Jornal dos Desportos

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Brasil e Argentina disputam passaporte para os "quartos"

Policarpo da Rosa - Madrid - 07 de Setembro, 2014

Brasil tem hoje uma tarefa dificil diante da Argentina que também pretende chegar aos quartos de final

Fotografia: DR

Quis o destino que as selecções do Brasil e da Argentina se voltem a encontrar em mais uma prova do calendário internacional do basquetebol.

Segunda e terceira classificadas nos seus grupos na primeira fase, as duas selecções têm contas pendentes, pelo que o reencontro desta noite está a ser aguardado com muita expectativa.

Brasil e Argentina defrontaram-se nos quartos de final dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 e voltaram a encontrar-se no Mundial de 2010 da Turquia, precisamente nos oitavos de final. O Brasil perdeu os dois jogos por cinco e quatro pontos e acabou por ver os seus objetivos irem por água abaixo.

As duas selecções mantêm uma grande rivalidade na América do Sul. Não apenas no basquetebol. Esta rivalidade estende-se às mais distintas modalidades. Depois dos fracassos em Londres e na Turquia, o Brasil pretende a desforra. Quer vingar-se das derrotas sofridas. E não apareceu melhor oportunidade para o fazer.

Na primeira fase, os brasileiros com todas as suas estrelas somaram nove pontos, de quatro vitórias e uma derrota, precisamente diante da Espanha, por 63-82. A Argentina por seu turno, desfalcada de Manu Ginóbili e Carlos Delfino consentiu duas derrotas diante da Croácia por85-90 e da Grécia  por 71-79. Venceu três jogos. Pela estatística o Brasil está melhor. Contudo, isto só não basta. Tem de confirmar a melhoria em campo caso queira desforrar-se para chegar aos “quartos”.

“Conhecemos bem o quanto vale a Argentina. Apesar de não contar com duas das suas principais pedras. É uma equipa respeitada a nível mundial.

Possui no seu seio jogadores experientes e habituados a estas andanças, atravessámos um momento muito bom. Estamos mais sólidos e com um único objectivo: chegar ao pódio. Vamos lutar por ele até à exaustão", disse ontem  o base Marcelinho Huertas, que joga em Espanha, no Barcelona, quando fazia a antevisão do jogo.

O mais caricato de tudo isso, é que o actual técnico do Brasil é o argentino Rubém Magno, que comandou a selecção da Argentina nos Jogos de Londres e no Mundial da Turquia. Foi ele o responsável pelas duas derrotas do Brasil. Hoje, é o seu treinador e vai defrontar a selecção do seu país.
 
Responsável da conquista pela Argentina da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e da medalha de prata no Campeonato Mundial de 2002 disputado em Indianapolis, nos Estados Unidos, Magno está ciente do seu papel e pede calma aos seus jogadores.

“Vamos manter os nossos objectivos etapa por etapa. Primeiro tratar de vencer o jogo dos “oitavos” e depois pensar na próxima empreitada. São planos que fizemos desde o primeiro dia de trabalho em São Paulo”, disse o técnico argentino ao serviço do Brasil.

SÉRVIA-GRÉCIA
O primeiro jogo dos “oitavos” em Madrid vai colocar frente a frente a Sérvia e a Grécia. São duas das melhores selecções da Europa. No último Europeu as duas selecções tiveram prestações distintas. A Sérvia foi afastada pela Espanha nos quartos de final por 60-90, a Grécia ficou nos “oitavos”. Contudo, a avaliar pelas performaces alcançadas até aqui, em que foi uma das três invictas da primeira fase a par da Espanha e dos Estados Unidos, podemos dizer que a Grécia está em melhor forma e pode hoje continuar a sua caminhada positiva. Mas a Sérvia é um adversário a respeitar.


EM BARCELONA

Turquia é favorita diante da Austrália


Em Barcelona estão igualmente agendados dois encontros. A abrir jogam Nova Zelândia e Lituânia e a fechar o dia defrontam-se  a Turquia e a Austrália. Dois bons jogos em perspectiva.

