Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Angola à procura de "quartos"

Melo Clemente em Abidjan - 26 de Agosto, 2013

Pupilos de Paulo Macedo têm as estratégias montadas para o embate de hoje à noite frente a equipa do Mali última classificada do grupo B preliminar do campeonato africano

Fotografia: Miqueias Machangongo

O Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol procura hoje, a partir das 21H00, no Palácio dos Desportos, em Abidjan, o passe para os quartos-de-final ao defrontar o Mali. Depois terem ocupado o primeiro lugar do Grupo C da fase preliminar, os decacampeões africanos medem forças com o último classificado do Grupo B, Mali. O emparceirameto dos oitavos-de-final é de todo favorável aos vice-campeões africanos, mas as veleidades cometidas no jogo com a República Centro Africana devem ser evitadas, sob pena de regressarem mais cedo a casa.

Corrigido os erros do último jogo, a Selecção Nacional aparece na partida de mais logo com os índices motivacionais elevados, depois do trabalho psicológico realizado pela equipa técnica. A partida frente a RCA faz parte do passado que os decacampeões não pretendem lembrar. Conscientes que a partir de agora as margens de erro estão reduzidas praticamente a zero, os comandados de Paulo Macedo devem entrar bastante determinados na partida de hoje para poderem conquistar o passe para os quartos-de-final.

A selecção do país anfitrião é a primeiro a entrar em cena, quando a partir das 12h30 receber no Palácio dos Desportos, a modesta selecção do Burkina Faso num embate onde os costa-marfinenses são à prior os favoritos à passagem aos quartos-de-final. Moçambique que integrou o Grupo de Angola (C) na fase preliminar defronta agora a Nigéria ou os Camarões. Marrocos pode jogar com a Argélia.

NÚMEROS
Selecção de Angola
é a mais concretizadora


Na fase preliminar do Grupo C da 27ª edição da Campeonato Africano das Nações os decacampeões da “bola ao cesto” foram os mais concretizadores com 246 pontos marcados em três partidas, o que dá uma média de 82 pontos por jogo. A Selecção Nacional que procura a conquista do 11º título africano - depois das conquistas de 1989, 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009 - sofreu 203 pontos, o que dá uma média de 67,6 sofridos em cada desafio. Cabo Verde, segundo classificado do Grupo C da fase preliminar, marcou 205 pontos e sofreu 219. Os cabo-verdianos tiveram uma média de 68.3 marcados e 73 sofridos em cada jogo. Moçambique marcou 196 pontos e sofreu 222 e a RCA marcou 228 e sofreu 245.      MC

ARBITRAGEM
Homens do apito
passam despercebidos

Terminada a fase preliminar da 27ª edição do Afrobasket 2013, com palco na capital costa-marfinense, a actuação dos homens do apito tem passado despercebida, o que satisfaz os treinadores. Depois de ter sido bastante criticada no Campeonato Africano das Nações de 2011, a Fiba-Afrique foi este ano bastante criteriosa na escolha dos 22 juízes. O representante angolano, Carlos Júlio, tem estado em bom plano. Para ajuizar a fase final da 27ª edição do Afrobasket que decorre na Costa do Marfim, a Fiba-Afrique, organismo que tutela a modalidade no continente africano, seleccionou 22 árbitros.

Eis os juízes presentes nesta edição: Carlos Júlio (Angola), José Martin (Espanha), Boltauzer Matej (Eslovénia), Vitalis Gode (Quénia), Cliff Abdellilah e Samir Abaakiç (Marrocos), Abreu Muhimua e Naftal Chongo (Moçambique), Nachid Messaoudi (Argélia), Arnaud Njilo Kom (Camarões), Wael Hay Abdel (Egipto), Didier Maboko Shema (Ruanda), Babacar Gueye (Senegal), Steve Koukoute (RCA), Youssouf Maiga (Mali), Sami Belgharek (Tunísia), Mathurin N´guessan (Costa do Marfim), Paulo Martino (Cabo Verde), Kingsley Obeajuru (Nigéria), Armad Okoua (Congo), Charles Foster (África do Sul), e Nourou Djeri (Togo).     M.C

