Jornal dos Desportos

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Aníbal Moreira equaciona abandono

Hélder Jeremias, em Istambul - 02 de Outubro, 2014

Pupilas de Aníbal Moreira averbaram três derrotas durante a fase preliminar do Campeonato do Mundo que decorre na Turquia

O treinador principal da Selecção Nacional de basquetebol, Aníbal Moreira, deu a conhecer ontem, em Istambul, a sua indisponibilidade para continuar a dirigir a equipa técnica nos compromissos que se avizinham.

De acordo com o técnico, a presença de Angola na 17ª edição do Campeonato Mundial de basquetebol, do qual a selecção se despediu terça-feira no jogo com os Estados Unidos da América, com quem perdeu por 44-119, marca o fim do seu ciclo no comando da equipa, passando a assumir outras responsabilidades ao nível de clubes.

Aníbal Moreira deu voto de sucesso à futura equipa técnica: “Cumpri a minha missão, pois foram anos de muito trabalho e de conquistas que me permitem respirar de alívio com o sentimento do dever cumprido, mas não me posso esquecer de todos aqueles que ajudaram nesta longa caminhada, pois nada do que conseguimos era possível sem a sua colaboração.” 

O técnico justifica a sua indisponibilidade pelo facto de estar comprometido com a equipa de sub-18 masculina do 1º de Agosto e da Marinha de Guerra, ambas sob égide do clube militar, pelo que, em termos lógicos, é contraproducente continuar a trabalhar com a selecção feminina.

  Anibal Moreira reiterou o seu agrado pela forma como as suas atletas se apresentaram no Mundial da Turquia, apesar de a equipa estar em fase de regeneração, com metade de atletas sem rodagem competitiva internacional, de modo que é natural as debilidades que condicionam o rendimento desportivo.

“Só posso dar os meus parabéns a estas jovens porque foram dignas de representar o país. Elas ainda têm muito que aprender, mas isto leva o seu tempo e julgo que quem estiver no comando da equipa vai saber  o que fazer para suprir as debilidades que apresentam. De qualquer maneira, reitero aqui o meu agrado por ter trabalhado com elas durante os últimos tempos, porque os resultados nos permitem regressar de cabeça erguida”, reiterou.

A Selecção Nacional deixou Istambul por volta das 11h30 com destino a Lisboa, onde permanece 24 horas, antes de embarcar para Luanda.


BALANÇO
Selecção Nacional
colecciona desaires


A Selecção Nacional de basquetebol sénior feminina teve uma prestação razoável na 17ª edição do Campeonato Mundo, prova que encerra domingo. As bicampeãs africanas terminaram em quarto lugar, com três pontos, fruto de igual úmero de derrotas.
Inseridas num dos grupos mais difíceis, as comandadas de Aníbal Moreira e Elisa Pires eram de antemão o elo mais fraco, dado que os Estados Unidos, a China e a Sérvia lideram o ranking mundial, porém as bicampeãs africanas souberam dignificar o basquetebol nacional, em particular e o continental em geral, com uma prestação razoável.

Com uma equipa composta de  50 por cento de atletas novas, como são os casos de Artemis Afonso, Elsa Eduardo, Angelina Golome, Helena Viegas e Rosa Gala, acompanhadas das veteranas Finesa Eusébio Nguedula Filipe, Angelina Golome Nadir Manuel, Luísa Tomas e Nachissela Maurício não dispunham de argumentos para travar o poderio dos adversários que constam das principais referências, mas a união da equipa foi fundamental para exigir esforço por parte dos adversários com quem cruzou.

O combinado nacional realizou a sua pior prestação no jogo de estreia com a Sérvia resultado da desconcentração, acabaram por perder por 60 pontos (102-42), numa partida em que as sérvias aproveitaram-se do excessivo número de perdas de bolas, para dilatar a vantagem por  lançamentos a longa distância.

Na segunda jornada, a Selecção Nacional apareceu mais determinada e dificultou a manobra da formação da China, cuja média de altura situa-se entre as melhores do mundo. Nesta partida, Angola sofreu apenas 65 pontos e converteu 39, muito embora a equipa ainda tivesse demonstrado falta de confiança.

Já afastadas da competição, o combinado nacional cumpriu calendário com a equipa dos Estados Unidos, campeã mundial em título, com quem perdeu por 44-119,  o “cinco” nacional  bateu-se com dignidade, não obstante as assimetrias entre as formações.
Em três partidas disputadas, o  “cinco” nacional sofreu 296 pontos e marcou apenas 165.

A extremo -poste, Nachissela Maurício foi a atleta mais produtiva, com uma média de 11.3 pontos, seguida de Sónia Guadalupe que conta com 6.0, Finesa Eusébio, 4.7, Luísa Tomas, 4.3 e Nadir Manuel 4.0. A base Finesa Eusébio liderou ainda as assistência com a percentagem de 1.3.

Nachissela Maurício obteve a maior safra no jogo com a China, em que anotou 18 pontos em 37 minutos jogados. No jogo com os Estados Unidos, a mais produtiva foi Nadir Manuel, que converteu 11 pontos em 24 minutos em campo.
A fase final do Campeonato do Mundo vai decorrer na cidade de Istambul.
H.J


RECONHECIMENTO
Americano valoriza potencial das angolanas


O treinador da selecção de basquetebol dos Estados Unidos da América, Geno Auriemma, enalteceu as qualidades das atletas angolanas apesar de reconhecer que só com um trabalho aturado elas podem rentabilizar o seu potencial técnico e físico.

Em declarações ao Jornal dos Desportos no final do encontro entre as duas equipas, pontuável para a terceira jornada do grupo D da 17ª edição do Campeonato Mundial de basquetebol, em que Angola perdeu por 44-119, Geno Auriemma começou por dizer que o mais importante é ter capital humano com potencial para chegar a excelência, tal como ficou evidente nos três jogos disputados.

Geno Auriemma frisou que, face às limitações que o plantel às ordens de Aníbal Moreira apresenta, preferiu não utilizar algumas das suas atletas nucleares, na medida em que intende que as equipas estreantes vêm para a alta competição em busca de experiência.
“Em termos gerais a equipa angolana está bem, pois as atletas sabem movimentar-se e ocupam as posições certas, mas ainda têm algumas debilidades na capacidade de interpretar o sistema táctico do adversário e cometem erros defensivos. Isto é normal para uma equipa que está em busca da sua afirmação, porque muitos países passaram por isso e usaram tal experiência para ver aquilo que se faz na alta competição e, em função disso trabalhar com grande afinco”, disse o técnico norte-americano.

Questionado sobre as atletas angolanas mais proeminentes, o técnico apontou Nachissela Maurício como o grande esteio do combinado nacional: “Fiquei satisfeito com a sua actuação, por se tratar de uma atleta que causa grandes problemas no terreno, de quem as demais atletas podem se inspirar, mas não tenho dúvidas que outros valores ainda podem vir a se revelar ao mais alto nível.”
H.J