evitar as lacunas no capítulo da finalização, tal como sucedeu no jogo da final da XXVII edição da Taça de Angola em que consentiram  derrota por sete pontos (58-65) frente a equipa adstrita à Polícia Nacional orientada por Apolinário Paquete.

Diante das benguelense, o jogo serve também para moldar uma estrutura com níveis produtivos preconizados.O Interclube também não vai ter mãos a medir, quando recepcionar a equipa do bairro do Maculusso. O Desportivo tem pergaminhos nessas andanças e procura impor-se na maior roda do basquetebol nacional. É um grupo que cumpre os fundamentos desportivos e tem como prioridade o jogo colectivo que confere ao grupo capacidades extraordinárias para inibir as investidas das adversárias.

Apolinário Paquete interpreta bem as jogadas ofensivas das adversárias e tem um plantel formado por atletas de grande influência no ataque, além do porte físico avantajado.Ontem, para a segunda jornada, o Interclube venceu a confrade do Inter de Benguela e o 1º de Agosto somou o segundo triunfo diante do Desportivo do Maculusso.

Na tabela de classificação geral, o 1º de Agosto lidera com quatro pontos, seguido do Interclube com três pontos. As duas equipas jogam hoje com olhos postos na partida de abertura da segunda volta marcada para quarta-feira às 16h00, no pavilhão multiusos do Kilamba.O técnico Jaime Covilhã reconhece que a equipa orientada por Apolinário Paquete está a praticar o basquetebol que lhe é característico, pautado na fluidez da bola, assim como o rigor defensivo. Esses são os motivos que estiveram na base da “vitória difícil” na partida inaugural. O treinador da equipa militar reitera a confiança no potencial das atletas com as quais ambiciona erguer o mais cobiçado troféu.

Os intentos de Apolinário Paquete não diferem do adversário. A direcção de Alves Simões tem feito grande aposta na contratação de atletas de craveira internacional e na nata basquetebolista nacional para que os resultados reflictam à dimensão daquela que representa um dos maiores emblemas do desporto nacional. O experiente técnico reconheceu que a sua equipa podia ter uma estreia melhor conseguida, se não denotasse algum nervosismo, sobretudo, no quarto derradeiro. “Vamos emendar o que esteve mal” para que os resultados sejam melhores.

NA ESTREIA DA ÉPOCA
Apolinário Paquete é contra “apito dourado”


Mãos no apito e apito na boca. O gesto repete-se em todos os dias de jogos de basquetebol. Em inúmeras ocasiões, o gesto mexe com as emoções de espectadores e de telespectadores, move  corações de treinadores e de atletas. O apito tem a magia para o bem e para o mal.No sábado, o apito exerceu dupla função no jogo de estreia da época 2017 do campeonato nacional de basquetebol sénior feminino, no pavilhão da Cidadela Desportiva. A dor que provocou a uns, foi proporcional à alegria de outros. Na quadra, o Interclube defrontou o 1º de Agosto.

Do lado do Interclube, o som do apito estragou a estratégia montada para obter a segunda vitória consecutiva sobre o 1º de Agosto, em curto espaço de tempo, segundo o treinador Apolinário Paquete. Recentemente, as "polícias" ergueram o troféu de Vencedoras da Taça de Angola, diante do 1º de Agosto.

Apolinário Paquete, treinador das "polícias", só não mexeu no porrete para "surrar" os árbitros no final do jogo, porque do outro lado da quadra estavam "as militares" com todo o aparato para defenderem os "advogados".A alma de Apolinário Paquete estava tão zangada, que não escondeu a insatisfação: "Nunca falei da arbitragem, mas isso, que aconteceu aqui é lamentável". Para o treinador, a actuação lastimável dos árbitros é apontada como o principal elemento que influenciou o resultado final (61 - 60) do jogo.

A derrota das "polícias" na estreia da época provocou uma dor forte que contrasta com a alegria das "militares". Contudo, o sofrimento na alma de Paquete encontra uma dose de "apreço" nas palavras do treinador do 1º de Agosto, Jaime Covilhã: "Jogámos até à exaustão". Afinal, Paquete pode ter a razão de chorar pela actuação "lamentável" dos árbitros. Sem o "apito dourado", a exaustão das "militares" podia confirmar outro resultado final. As meninas do Rio Seco estavam tão cansadas e sem forças para "disparar" para a cesta, no último quarto do jogo. Depois de perder na final da Taça de Angola, uma "nova hecatombe" podia ser humilhante para Jaime Covilhã e companhia.

O Interclube entrou na partida para conferir a superioridade que trazia da final da Taça de Angola. Para a surpresa das "polícias", Jaime Covilhã montou um "cinco" bem apetrechado em todos os sectores. A defesa foi melhorada e cumpriu com o papel definido. O Interclube não dispunha de soluções para violar a cesta adversária. Sem solução, passou a assistir ao jogo e testemunhar o avolumar de pontos do 1º de Agosto.

Depois do intervalo, as militares apresentaram indícios de fraqueza. À medida que o tempo decorria, o cansaço apoderava-se das militares. No último quarto, Apolinário Paquete levou à quadra uma estratégia diferente. A força e o ataque à tabela dominaram o cenário de jogo. A diferença pontual baixou consideravelmente que estremeceu os adeptos, dirigentes, treinadores e até "arbitragem lamentável". A equipa dos Bombeiros era a mais esclarecida na ponta final. Apolinário Paquete não encontrava respostas para "lutar" com a arbitragem. Do seu lugar, vociferava educadamente contra os homens do apito. No final, contentou-se com a vitória do 1º de Agosto por 61 - 60.
                                             FRANCISCO CARVALHO