Jornal dos Desportos

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Angola falha apuramento directo

Melo Clemente - 02 de Janeiro, 2016

Com o fracasso no Campeonato Africano da Tunísia angolanos procuram apuramento por repescagem

Fotografia: Jornal dos Desportos

Contra todas as expectativas, a Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculino, falhou pela segunda vez consecutiva, o apuramento directo aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, competição agendada para o ano que começa hoje.

 Depois de ter falhado os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, por força da perda do título do Campeonato Africano das Nações da “bola ao cesto”, vulgo Afrobasket, à favor da Tunísia,  o combinado nacional voltou a baquear no ano que ontem disse adeus,  diante da Nigéria com quem perdeu por 65-74, falha porconseguinte o apuramento directo aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Com um percurso invejável em competições do género, onde se destacam cinco presenças consecutivas, a Selecção Nacional começa a fazer uma travessia no deserto, situação que deixa preocupados os amantes da modalidade.

 A estreia do combinado nacional em Jogos Olímpicos aconteceu em 1992, em Barcelona, sob comando do conceituado treinador Victorino Cunha.
Coube ao cinco nacional, constituído na altura por Herlânder Coimbra, Jean Jacques da Conceição, David Dias, Ângelo Victoria, Manuel Sousa “Necas”, José Carlos Guimarães, Nelson Sardinha “Futuro”, Benjamin Romano, Benjamin Avô, Victor Rafael de Carvalho, e Aníbal Moreira, entre outros, baptizar a selecção norte-americana, que pela primeira vez enviou jogadores que actuavam na Liga Norte-Americana de Basquetebol, à famosa NBA.
 Posteriormente, seguiram-se as edições de 1996, em Atlanta, Sidney/2000, Atenas/2004 e Pequim/2008.

 Este ano, na 28ª edição do Campeonato Nacional de basquetebol,  sob a liderança do técnico espanhol, Moncho López, a Selecção Nacional não conquistou o seu 12º título africano.

 Entretanto, a preparação do combinado nacional ficou marcada por várias vicissitudes, que culminaram com o afastamento do Olímpio Cipriano e Domingos Bonifácio, por lesão.

Olímpio Cipriano, extremo base do Recreativo do Libolo, não embarcou para o estágio pré-competitivo do cinco nacional, ao passo que o base do Atlético Petróleos de Luanda contraiu uma lesão em Espanha, falhou a disputa da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações da “bola ao cesto”.

 A integração tardia do poste Yanick Moreira, também marcou negativamente a preparação do combinado nacional, que estava fortemente apostado em conquistar o 12º título africano.

 Depois de ter recuperado o título africano em 2013, em Abidjan, a Selecção Nacional voltou a perder o ceptro no ano que ontem se  despediu do calendário.

ANGOLANOS JOGAM
CARTADA DECISIVA

Depois de falhar o apuramento directo aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o combinado nacional vai disputar pela segunda vez consecutiva, o Torneio Pré-Olímpico, competição de repescagem para a aludida competição.

 A direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), encabeçada por Paulo Alexandre Madeira, continua a guardar com sete chaves, o nome do técnico que vai conduzir os destinos do cinco nacional no Torneio Pré-Olímpico, depois do espanhol Moncho López ter terminado o vínculo contratual com o órgão reitor da modalidade, logo após o termo da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações da Tunísia, vulgo Afrobasket.

 O regresso de Moncho López, ao comando técnico da Selecção Nacional, não está totalmente descartado, conforme apurou o Jornal dos Desportos de fonte federativa.

 Entretanto, a Fiba -Mundo ainda não definiu o país que vai acolher o torneio de repescagem, para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Seis países estão na corrida para acolherem o Torneio Pré-Olímpico: a República Checa, Itália, Sérvia, Filipinas, Turquia e Alemanha. Das 18 selecções vão disputar o torneio de repescagem, nomeadamente, Angola, Canadá, República Checa, França, Grécia, Irão, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Porto Rico, Senegal, Sérvia e Tunísia.

