Jornal dos Desportos

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Angola regressa de cabeça erguida

Hélder Jeremias, em Istambul - 01 de Outubro, 2014

Selecção nacional terminou ontem a sua participação no campeonato do mundo com uma derrota diante das actuais campeãs mundiais

Fotografia: Santos Pedro

A Selecção Nacional de Basquetebol sénior feminina está de regresso ao país depois de ontem ter terminado a sua participação na 17ª edição do Campeonato Mundial de Basquetobol que as cidades turcas de Istambul acolhem desde o dia 27 de Setembro até domingo próximo, em que encerrou o grupo D com derrota frente aos Estados Unidos da América.
O técnico principal da Selecção Nacional de Basquetebol sénior feminina, Aníbal Moreira, reiterou a confiança nas atletas e disponibilidade para trabalhar em prol da defesa do título continental em 2015, não obstante os resultados negativos da primeira presença no Campeonato Mundial, em que a equipa perdeu os três jogos do grupo.
Aníbal Moreira recordou que os objectivos de Angola na maior competição mundial limitavam-se a passar uma imagem sobre o nível de basquetebol praticado em Angola e legitimar a coroa continental, uma vez que o país ficou inserido no grupo mais difícil.

Em declarações à imprensa, o técnico reconheceu que a equipa poderia sar melhor, sobretudo, nos dois jogos iniciais em que jogou diante da Sérvia e da República da China, caso as atletas não denotassem algum nervosismo que resultou na perda excessiva de bolas. Aníbal Moreira mostra-se reconfortado pelo facto da experiência não ter sido a pior, pelo que já antevê resultados mais sólidos no próximos compromissos.

O seleccionador angolano foi pragmático: “estávamos convictos de que a selecção não tinha nada a perder”. Os Estados Unidos da América são detentores da hegemonia do basquetebol mundial. A Sérvia e a China representam duas das equipas de maior quilate. Contudo, a delegação angolana regressa ao país com a cabeça erguida e o sentimento do dever cumprido.
O técnico felicitou o corpo diplomático angolano na capital da Turquia, em particular, o Embaixador José Guerreiro Alves Primo pela calorosa recepção, apoio durante a competição e a estada em Istambul, sem se esquecer de se referir as condições de trabalho criadas pela direcção da Federação Angolana de Basquetebol, em parceria com o Ministério da Juventude e Desportos no âmbito da preparação do grupo.

“O nosso objectivo para o mundial era de jogar e perder com dignidade diante de adversários superiores à nossa equipa que se estreia neste nível em fase de renovação.
Se formos a ter em conta o que foi feito pelas atletas, podemos dizer que não estivemos tão mal. No primeiro jogo, diante da Sérvia, as atletas demonstraram muito nervosismo e perderam várias bolas diante do adversário muito eficiente no jogo exterior, mas subiram de rendimento frente a China. Com os Estados Unidos da América era de esperar uma derrota de qualquer forma, porque são a equipa mais forte do mundo”, disse o técnico angolano.

Aníbal Moreira mostrou-se ainda satisfeito pelo entrosamento entre as atletas mais experientes e a nova geração. A presença de atletas como Nachissela Maurício, Finesa Eusébio e Sónia Guadalupe serviu para transmitir confianças às demais integrantes do grupo, cujo processo de renovação está a tomar o seu curso, não obstante a escassez de atletas para ocuparem determinadas posições.

Quanto ao nível organizativo, Aníbal Moreira considerou de “excelente”. A equipa ficou instalada com o devido conforto e teve acesso aos campos sem qualquer constrangimento que pudesse afectar no desempenho competitivo. Como não há bela sem senão, a culinária turca suscitou algumas dificuldades de adaptação.


VITÓRIA SOBRE JAPÃO
Brasil apurada para os oitavos de finais


A selecção brasileira feminina de basquetebol mantém-se viva no Campeonato Mundial da Turquia. Ontem, em Ancara, a equipa brasileira superou o Japão por 79 a 56 e garantiu a vaga nos oitavos de final ao posicionar-se no terceiro lugar do Grupo A.

Quem brilhou no triunfo brasileiro foi a extremo Patrícia Teixeira, de apenas 24 anos e estreante em campeonato do mundo. A brasileira foi a cestinha da selecção com 27 pontos e um aproveitamento de 65 por cento nos arremessos de quadra (11/17). A actuação da jovem foi decisiva no terceiro quarto. No momento em que o Japão esboçava uma reacção, ela comandou a selecção brasileira, anotando 14 pontos no período.

Com o triunfo, o Brasil  evitou também fazer a pior campanha da sua história em Campeonatos Mundiais. Se perdesse, amargaria ao menos a 13ª posição e pioraria o 12º lugar obtido no Mundial de 1975, disputado na Colómbia.

Para conquistar a sua primeira vitória em três partidas no torneio, o Brasil contou com uma boa actuação no primeiro tempo, quando conseguiu superar as japonesas por 41 a 31. Os dez pontos de vantagem deram a tranquilidade necessária para a equipa, que oscilou bastante no início do terceiro quarto. Depois do intervalo, as asiáticas chegaram a aproximar-se para seis pontos, depois de estarem a perder por 20.

O domínio nos ressaltos também foi fundamental para o triunfo da equipa brasileira. O Brasil terminou com 41, contra 28 das adversárias. A poste Érika destacou-se debaixo das tabelas, com 11. Anotou 12 pontos para finalizar a partida com um duplo-duplo.

A seleção brasileira joha hoje em Ancara, capital turca, os oitavos de final. A equipa só vai viajar a Istambul caso supere a adversária. Nos quartos de final, os Estados Unidos podem ser os adversários. As norte-americanas são as actuais campeãs mundiais e olímpicas e favoritas a ficar com a taça mais uma vez.