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Angola com safra mediocre

Melo Clemente, Tunis - 13 de Setembro, 2017

Angola ocupa segundo lugar do Grupo B

Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Contra todas as expectativas, a Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculinos ocupou o segundo lugar do Grupo B da fase preliminar da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, sendo superado de forma surpreendente pela similar de Marrocos.Com um palmarés invejável, onde se destacam as dezassete (17) medalhas arrebatadas, sendo onze (11) de ouro, quatro (4) de prata e duas (2) de bronze, os hendecacampeões africanos foram incapazes de demonstrarem durante a fase preliminar da aludida competição, isto na cidade de Dakar, capital senegalesa, o estatuto que ostentam não só no continente berço da humanidade assim como a nível mundial.

Apesar de conseguir de forma a tangente o passe de acesso aos quartos-de-final da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, a exibição patenteada em Dakar, Senegal, palco dos grupos B e D, ficou muito aquém do habitual.Os hendecacampeões africanos, agora na versão Manuel Silva "Gi", tiveram de se empenhar ao máximo para ultrapassarem os seus adversários, fundamentalmente, o Uganda, a quem venceu por 94-89, após prolongamento, depois de uma igualdade a 84 pontos, e Marrocos, com quem perdeu por 60-53, num prélio onde a Selecção esteve simplesmente irreconhecível.

A selecção do Uganda, que no ranking mundial não tem qualquer pontuação, esteve à beira de protagonizar a sua maior façanha a nível da "bola ao cesto", batendo os hendecacampeões africanos.A inspiração de Carlos Morais, extremo base do Sport Lisboa e Benfica, Yanick Moreira, poste a caminho da Rússia, Leonel Paulo, com 21, 13 e 12 pontos respectivamente, livraram o cinco nacional da maior humilhação de todos os tempos.

O mau começo de prova veio a confirmar-se na segunda jornada da fase preliminar da referida competição, onde os actuais vice-campeões africanos acabaram derrotados pela selecção marroquina por 60-53, desafio em que os angolanos foram incapazes de proporcionar o basquetebol que lhes é característico.

Com o apuramento em risco para os quartos-de-final e depois de uma reunião de emergência, numa organização do homem forte da direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), Hélder Martins da Cruz "Maneda", envolvendo jogadores e a equipa técnica, o combinado nacional conseguiu dar uma resposta digna na derradeira jornada do Grupo B, frente a República Centro Africana, a quem venceu por claros 66-44.

A partida ficou marcada sem sombras de dúvidas com vários cortes de energia registado no arcaico Pavilhão Marius Ndiaye, recinto que a mais de vinte (20) não recebe obras de restauro.O árbitro maliano, Maiga Yousuf, fez tudo para retirar a qualificação do cinco nacional, ao contrário dos seus "companheiros", Fabrício, da Argentina, e Boris Shulga, da Ucrânia, que fizeram uma arbitragem exemplar.

Entretanto, as más exibições patenteadas pela Selecção  Nacional na fase de grupos devem-se, provavelmente, ao tempo em que ficou sem "competir" em Luanda, depois de ter regressado da República Popular da China, onde havia cumprido um estágio pré-competitivo de aproximadamente três semanas e meia.

Os hendecacampeões africanos deviam realizar o último teste, antes de seguir viagem para a capital senegalesa, Dakar, no torneio internacional de Luanda, prova que a direcção da Federação Angolana de Basquetebol decidiu cancelar, alegadamente, porque as selecções convidadas para o evento, designadamente, República Democrática do Congo e África do Sul não havia feito as inscrições nas datas previamente decidida pela organização.Na altura, o seleccionador nacional, Manuel Silva "Gi" minimizou por e simplesmente o cancelamento do referido torneio internacional.

Números
Cinco nacional longe do objectivo


Os números produzidos pela Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculinos, durante a fase preliminar da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, competição que reata amanhã, quinta-feira, com a disputa das partidas referentes aos quartos-de-final, depois da pausa colectiva de três dias, estiveram muito aquém do prognóstico do seleccionador nacional, Manuel Silva "Gi".

Marcar mais de 70 pontos e sofrer menos de 60 em cada desafio foi a meta traçada pelo técnico Manuel Silva "Gi" para a fase final da 29ª edição do Afrobasket, prova que contou com a participação de dezasseis selecções, na sua etapa inicial.No primeiro turno da aludida competição, os hendecacampeões africanos, que buscam o décimo segundo troféu continental, marcaram 213 pontos, o que representa uma média de 71 pontos por cada partida, e sofreu 193 pontos, obtendo por isso, uma média de 64, 3 pontos por cada jogo.

Se do ponto de vista ofensivo, o combinado nacional cumpriu cabalmente com aquilo que foi traçado pelo seleccionador nacional, o mesmo já não se pode dizer do capítulo defensivo.Aliás, as fragilidades defensivas evidenciadas na primeira etapa da competição, contribuíram pela péssima campanha do cinco nacional na fase preliminar da referida competição.

Entretanto, Carlos Morais, Reggie Moore, Yanick Moreira, Eduardo Mingas, Armando Costa para além do estreante Leandro da Conceição, primogénito do antigo internacional angolano, Jean Jacques da Conceição, foram as unidades que mais se destacaram na fase preliminar da 29ª edição do Afrobasket.

O extremo base do Sport Lisboa e Benfica está com uma média de 15, 7 pontos por cada desafio, sendo por isso, o melhor marcador do cinco nacional, com 47 pontos, seguido de Reggie Moore e Yanick Moreira, com 9, 7 e 8 pontos por cada encontro.Já o poste do Recreativo do Libolo, Eduardo Mingas, 38 anos de idade, foi o rei dos ressaltos, com uma média de cinco ressaltos por cada partida, seguido de Yanick Moreira e Carlos Morais, com cinco e 4, 7 ressaltos por cada desafio.Armando Costa, tetra campeão africano, é o líder das assistências, com dois ressaltos em cada partida, seguido de Carlos Morais e Leandro da Conceição, com 1, 7 e 1, 3 ressaltos, respectivamente.