 Estão apuradas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, as selecções do Brasil, como país organizador, Estados Unidos, campeão olímpico em título, Nigéria, campeã africana, Venezuela, campeã da América,  Austrália, campeã da Oceânia, Espanha, campeã europeia, a Argentina, Lituânia e República Popular da China respectivamente. 


Distinção
Dongue e Quezada
conquistam troféu


A moçambicana, Leia Donge, do 1º de Agosto e Emanuel Quezada, dominicano naturalizado norte-americano, do Atlético Petróleos de Luanda, foram distinguidos com o prémio de MVP (Jogador Mais Valioso) da XXX edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores, em ambas as classes, provas disputadas no Pavilhão Multiusos do Kilamba.

 A extremo poste da formação militar conquistou o troféu de MVP pela segunda vez consecutiva, depois de ter arrebatado o referido prémio, em 2014, em Sfax, Tunísia.

 Na partida da final, em que a equipa do Rio Seco destronou a formação do Grupo Desportivo Interclube do título africano, Leia Donge marcou 28 pontos, conseguiu 18 ressaltos, para além de três assistências.

 De 25 anos da idade, um metro e 85 centímetros, 85kg, Leia Dongue foi uma das pedras fundamentais na formação militar quer conquistou o título da XXXI edição da Taça dos Clubes Campeões da “bola ao cesto” a nível de senhoras.

O mesmo  pode dizer-se de Emanuel Quezada, que apesar de não ter feito a pré-época com a formação petrolífera, acabou por ser decisivo  na conquista do título africano.

 O base, do Atlético Petróleos de Luanda, arrebatou o ceptro (MVP) pela primeira vez. O norte-americano realiza a sua segunda época ao serviço dos petrolíferos da capital.


 Nacionais Jovens
Petro  de Luanda
mantém domínio


A cidade de Lubango,  voltou a ser o palco dos Campeonato Nacionais jovens, em ambas as classes, na categoria de sub-14

 Tal como nos anos anteriores, a direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), encabeçada por Paulo Alexandre Madeira, levou os nacionais jovens para o interior. A formação do Atlético Petróleos de Luanda, voltou a conquistar o título nacional, superou os seus principais concorrentes, ao passo que em feminino o troféu ficou com a formação do Sporting de Benguela. Os nacionais jovens, decorrem sem qualquer sobressalto, na cidade do Lubango.


Decepção
Senhoras fracassam nos Camarões


A Selecção Nacional de basquetebol sénior feminina, não conseguiu manter no ano que ontem terminou, o ciclo vitorioso que teve início em 2011, em Bamako, com passagem por Maputo, ao quedar-se na quarta posição da tabela classificativa da fase final do Campeonato Africano das Nações dos Camarões, em 2015, falham o apuramento aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Depois da  conquista de dois Afrobasket´s de forma consecutiva, sob comando do técnico Aníbal Moreira, antigo internacional angolano, a selecção partiu para os Camarões com o propósito de conquistar o terceiro título africano e consequentemente, marcar pela segunda vez  a presença numa edição dos Jogos Olímpicos, depois da estreia em 2012, em Londres.

 Paulo Alexandre Madeira, presidente de direcção da FAB, decidiu atribuir o comando técnico do cinco nacional ao treinador Jaime Covilhã, que no entanto, não conseguiu levar o barco a bom porto.

 As conquistas de 2011, no Mali, e  2013 na capital moçambicana, elevaram os índices de confiança dos angolanos que acreditavam na conquista do  tricampeonato, a nível de senhoras.

 Depois de assegurar a passagem para a fase seguinte da competição, as pupilas de Jaime Covilhã tombaram nas meias-finais, diante da forte selecção do Senegal, com quem perdeu por  dois pontos de diferença (54-56).

 Para a atribuição do terceiro e quarto lugares da  competição, as angolanas foram superadas pelas nigerianas, que venceram a partida por 65-55. Um jogo de má memória para os angolanos, que viram o cinco nacional  perder por 20-0, no quarto derradeiro.

