Jornal dos Desportos

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Arranque demolidor

Melo Clemente - 12 de Novembro, 2018

Fotografia: Edies Novembro

Com os primeiros sinais a serem dados no início da década de oitenta, com a conquista de forma consecutiva de dois Campeonatos Africanos da Nações, vulgo Afrobasket, isto a nível dos juniores masculinos, Angola arrebatava o seu primeiro anel continental de seniores, em 1989, competição disputada no Pavilhão Principal da Cidadela Desportiva, em Luanda.
Até à conquista do primeiro Afrobasket, a Selecção Nacional, na altura dirigida pelo categorizado treinador Victorino Cunha, já exibia duas medalhas, sendo uma de prata e outra de bronze.
Com apenas oito anos de Independência Nacional, Angola rapidamente começou a  destacar-se no contexto das grandes nações, a nível da \"bola ao cesto\". A Selecção Nacional tinha sido finalista derrotada em duas ocasiões, 1983 e 1985.
O combinado nacional perdeu a final de 1983, prova disputada em Alexandria, Egipto, frente aos anfitriões, por 68-94. Angola voltou a sucumbir na final do Campeonato Africano das Nações de 1985, competição que decorreu em Abidjan, Costa do Marfim, diante da selecção caseira, com quem perdeu por 73-84.
Angola chamou a si a organização do Campeonato Africano das Nações de 1989 e com um grupo de jogadores talentosos, dirigido pelo Professor Victorino Cunha, os angolanos escreviam com letras de ouro, o início do seu percurso triunfal no continente africano. Depois de ter ficado em terceiro lugar, no Afrobasket de 1987, Angola afirmou-se dois anos mais tarde, como a nova força do basquetebol africano, ao conquistar o anel continental.
 Na final, os angolanos derrotaram, de forma convincente, os egípcios, por 89-62, partida disputada no Pavilhão Principal da Cidadela Desportiva. Entre os campeões, destacavam-se nomes como Paulo Macedo, José Carlos Guimarães, Jean Jacques da Conceição, Aníbal Moreira, Ângelo Victoriano, David Dias, Manuel Sousa \"Necas\" só para citar estes. A Selecção Nacional, sob batuta ainda do professor Victorino Cunha, conquistava as edições de 1991 e 1993, competições disputadas no Egipto e Nairobi, respectivamente.
Em 1995, Angola conquista o tetracampeonato, feito jamais alcançado por  outra selecção, a nível do continente berço da humanidade.
 INTERRUPÇÃO
DAS CONQUISTAS

Sob liderança do malogrado Wlademiro Romero, a Selecção Nacional partiu para o Campeonato Africano das Nações do Senegal, como uma das principais favoritas à conquista da coroa africana, muito por culpa do curriculum invejável que trazia desde 1989, altura em que arrebatou o primeiro título africano.
Face ao domínio que exercia no continente africano, Angola passou a ser o alvo abater pelas demais selecções, que estavam dispostas em colocar um basta, no domínio angolano. E num ambiente bastante adverso, os angolanos não foram para além do terceiro lugar, competição que foi vencida pela selecção caseira (Senegal).
Com o orgulho ferido, em face da parda do título africano, Angola chamava a si pela segunda vez a organização da fase final do Campeonato Africano das Nações, isto em 1999.
Sob comando do técnico luso-guineense, Mário Palma, Angola voltava a erguer mais um troféu, domínio que se estende até 2009. O cinco nacional estabelecia mais um recorde, ao tornar-se na primeira e única nação a conquistar o hexacampeonato (seis títulos consecutivos.
Três técnicos contribuíram para este feito, nomeadamente, Mário Palma, com quatro títulos, Alberto de Carvalho \"Ginguba\", angolano, e Luís Magalhães, luso-moçambicano, com um título cada.

DECLÍNIO
Apesar de ter conquistado o Afrobasket de 2009, prova disputada na Líbia, a Selecção Nacional, na altura capitaneada pelo actual secretário de Estado para o Desporto, Carlos Almeida, deixava sinais que o domínio que exercia no continente africano estava a chegar ao seu fim. O tombo veio a acontecer em 2011, em Antananarivo, capital do Madagáscar, perdendo a final a favor da Tunísia.
Nem mesmo a conquista do Afrobasket de 2013, sob batuta de Paulo Macedo, antigo base da Selecção Nacional e do 1º de Agosto, devolveu a confiança dos amantes da \"bola ao cesto\", que já não acreditavam no potencial de Angola, muito por culpa do \"desaparecimento\" de jogadores com qualidade elevada.
As derrotas de 2015 e 2017, colocaram o ponto final ao domínio avassalador de Angola, que dominou o continente berço da humanidade por quase  três décadas.

FEITOS
Presenças em mundiais
e jogos olímpicos

Angola passou a ser um \"habituée\" em fases finais dos Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, por força do domínio que exercia no continente africano, a partir de finais da década oitenta.
Depois de ter participado como convidada, no Campeonato do Mundo de 1986, prova realizada em Espanha, Angola voltou a marcar presença numa fase final de um Campeonato do Mundo, em 1990, na Argentina, por direito próprio, já que havia vencido o Afrobasket de 1989.
Em 1992, Angola marcava a estreia numa edição dos Jogos Olímpicos. Quis o destino que a Espanha, país que já tinha acolhido a delegação angolana, em 1986, voltasse a albergar uma das competições mais mediáticas do mundo, no caso, os Jogos Olímpicos.
Coube aos angolanos baptizarem a selecção norte-americana, que, pela primeira vez, participavam com jogadores que actuavam na NBA. Liderado pelo professor Victorino Cunha,  Angola protagonizou a maior surpresa da prova, ao ter vencido a selecção caseira, por uma margem de 20 pontos.
Fruto do domínio que exercia em África, os angolanos passaram a marcar presença, com regularidade, em fase finais dos Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos.
Em 2006, no Campeonato do Mundo do Japão, os angolanos alcançaram a sua melhor classificação de todos os tempos, ao quedar-se em nono lugar, num universo de 24 selecções.
Angola disputou ainda os mundiais de 2010, na Turquia, e 2014, em Espanha. 
M.C