PRETENSÃO
Técnico de Cabo Verde
quer repetir a proeza

O seleccionador de Cabo Verde, Alex Nwora, de nacionalidade nigeriana, afirmou ao Jornal dos Desportos que o objectivo é igualar o feito protagonizado no Campeonato Africano das Nações de 2007, disputado em Angola, em que a representação daquele arquipélago conquistou a medalha de bronze. “Apesar de termos uma equipa bastante jovem, o nosso objectivo é a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2014, que se realiza em Espanha, embora saibamos as dificuldades que vamos encontrar a partir dos oitavos-de-final”, disse.
Sobre o nível competitivo deste Afrobasket, referiu ser positivo.

“Estamos a assistir jogos bastante equilibrados e acredito que com o aproximar dos oitavos-de-final vamos ter desafios muito mais emotivos porque as 16 selecções têm revelado qualidade”. O mesmo pensamento é partilhado pelo experiente Rodrigo Mascarenhas, que já representou  o 1º de Agosto.Cabo Verde alcançou a medalha de bronze em 2007 sob comando do angolano Emanuel Trovoada.    MC

CURIOSIDADES
Egipto acolheu
seis Afrobasket

Egipto, país que vive uma crise política, acolheu em seis ocasiões uma fase final de um Campeonato Africano das Nações de Basquetebol em seniores masculinos. Em 1962, quando a competição foi disputada pela primeira vez, os egípcios sagraram-se campeões. A Selecção do Egipto conta no seu pálmeres com cinco Campeonato Africanos das Nações, o mesmo número que a selecção do Senegal. Angola, Senegal e Egipto são as selecções com mais troféus conquistados, 20 ao todo. A Líbia, que acolheu o Afrobasket de 2009, estreou-se numa competição do género em 1983, no Egipto.  MC

MAIOR RESPONSABILIDADE
Jogo com RCA decepciona adeptos

O ex-seleccionador Nacional, Victorino Cunha, tricampeão africano, chamou a atenção para a necessidade de se ter maior responsabilidade durante a disputa dos jogos da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações de Basquetebol em seniores masculino, com palco em Abidjan, capital da Costa do Marfim. Victorino Cunha teceu estas considerações sábado último, após o triunfo milagroso do combinado nacional, frente à República Centro Africana, a quem venceu por escassos cinco pontos  de diferença (85-80).

Para o antigo treinador dos decacampeões africanos, os erros cometidos no desafio de sábado, frente a RCA, não podem voltar a acontecer, pelo que, solicitou aos doze embaixadores angolanos escolhidos para a “operação” Costa do Marfim a empenharem-se cada vez mais ao jogo. “Os atletas mostraram uma certa displicência e não se entregaram totalmente ao jogo e isso como é óbvio não é bom dado os objectivos que traçámos para esta campanha”, desabafou o antigo seleccionador nacional.

Victorino Cunha aconselhou a Selecção Nacional a pautar pelo jogo colectivo, manter sempre a filosofia do basquetebol angolano que se assenta na defesa, nas acções de contra ataque, no ataque continuado e na precisão dos lançamentos. Por isso, chamou a atenção para estabelecer-se um objectivo colectivo de não sofrer mais de 75 pontos, isto em função dos adversários que vai encontrar a partir dos quartos-de-final.

“Nos oitavos-de-final nós vamos ganhar mas era imperioso estabelecer-se um objectivo o  de não sofrermos mais de 65 pontos, porque nos quartos-de-final provavelmente vamos jogar contra a Argélia ou o Marrocos  e aí vai ser extremamente difícil. Para isso, é necessário que o indicador técnico ou táctico que está previamente definido para a nossa Selecção tem de ser respeitado”, disse o técnico que ofereceu o primeiro título africano à Selecção Nacional”. A finalizar, o ex-seleccionador nacional criticou por outro lado, os modelos de treinos que estão a ser implementados nos últimos tempos no país, onde se ignora a filosofia do basquetebol angolano.