 A formação do Senegal bateu na grande final, a similar dos Camarões, por expressivos 81-66, carimbou o passe de acesso aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, competição marcada para o ano que hoje começa.


 Fracasso
 1º de Agosto decepciona


Com oito troféus conquistados, a nível do continente africano, a formação do 1º de Agosto agora dirigida pelo técnico espanhol, Richard Casas, acabou por ser a grande decepção da XXX edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol em seniores masculino, competição que encerrou a 19 de Dezembro, em Luanda.

 Em face dos fracassos que acumulou nos últimos dois anos, sob liderança do técnico Paulo Macedo, a direcção do Clube Central das Forças Amadas Angolanas, encabeçada por Carlos Hendrick, decidiu apostar no espanhol Richard Casas, para comandar a formação militar nos próximos 12 meses.

Com um plantel recheado de grandes valores, com destaque para Armando Costa, Joaquim Gomes “Kikas”, Felizardo Ambrósio, Francisco Sousa, Mohamed Malick Cissé, Edmir Lucas, Edson Ndoniema, Johne Pedro, Cedrick Ison, Tariq Kirksay entre outros, a equipa rubro - negra não foi para além do quarto lugar da XXX edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos da “bola ao cesto”, prova vencida pelo Atlético Petróleos de Luanda.

 Depois de ter feito o pleno, na fase preliminar da aludida competição, o técnico Richard Casas não conseguiu os níveis de produtividade da equipa, na etapa crucial da competição, averbou duas derrotas consecutivas, ficou de fora do pódio para o desalento da massa associativa que estava confiante na conquista do nono anel continental.

 Após o fracasso na XXX edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos, Richard Casas, vai seguramente virar as baterias para as provas domésticas, com particular realce para o Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculino, vulgo BIC Basket, e a Taça de Angola, respectivamente.


 Taça dos Clubes
 Angolanos dominam as duas classes


Tal como tem acontecido nos últimos anos, Angola voltou a dominar no ano que ontem terminou, as competições continentais a nível de clubes, em ambas as classes, mantém o domínio no continente berço da humanidade.

 Depois de ter albergado em 2002 e 2007, Angola voltou a acolher em 2015, em ambas as classes, a fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol, com os  seniores masculino a competirem  no majestoso Pavilhão Multiusos do Kilamba, infra-estrutura construída no âmbito da realização no país, da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, isto em 2013.

As senhoras foram as primeiras a entrarem em cena. A competição decorrer de 27 de Novembro a 6 de Dezembro, culminou com a consagração da formação do 1º de Agosto que venceu a rival,  do Grupo Desportivo Interclube, por 69-53.

 A prova teve a participação de 12 equipas, que foram divididas em dois grupos. Pela primeira vez, uma competição do género, teve a participação de 12 formações, um record alcançado pela Fiba -Afrique.

 Na qualidade de país anfitriã, Angola esteve representada por três equipas, designadamente, o Grupo Desportivo O Maculusso, organizar da XXI edição da Taça dos Cubes Campeões Africanos da “bola ao cesto”, 1º de Agosto e Grupo Desportivo Interclube.

 Às três equipas juntaram-se o Berco Stars do Burundi, Radi da República Democrática do Congo, INJS dos Camarões, Dolphins da Nigéria,   Ferroviário de Moçambique, First Bank da Nigéria, INSS da República do Congo Brazzaville, KCCA do Uganda e ISIU do Quénia.
E para não variar, em masculino, os angolanos ocuparam igualmente os dois primeiros lugares do pódio, por via das equipas do Atlético Petróleos de Luanda e Recreativo do Libolo.

Tal como em feminino, em masculino, Angola teve três representantes, designadamente, Recreativo do Libolo, Atlético Petróleos de Luanda e 1º de Agosto, esta última foi a organizadora da XXX edição da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol sénior masculino.

Inicialmente prevista para 12 formações, a competição ficou reduzida a dez equipas, por  desistências do Metromekos da Nigéria e  AS Mazembe da República Democrática do Congo.