No primeiro confronto estão o quarto classificado do Grupo C a Nova Zelândia e o primeiro do Grupo D no caso a Lituânia. Por aquilo que produziram na primeira fase, podemos dizer que os lituanos partem como favoritos à conquista do passe para os “quartos”. Nos cinco jogos da primeira fase, consentiram apenas uma derrota. Foi diante da Austrália com quem perderam por 75-82.

A Nova Zelândia somou duas vitórias e consentiu três derrotas, o mesmo que a República Dominicana e a Ucrânia. Contudo, graças ao seu melhor cesto-average deixou pelo caminho os seus adversários mais directos.

As performances alcançadas pelas duas selecções na primeira fase podem não ter qualquer influência no jogo desta tarde. Porém, a Lituânia, actual vice-campeã europeia apresenta-se em melhores condiçoes para vencer a partida e consequentemente apurar-se para os “quartos”.

É uma selecção que goza de um estatuto especial a nível do basquetebol mundial. Fecham a noite  basquetebolística as selecções da Turquia vice-campeã mundial e da Austrália campeã em título da Copa FIBA Oceânia de 2013. A Turquia foi segunda do seu grupo na primera fase, atrás dos Estados Unidos, enquanto a Austrália se posicionou na terceira posição do Grupo D, averbou  duas derrotas, uma das quais diante de Angola, na derradeira jornada.

É dificil fazer um prognóstico, em função do valor quase equiparado das duas selecções. Mas a Turquia se melhorar os seus níveis de exibição, porque não esteve lá muito bem na primeira fase, pode chamar a si a vitória.
                       

O MEU MUNDIAL
Haka Haka!


Os rituais em cada jogo de futebol, basquetebol ou de uma outra modalidade são rotineiros. Normalmente, os jogadores antes de entrarem para o rectângulo de jogo fazem sempre um gesto. Uns benzem-se,  outros ajoelham-se em função da religião que professam, outros entram em campo com o pé direito e outros entram junto à linha de fundo. Enfim, uma série de rituais que em minha opinião é de respeitar.

Cada um é livre de se expressar. Contudo, os rituais não são sinónimos de vitória nem de derrota. Apesar dos rituais, os jogadores têm de dar o máximo para poderem alcançar os objectivos traçados antes de entrarem para o campo.

Isto vem à propósito do que observei no jogo entre as selecções da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, que estes venceram por 98-71, na terceira jornada da primeira fase, disputado na cidade de Bilbao.

Antes de todos os jogos que realizam, os atletas que representam a Nova Zelândia têm como tradição dançar o haka haka, um ritual Maori que demonstra paixão, vigor e raça. Antes da partida diante dos Estados Unidos, os neozelandeses repetiram o acto e assustaram alguns atletas norte-americanos e adeptos que estavam no pavilhão.

Conforme dados que recolhi na internet, geralmente o haka é feito em estádios mais abertos e por isso, não impressiona tanto. Mas no ginásio da cidade de Bilbao onde decorreu a partida, os gritos sobressairam e deixaram impressionados os adversários. James Harden e Derrick Rose, dois craques do “Cinco” Nacional dos Estados Unidos, ficaram assustados. Não estavam a contar com estes rituais e foram vistos com expressões assustadas durante o ritual.

Como disse, os rituais não têm qualquer serventia se dentro das quatro linhas os seus seguidores não forem eficicientes. E foi o que se verificou, os Estados Unidos acabaram por vencer a Nova Zelândia por 98-71. Uma diferença de 27 pontos que traduzem alguma superiodade.

Você pode dançar, rezar ou fazer um ritual qualquer que não o leva a lado nenhum, se você não for competente. É como os que vão ao “quimbanda” à procura de sucesso. Só vão gastar dinheiro.

Quer progredir na vida para atingir este ou aquele objectivo? Aconselho-o a trabalhar, a dar no duro. Só assim vai chegar lá. Sempre com a bênção do Senhor. Não interessa a religião que professa. O importante é acreditar em si mesmo e ter Deus como protector.