Jornal dos Desportos

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Angola assegura \"Quartos\"

Melo Clemente - 11 de Setembro, 2017

O Senegal acolheu pela quarta vez a fase final de um Campeonato Africano, depois de tem albergado as edições de 1972, 1978, 1997 e agora em 2017.

Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

A 29ª edição do Campeonato Africano das Nações de basquetebol em seniores masculinos, vulgo Afrobasket, competição cuja fase preliminar encerrou ontem, com a disputa da terceira e derradeira jornada, passou completamente despercebida na cidade de Dakar, Senegal, palco que acolheu  os grupos B e D da aludida competição.

Apesar de ser um país com fortes tradições a nível do basquetebol, a par do futebol, a fase preliminar dos grupos B e D da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações passou despercebida de boa parte dos senegaleses. A reportagem do Jornal dos Deportos deparou-se com a ausências de painéis publicitários no Aeroporto Internacional Leopold Sedar Senghor. E, para não variar, o cenário repetiu-se nas principais avenidas da capital senegalesa, que "viveu" a fase preliminar do Afrobasket 2017 de forma indiferente.

Nem mesmo o velho Pavilhão Marius Ndiaye, recinto que acolheu os jogos dos grupos B e D, viu-se engalanado com painéis publicitários. Os órgãos de comunicação social, quer falada, quer escrita, assim como televisionada, pouco ou nada falavam da 29ª edição do Afrobasket, competição que pela primeira vez na história foi disputada em dois países diferentes.

Entretanto, a última vez que a selecção do Senegal ergueu o troféu continental, por sinal, o quinto no seu historial, foi exactamente há vinte (20) anos, ou seja, em 1997, quando acolheu a competição, tendo destronado a Selecção Nacional do título africano. O Senegal acolheu pela quarta vez a fase final de um Campeonato Africano, depois de tem albergado as edições de 1972, 1978, 1997 e agora em 2017.

Já no capítulo competitivo, os senegaleses estão fortemente engajados na luta pelo sexto troféu continental. Para a consumação dos objectivos, o Senegal conta nesta altura com as suas principais unidades, que actuam no estrangeiro, nomeadamente, nos Estados Unidos da América, Espanha e França, respectivamente. Durante a fase preliminar, a formação do Senegal que esteve inserida no Grupo D, fez o pleno, ou seja, em três partidas, os senegaleses conseguiram igual número de triunfos, ocupando por isso, o primeiro lugar da tabela classificativa, com seis pontos.

DESFALQUE
Chlif Abdelillah abandona o apito


Chlif Abdelillah, um dos árbitros mais conceituados do continente africano e não só, vai abandonar o apito, logo após o termo da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações de basquetebol em seniores masculinos, competição que encerra este sábado, dia 16, em Tunis, capital  da Tunísia. O facto foi revelado sábado último ao Jornal dos Deportos, em Dakar, Senegal, pelo juiz marroquino que aos 50 anos de idade vai pendurar o apito.

"Esta será a minha última participação num campeonato africano das nações, enquanto árbitro internacional", começou por revelar Chlif Abdelillah. Promovido a árbitro de categoria internacional em 1994, está por isso, a apitar ao mais alto nível há 23 anos. Com 50 anos de idade, o juiz marroquino já apitou treze (13) Campeonatos Africanos das Nações, vulgo Afrobasket's, sendo dez em masculinos e três a nível das senhoras. Na sua folha de serviço constam ainda dois Campeonatos do Mundo e dois Jogos Olímpicos.

Apesar do seu rico palmarés, Chlif Abdelillah revelou ao Jornal dos Desportos que a único coisa que ganhou ao longo de aproximadamente duas décadas e meia, foram as grandes amizades que fez pelo mundo a fora. "Não há dinheiro que compre as amizades. Financeiramente, não ganhei absolutamente nada. O império que construí ao longo destes anos foi sem sombras de dúvidas o ciclo de amizade".

Apitar ao lado de juízes como António Soares de Campo, Fernando Pacheco "Baganha", Domingos Simao, Carlos Júlio, todos angolanos, para além do moçambicano Abreu, foi um grande aprendizado para o juiz marroquino. "Felizmente, tive o privilégio de apitar ao lado de grandes árbitros, como Carlos Júlio, Fernando Pacheco "Baganha", Domingos Simao, António Soares de Campos, o moçambicano Abreu, entre outros", confessou o juiz marroquino.

CARLOS  JÚLIO
A retirada de Carlos Júlio, antigo árbitro angolano de categoria internacional, deixou surpreendido o categorizado juiz marroquino.
Para Chlif Abdelillah, o actual presidente da Associação Provincial de Basquetebol de Luanda, ainda tinha muita para dar na arbitragem angolana e africana.

