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Angola começa hoje o Mundial

Policarpo da Rosa , Espanha - 30 de Agosto, 2014

Angola começa hoje o Mundial

Fotografia: Jornal dos Desportos

A 17ª edição do Campeonato do Mundo de basquetebol arranca hoje em Espanha. Com 24 selecções presentes, (quatro grupos de seis) a Espanha conquistou o título em 2006 no Japão,  surge novamente como uma das formações favoritas ao triunfo, a par dos Estados Unidos campeão em título, apesar das baixas de vulto.

A Espanha realiza pela segunda vez na sua história, uma das competições mais importantes do panorama desportivo continental a nível do basquetebol, iguala-se ao Brasil (1954 e 1963) e a Argentina (1950 e 1990). O Campeonato do Mundo entra na sua XVII edição e tem como país anfitrião a Espanha e é a competição mais importante do ano a nível de selecções. A Espanha classificou-se por ser o país anfitrião e os Estados Unidos por serem os actuais campeões olímpicos.

A competição organizado pela Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) e pela federação espanhola inicia hoje e prolonga-se até ao próximo dia 14 de Setembro. Estão presentes 24 selecções dispostas a lutar pelo título. A fase de grupos vai ser realizada em seis cidades e a fase final em Barcelona e Madrid.

A Espanha foi escolhida como sede do Mundial de 2014 em 23 de Maio de 2009. Além da Espanha outros oito países demonstraram interesse em sediar o evento, nomeadamente a Arábia Saudita, Catar, China, Dinamarca, França, Grécia, Itália e Rússia. Dos citados, apenas foram seleccionados pela FIBA a Espanha, China e Itália. Na votação a China foi a primeira eliminada e na decisão a Espanha levou à melhor,  conseguiu 11 votos contra oito da Itália.

Na primeira fase,  as 24 selecções vão ser divididas em quatro grupos de seis equipas cada. As quatro primeiras selecções de cada grupo disputam os oitavos de final. A partir desta fase os jogos vão ser a eliminar. As selecções afastadas das meias-finais disputam o terceiro lugar e os eliminados nos “quartos” disputam o quinto lugar. A grande final vai  realizar-se a 14 de Setembro na cidade de Madrid.

Pelo que observamos nestes poucos dias em solo espanhol, o esforço é enorme sob as mais variadas vertentes sócio – económicas, mas é recompensador sob o ponto de vista desportivo e pensamos, que vai ser também em termos de retorno financeiro, a avaliar pela importância de que se reveste a competição.

A bola vai finalmente ser lançada ao ar.  Seis cidades (Madrid, Baracaldo (Bilbau), Barcelona, Granada, Las Palmas e Sevilha) estão prontas a receber a competição. Contudo, não é novidade se dissermos que não está ainda tudo nos conformes, pese a vontade demonstrada pela organização.

Contudo, todos estão cientes de que é necessário elevar o nível organizativo, daí que, todos os sectores estejam envolvidos no projecto .Tudo e todos são poucos para que esta XVII edição da maior prova mundial da bola ao cesto decorra sem sobressaltos e tenha um bom inicio e um final merecedor dos maiores elogios. Espera-se por uma organização da qual todos se possam orgulhar e que permita satisfazer todos os participantes.

Uma organização cuja estrutura administrativa é visível em todos os locais, concretamente nos pavilhões e respectivas acessibilidades. Espera-se que tudo venha a convergir como a organização, no caso a FIBA (Federação Internacional de Basquetebol) e a Federação Espanhola de Basquetebol, previram.

As selecções  estão dispostas a despojarem os Estados Unidos do título conquistado quatro anos atrás na Turquia, depois de vencer na final o país anfitrião por 81-64. Uma tarefa que não se afigura nada fácil, dada a força dos norte-americanos que contam com um naipe de excelentes executantes provenientes da NBA, simplesmente o melhor campeonato mundial da bola ao cesto.

Quando estamos a poucas horas do início da competição, as calculadoras por enquanto estão nas gavetas. A principal preocupação das selecções confinadas hoje na grelha de partida é  somar os pontos necessários para alcançarem o “passaporte” que as leve à segunda fase. Chegados à fase de “mata - mata” a luta pode ser infernal e  o mínimo erro pode significar o frustrar das ambições e o regresso antecipado à casa. 