RECONHECIMENTO
Capitão reconhece fragilidades

O capitão da Selecção Nacional, Carlos Almeida, reconheceu que o combinado nacional precisa de trabalhar cada vez mais, a fim de suprir as fragilidades, fundamentalmente, de ordem defensiva. Carlos Almeida que a par de Joaquim Gomes “Kikas” são os atletas mais titulados dos decacampeões africanos, afirmou que os erros cometidos frente à República Centro Africana não podem voltar a acontecer sob pena de regressarmos mais cedo a casa. O capitão disse por outro lado, que sobre o jogo de sábado, que marcou a despedida do “cinco” Nacional da fase preliminar da edição número 27 do Afrobasket não se pode retirar nada, porque no entender dele foi um descalabro que Selecção Nacional teve.

“Não podemos retirar nada daquele jogo porque estivemos simplesmente mal em todos os aspectos. Vamos trabalhar porque precisámos de corrigir rapidamente as falhas que cometemos frente à República Centro Africana. Penso que daqui para frente vai ser diferente”, assegurou o hexa-campeão africano. Por seu lado, Eduardo Mingas, tricampeão africano, minimizou os momentos dramáticos que o conjunto angolano viveu na noite de sábado.
“Penso que foi uma situação normal. Eles apareceram bem e acredito que fizeram o melhor jogo da vida deles. Vamos trabalhar para corrigir as falhas que tivemos nos próximos jogos”, finalizou Eduardo Mingas.

DESTAQUE
Morais entre os melhores

O internacional angolano, Carlos Morais, extremo base, figura na lista dos melhores marcadores da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, prova que a partir de hoje entra para os oitavos-de-final. O tricampeão africano que durante a primeira fase da referida competição foi o mais utilizado do “cinco” Nacional, com 80 minutos, contra 50 de Olímpio Cipriano, que esteve ausente na terceira partida, anotou até aqui 55 pontos, dando uma média de 18.3 pontos por cada desafio. Carlos Morais ocupa nesta altura o quarto lugar da lista dos melhores marcadores, lista que é comandada pelo tunisino Romdhane Ben, com 22 pontos por partida.

Kenneth Gasan, do Ruanda, e Like Digu, da Nigéria, ocupam as posições imediatas, com 22 e 19.5 pontos por jogo respectivamente. O Egípio Assem Marei está na quinta posição, com 18.3. Olímpio Cipriano tem- se destacado nas assistências, lidera por isso a lista dos melhores assistentes, com 5.5 assistência por  partida. Abdelhakim, de Marrocos, ocupa a segunda posição, com cinco, por cada partida. Na categoria dos melhores ressaltadores nenhum atleta angolano figura nesta lista que é comandada pelo jovem egípcio Assem Marei, de apenas 20 anos, com 11.7 ressaltos por cada partida. MC

RECUPERAÇÂO
Cipriano pode
regressar à quadra


Depois de ter sido poupado na derradeira jornada da fase preliminar do Grupo C da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações que decorre na Costa do Marfim, em virtude de ter contraído uma lesão no tornozelo esquerdo, o extremo base Olímpio Cipriano pode regressar hoje à quadra, para disputar os oitavos-de-final da competição. O internacional angolano que nas últimas 48 horas esteve sob cuidados “intensivos” fez parte ontem da única sessão de treinos da Selecção Nacional que persegue o seu 11º título aqui na Costa do Marfim.

Olímpio Cipriano é nesta altura a única preocupação da equipa técnica, liderada por Paulo Macedo, que não conta com o atleta a cem por cento, na partida desta noite. A equipa médica liderada pelo doutor Agostinho Matamba trabalha a todo gás no sentido de recuperar totalmente o extremo base, face aos maiores desafios que se avizinham. MC