Jornal dos Desportos

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Africanos com saldo negativo

Policarpo da Rosa , Gran Canaria - 01 de Setembro, 2014

Angola foi o único representante africano a conquistar uma vitória na primeira jornada do Campeonato do Mundo ao passo que Nigéria e Senegal sairam derrotados

Fotografia: José Cola

A ronda inaugural desta edição do Campeonato do Mundo não foi nada favorável para os representantes africanos. Nos três jogos disputados Angola venceu a Coreia do Sul por 80-69, mas o Egipto e Senegal acabaram derrotados. Os egípcios diante da Sérvia por 64-85 e o Senegal frente à Grécia por 64-87.

Enquadrados em grupos distintos, Angola foi quem teve uma estreia mais auspiciosa, fruto da conquista da primeira vitória. Contudo, devemos ter em conta que o Cinco Nacional foi quem teve o adversário mais acessível, comparado com os do Egipto e do Senegal. Defrontar uma Coreia do Sul é diferente de ter pela frente uma Sérvia e uma Grécia, dois pesos pesados do basquetebol europeu. 

Começar uma competição com vitória é sempre bom. E Angola fez aquilo que lhe competia. Mesmo longe do que se previa em termos exibicionais, o combinado nacional conseguiu superar a frieza da estreia e vencer um adversário que não lhe causou grandes transtornos. Mas o que vem pela frente são obstáculos difíceis. Adversários de peso, que são difíceis de transpor. A odisseia começou ontem diante da Lituânia. Amanhã, para a terceira jornada, Angola tem pela frente o México, depois a Eslovénia e fecha a primeira fase diante da Austrália.

Por aquilo que vimos na jornada de estreia, as hipóteses de conseguir uma segunda vitória são escassas. Sem sermos pessimistas, as possibilidades de Angola vencer mais um jogo são escassas. Mesmo que consiga superar as deficiências demonstradas diante da Coreia do Sul, que apesar da derrota, venceu o terceiro quarto por 30-16.

O Egipto, a selecção pior classificada no ranking da FIBA presente neste Mundial, ocupando o 46º lugar, perdeu diante da Sérvia pela diferença de 21 pontos. Os 64-85 favoráveis aos sérvios reflectem perfeitamente a diferença de valores entre as duas selecções.

A prestação do Egipto acabou por não surpreender os especialistas. Nem mesmo o seu treinador Aboul Kheir, que no final se expressou da seguinte maneira: “Não nos importa contra quem jogamos. Interessa-nos, sim, a experiência que podemos conseguir. Não vamos jogar para sermos os melhores do grupo. Jogamos para conseguir experiência. É por isso que estamos aqui. Temos de ser realistas”.

A Sérvia venceu os três primeiros quartos. O primeiro por 21-13, o segundo por 22-18 e o terceiro por 25-21. No quarto relaxaram, situação aproveitada pelos egípcios para darem o ar da sua graça e assim vencerem por 21-17.

O Egipto defrontou ontem a Espanha, anfitrião da prova e um dos mais sérios candidatos ao título. Seguem-se a França, campeão europeu em título, o Irão e o Brasil, que na abertura surpreendeu a França. A possibilidade de alcançar uma vitória na primeira fase são diminutas, a avaliar pelo peso dos adversários que tem pela frente nas jornadas seguintes. O Irão, que na estreia perdeu com a Espanha por 60-90, é o adversário com quem o Egipto pode sonhar com uma vitória.

O terceiro africano presente neste Mundial é o Senegal, que na abertura perdeu diante da Grécia, por 64-87. Somar, no mínimo, uma vitória nesta primeira fase é um dos objectivos dos senegaleses. Ontem tiveram pela frente o Porto Rico. Hoje defrontam a Croácia. Depois, para a quarta e quinta jornadas, medem forças com a Argentina e fecham com as Filipinas. Um calendário nada fácil para quem deseja vencer pelo menos um jogo.

Diante dos gregos, o Senegal acusou a responsabilidade nos dois primeiros quartos, em que perdeu por 18-9 e 27-8. Empatou a 19 pontos o terceiro e venceu o quarto por 28- 23. Vencer as Filipinas é a meta dos senegaleses, para assim terminarem a primeira fase em glória.

MUITOS ANOS DEPOIS
Selecção do Brasil sonha com pódio


Mundo de basquetebol. Em 1978, o Brasil atingiu um terceiro lugar nas Filipinas. Voltar a conquistar uma medalha é o grande desafio desta geração de jogadores, que conseguiu, na estreia, superar o primeiro obstáculo, a actual campeã europeia, a França. Um feito que acabou por surpreender os especialistas.

Para fazer a equipa verde e amarela relembrar os velhos tempos, quando foi campeã do mundo em 1959 e 1963 e bronze em 1978, a Confederação Brasileira de Basquetebol contratou, em 2010, o técnico argentino Rubén Magnano, que comandou a selecção alviceleste no título do torneio de basquetebol dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, na Grécia, vencendo, inclusive, o “Dream Team” dos Estados Unidos nas meias-finais.