 Com o inicio dos jogos dos vários grupos, pode afirmar-se que a prova vai chegar à fase de grande visibilidade. Uma fase que se espera disputada com um espírito de grande competitividade e muito fervor. As melhores selecções do mundo estão  presentes, motivo suficiente para prognosticarmos um Campeonato bastante disputado e com um nível competitivo capaz de superar os números alcançados nas anteriores edições.


SEISCENTOS MIL TURISTAS
Previsão de retorno de milhões de euros


O Campeonato Mundial de Basquetebol de 2014 começa hoje em seis cidades espanholas, pode gerar 325 milhões de euros ao país anfitrião. Durante os 16 dias de competição, a Espanha espera receber cerca de 600 mil turistas.

“Há uma estimativa de mais de 300 milhões de euros de retorno, mas para já preferimos aguardar pelo fim da competição”, disse José Luis Sáez.
Estes números devem compensar o orçamento canalizado para a organização desta competição internacional, no valor de 45 milhões de euros e o investimento feito em infra-estruturas que rondou cerca de 66 milhões de  euros, de acordo com o Expansión. Ao longo dos 16 dias de competição, a organização espera receber cerca de 600 mil turistas de acordo com as estimativas da organização, devem gastar perto de 42 milhões de euros. No entanto, o principal retorno financeiro deve provir de receitas publicitárias, conforme a organização.

A Espanha para  além de ser a anfitriã da competição é uma das principais favoritas a vencer esta XVII edição do Mundial, especialmente depois de alguns dos principais jogadores norte-americanos, como LeBron James, Kevin Durant ou Kevin Love terem renunciado participar na competição.


O MEU MUNDIAL
Força Angola!


A Selecção Nacional está em Espanha disposta a fazer o  melhor. À procura da sua melhor prestação de sempre. Esta vai ser a sua sétima presença em Campeonatos do Mundo e o seu grande objectivo passa por melhorar a prestação alcançada em 2006, no Japão, onde alcançou um honroso nono lugar. Na última edição realizada na Turquia em 2010 o “Cinco” Nacional não foi para além do 15º lugar, contudo suficiente para  posicionar-se  à frente dos outros dois representantes do Continente: a Costa do Marfim (21º) e a Tunísia (24º). Este ano a África vai estar para além de Angola, representada pelo Egipto e Senegal.

A presença em mais uma prova mundial representa um feito não apenas para o basquetebol nacional mas igualmente para o desporto no seu todo. Permite ao “Cinco” Nacional rescrever o nome de Angola no mapa do Mundo. Ao estar novamente num Mundial, Angola prova que pode ombrear com as grandes selecções mundiais. As performances alcançadas pelo desporto angolano nas competições internacionais colocam o País na mais alta roda do mundo desportivo.

O basquetebol é muito mais do que um jogo desportivo. O espectáculo que proporciona tem responsabilidades acrescidas que vão para além das quatro linhas do pavilhão em si. A presença de Angola em mais uma edição do Campeonato do Mundo tem demonstrado isso mesmo: o  carácter social do desporto. Angola está em Espanha por mérito próprio. Na qualidade de campeã africana. O caminho a trilhar em Espanha não vai ser fácil. Vai ser  tortuoso se se tiver em conta o capital humano de cada uma das selecções presentes. Uma recta com muitos obstáculos.

Estamos em Espanha para disputar o sétimo Mundial da nossa história. Apesar da tarimba de longas andanças em provas do género de muitas selecções presentes, não nos podemos sentir inferiorizados. Antes pelo contrário. Levantar a cabeça e encarar a prova com alto sentido de responsabilidade. Temos de assumir o risco.

Ainda que a experiência de alguns dos eleitos de Paulo Macedo seja grande, com atletas que já actuaram em Jogos Olímpicos e Mundiais, a estreia no Campeonato do Mundo de Espanha gera uma ansiedade. Para se livrar desse sentimento, encontramos a solução para os jogadores : trabalho.

Os nossos jogadores merecem a nossa confiança. São merecedores do nosso orgulho e pensamos que todos eles vão dar o máximo em prol das camisolas da Nação.  Vão estar  à altura do grande acontecimento que é o Campeonato do Mundo. Cada um dos pupilos de Paulo Macedo sabe muito bem o que fazer nos momentos de cada jogo. Cada um sabe que é indispensável trabalhar em conjunto e acima de tudo, cada um sabe que a entrega deve ser necessária para atingirmos os objectivos traçados não só pela equipa técnica mas também pela direcção da FAB.
Policarpo da Rosa