O Recreativo do Libolo e o 1º de Agosto passearam toda a  classe durante a fase preliminar, em que conseguiram o pleno, ou seja, em quatro partidas realizadas as duas agremiações somaram igual número de vitórias.

 Os petrolíferos da capital somaram duas derrotas, na fase de grupo, uma frente ao rival 1º de Agosto, com quem perdeu por 55-74, e outra diante do Asfar Rabat de Marrocos, por 67-70.

Contra todas às expectativas, a equipa do Eixo -viário eliminou nos quartos -de -final, a forte formação do Etoile Sportive de Radés da Tunísia, até então vice -campeã africana, a quem venceu por 74-49.

 Liderado por Emanuel Quezada,  os jogadores Jason Cain, Leonel Paulo, Gerson Gonçalves, Domingos Bonifácio  do Atlético Petróleos de Luanda afastaram nas meias-finais o  1º de Agosto, agora sob comando do técnico espanhol, Richard Casas, a quem  venceram por 74-63.

 Motivados com o triunfo frente ao 1º de Agosto, os petrolíferos da capital surpreenderam os liboenses na grande final, vencendo por 89-75.


 Afrobasket
Selecções jovens
distantes do pódio


 Depois do brilharete em 2013, que culminou com a conquista do Campeonato Africano das Nações de basquetebol masculino, vulgo Afrobasket, na categoria de sub-16, Angola não repetiu a proeza.

 A selecção feminina de sub-16, falhou o pódio, por uma unha negra,  ao quedar-se na quarta posição do Campeonato Africano das Nações da “bola ao cesto”, ao passo que em masculino, o combinado nacional não foi para além do sexto lugar da competição.

Se em masculino houve uma  “queda,” o mesmo não pode dizer-se no sector feminino, que conquistou o honroso quarto lugar.


BIC Basket
Petroliferos
destronou Libolo


O ano que terminou, foi de grandes sucessos para a equipa sénior masculina do Atlético Petróleos de Luanda, conjunto dirigido pelo técnico camaronês Lazare Adingono.

Depois da direcção do clube tricolor, liderada por Tomás Faria, ter renunciado a luta pelo título nacional muito por culpa das “convulsões” financeiras a que o clube se vê mergulhado com a crise resultante da baixa do petróleos, no mercado internacional, os petrolíferos da capital surpreenderam tudo e todos, conquistaram o título da XXXVII edição do BIC Basket, destronaram do ceptro a formação do Recreativo do Libolo.

E para não variar, Emanuel Quezada e Jason Cain, ambos americanos de nacionalidade, acabaram por ser determinantes na conquista do título do Campeonato Nacional da “bola ao cesto”.

 Apesar da estreia no basquetebol angolano, os atletas referenciados conseguiram se impor logo na primeira temporada, facto que não deixa de ser curioso, face as especificidades do basquetebol angolano.  Entretanto, Leonel Paulo, Roberto Fortes, Domingos Bonifácio, Gerson Gonçalves e Hermenegildo Mbunga foram outras da unidades que também contribuíram para o sucesso do Atlético Petróleos de Luanda, no ano ora findo
 Com um plantel jovem, os petrolíferos da capital superaram na concorrência as equipas do Recreativo do Libolo e 1º de Agosto, que eram apontadas como os principais candidatas à conquista do título da XXXVII edição do BIC Basket.

 A época desportiva 2014/2015, testemunhou igualmente o regresso do modelo dos play-offs, contra o até então “Final Four”.

 No sector feminino, a formação do 1º de Agosto, agora sob a liderança do técnico Jaime Covilhã, conquistou o Campeonato Nacional de basquetebol em seniores feminino, ao superar nos play -off a rival, Grupo Desportivo Interclube.

A equipa militar conseguiu o  décimo título nacional, destronou a formação da Polícia que monopolizava as competições domésticas e africanas.  A final,  jogada a melhor de três partidas, as pupilas de Jaime Covilhã conseguiram duas vitórias, por 67-39 e 55-49, respectivamente.