No entanto, os resultados ainda não são satisfatórios. Em 2010, a selecção caiu diante da Argentina nos oitavos de final, no Mundial da Turquia e ficou com a prata na Copa América de 2011, perdendo novamente com os ‘hermanos’. Um ano depois, nas Olimpíadas de Londres, nova derrota com o rival sul-americano, desta vez nos quartos de final.

Uma campanha vexatória na Copa América de 2013 – quatro derrotas em quatro partidas – na Venezuela, fez com que o Brasil não garantisse vaga no Campeonato do Mundo que decorre na Espanha. A presença brasileiro só veio graças a um convite da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA). Assim, o Brasil mantém a tradição de estar presente em todos os mundiais disputados até aqui.

Mesmo assim, a esperança de um bom resultado é grande, já que a selecção nunca contou com tantos jogadores da NBA. Estão em Espanha sete que actuam na principal liga do mundo, como Tiago Splitter (San Antonio Spurs), Nenê Hilário (Washington Wizards) e Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers).


O MEU MUNDIAL
Ambiente festivo


Las Palmas está em festa. O basquetebol trouxe ainda mais alegria a uma cidade já de si alegre, face a onda de turistas que diariamente desembarcam, quer de avião, por terra e ainda de barco, através de pacotes turísticos aliciantes. De tão aliciantes que estão os preços o amigo Zé Cola já está a planificar as suas férias para estas paragens. Ele e a sua família.

Cada um dos países aqui presentes tem a sua falange de apoio. Uns mais outros menos. A de Angola é a que tem menos adeptos. Mas estão aqui, num gesto patriótico. Uma falange reduzida mas que do princípio ao fim nunca deixou de apoiar o Cinco Nacional. O verde sobressaiu das demais selecções. O verde da Lituânia, da Eslovénia e do México. Todas elas utilizaram equipamento verde e os seus adeptos não ficaram atrás. Cada uma destas selecções tinha a apoiá-las qualquer coisa como mil adeptos, que inundaram vários pontos da cidade e da Arena Gran Canaria.

Segundo estimativas da organização, o jogo entre Angola e Coreia do Sul foi presenciado por cerca de 2.700 pessoas. Número que aumentou para 5.900 no segundo jogo, entre Eslovénia e Austrália, com as duas claques em alta. Uma de amarelo, Austrália, e outra de verde, a Eslovénia. No fecho da jornada, a assistência superou todas as expectativas. Adeptos da Lituânia e do México, em número de 300, juntaram-se aos 5.900 que já lá estavam. Como as duas selecções têm o verde como as suas cores preferidas, o México teve de utilizar o equipamento alternativo, o branco. Mas os seus adeptos estavam todos de verde. Inclusive os chapéus tinham tons verdes.

A organização estima que estiveram no Arena Gran Canaria nos três primeirosjogos, cerca de 14.800 espectadores. Número que suplanta, por exemplo, o de Sevilha, sede do Grupo B.

Os cerca de 100 angolanos que estiveram no primeiro dia e que chegaram a esta cidade na quinta e na sexta-feira, superaram a claque sul-coreana, em pequeno número e constituída na sua maioria por emigrantes que vivem na Gran Canaria e em outras cidades espanholas. Estou convicto de que o número de angolanos aumenta nos próximos dias. Era fantástico e um maior incentivo aos jogadores que têm nas próximas jornadas testes bem mais dificeis.

A cidade e o Arena Gran Canaria presdispõem-se a responder às exigências dos acompanhantes das seis equipas aqui presentes e prometem uma semana ainda mais vibrante, já que se espera ainda mais adeptos nos próximos dias.

A expectativa é grande à volta do último jogo deste grupo, que vai opor as selecções da Eslovénia e da Lituânia. Estima-se que o pavilhão esteja todo de verde, por ser a cor predominante das duas equipas e as preferidas dos seus adeptos. Se o jogo definir o vencedor do grupo D, a ansiedade é ainda maior. Para incentivar ainda mais quem está aqui a acompanhar os jogos do Mundial e de modo a ocupar o tempo livre dos adeptos de todas as equipas, aliado ao facto de alguns optarem por ver os jogos fora do pavilhão, criou-se o Fan Zone, no Parque Santa Catarina. Um local que no primeiro dia ficou abarrotado de lituanos e eslovenos, num autêntico ambiente de festa. Não vi um único angolano.

Este ambiente de festa está a caracterizar a cidade. Quem ganha com tudo isso são os comerciantes, principalmente os ligados à hospedagem e alimentação, que tudo fazem para atender de forma eficiente todos os estrangeiros que aqui desembarcaram. O desporto tem esta magia.
Policarpo da Rosa