"O Carlos Júlio é mais novo do que eu, logo, não percebi a decisão dele, porque ele tinha ainda muito para ensinar a nova geração de juízes. Mas, lamento profundamente a sua decisão". Questionado sobre a nova geração de juízes, o marroquino afirmou "que a qualidade deixa muito a desejar", tendo apelado à nova vaga de árbitros angolanos a apostarem cada vez mais no francês e inglês.                             
M.C

Após derrota
Ambiente crispado
na Selecção Nacional

A derrota inesperada da Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculinos, sábado, diante da similar de Marrocos, por 53-60, ensombrou o ambiente no seios dos jogadores, equipa técnica e dirigentes. Depois da vitória conseguida frente a modesta selecção do Uganda, por 94-89, após prolongamento, já ao cabo dos 40 minutos as duas equipas se encontravam empatadas a 84 pontos, isto para a primeira jornada do Grupo B da fase preliminar da 29ª edição do Afrobasket 2017, sábado, o cinco nacional voltou a protagonizar mais uma exibição paupérrima, que culminou com o desaire angolano.

Após o apito final, o ambiente no seio do grupo ficou completamente ensombrado, e nem mesmo a intervenção do presidente de direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), Hélder Martins da Cruz "Maneda", serviu para desanuviar o mal clima que se instalou.

O poste do Recreativo do Libolo e da Selecção Nacional, Eduardo Mingas, de 38 anos de idade, não conseguiu conter as lágrimas no final da partida, numa clara alusão de que o triunfo dos marroquinos foi mais demérito dos hendecacampeões africanos, do que propriamente mérito do seu opositor que consegue a sua segunda vitória, em trinta e oitos anos.

O antigo capitão dos hendecacampeões africanos, atleta que se destacou no último Campeonato Nacional da "bola ao cesto", tendo ajudado a sua agremiação (Libolo), a conquistar o título da 39ª edição do BIC Basket, foi utilizado incompreensivelmente por apenas seis minutos e 24 segundos. Gelson Gonçalves "Lukeny" foi o único atleta que não foi utilizado.                                               
M.C

Africano de 1997
 Lutonda e Avô são os sobreviventes


A Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculinos voltou a desfilar o "perfume" do seu jogo no velho Pavilhão Marius Ndiaye, em Dakar, Senegal, 20 anos depois de ter perdido a possibilidade de conquistar o seu quinto título africano de forma consecutiva.

Embora com novos actores, quer em termos de atletas, quer em termos de dirigentes, na comitiva angolana constam figuras de Miguel Pontes Lutonda e Benjamin Avô (dois dos adjuntos de Manuel Silva "Gi"), nomes que fizeram parte daquela geração de jogadores que na altura viram-se impossibilitados de erguer pela quinta vez consecutiva o título africano.

Sob liderança do malogrado treinador angolano, Wlademiro Romero, Angola que vinha de uma série de conquistas, 1989, 1991, 1993 e 1997, cairia neste arcaico Pavilhão Marius Ndiaye, ocupando o modesto quarto lugar da tabela classificativa geral, para a "frustração" dos amantes da modalidade que sonhavam com o tenta campeão africano.

Lutonda que dava assim início a sua  brilhante carreira na Selecção Nacional viu gorado o sonho de se tornar campeão africano pela primeira vez. Jogadores como Afonso Silva, na altura o mais novo do grupo, Ângelo Victoriano, David Dias, Honorato Trosso, Justino Victoriano "Puna", Marcolino, Domingos Garcia, Edmar Victoriano "Baduna", Victor Rafael de Carvalho, entre outros, tiveram que se conformar com o quarto lugar da prova, competição vencida pela selecção caseira (Senegal).                     
M.C

GRUPO B
ARTILHARIArtilharia

Ike Diogu
lidera lista

O nigeriano Ike Diogu, por sinal, o único sobrevivente da geração de jogadores que em 2015 conquistou o título da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações, prova disputada na Tunísia, liderava a entrada da última jornada da fase preliminar, a lista dos melhores marcadores da edição 29 do Afrobasket 2017, com 46 pontos.

Nas posições imediatas estão Ibrahim Djambo, do Mali, e Robinson Opong, do Uganda, com 40 e 38 pontos, respectivamente.
Entretanto, o internacional angolano, Carlos Morais, atleta que milita no Sport Lisboa e Benfica, é nesta altura o melhor marcador do cinco nacional com 30 pontos, o que representa uma média de 15 pontos por cada desafio, ao passo que Reggie Moore, Yanick Moreira, Leonel Paulo, Olimpio Cipriano e Leandro da Conceição ocupam as posições imediatas com 22, 18, 14, 11 e 11 pontos, respectivamente.

Em duas partidas, os hendecacampeões africanos que vai em busca do décimo segundo anel continental, depois das conquistas de 1989, 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009 e 2013, marcou já  147 pontos, o que representa uma média de 73, 5 pontos por cada desafio, tendo sofrido 149, obtendo uma média de 74, 5 pontos por cada partida.
M.C