Jornal dos Desportos

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Modalidades

Capitão perde no adeus definitivo

Melo Clemente - 18 de Abril, 2014

As duas agremiações voltam a jogar amanhã no Arena do Kilamba

Fotografia: M. Machangomgo

Numa partida que ficou marcada pelo adeus em definitivo do "velho" capitão Carlos Almeida, considerado como um dos ícones do basquetebol angolano, a formação do Atlético Petróleos de Luanda foi mais forte e derrotou ontem, no Arena do Kilamba, o arqui-rival, 1º de Agosto, por 89-96, em partida referente a primeira mão da 30 edição da Taça de Angola de basquetebol em seniores masculino.

Com este triunfo, os petrolíferos da capital estão em vantagem na Taça de Angola, que no próximo sábado faz disputar no mesmo recinto a partida da segunda mão.

Sem praticarem uma grande partida de basquetebol, as formações do 1º de Agosto e do Atlético Petróleos de Luanda entraram determinados para o Arena do Kilamba, fundamentalmente, nos dois primeiros quartos, onde o equlíbrio foi a tónica do desafio.

Aliás, pelo estatuto que ostentam quer no país, quer além fronteiras (duas das melhores equipas) não se poderia esperar outra coisa senão o grande equilíbrio entre os dois contendores.

O Clube Central das Forças Armadas Angolanas terminou o quarto inicial com uma vantagem de dois pontos (20-18), fruto da sua agressividade que demonstrou no capítulo defensivo, ao contrário do seu opositor.

Com Roberto Fortes e Domingos Bonifácio certeiros nos lançamentos a longa distância, os petrolíferos da capital conseguiram um parcial de 23-19, o que perfez 39-41 ao cabo dos primeiros 24 minutos, a favor da equipa do eixo-viário.

Incompreensivelmente o placard electrónico do Arena do Kilamba, infra-estrutura construída no âmbito da realização em Angola da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, em 2013, não funcionou, dificultando as acções dos próprios jogadores e do público que testemunhou mais um clássico da "bola ao cesto".

O jogo interior da formação militar ficou fragilizado por alguns minutos quando Felizardo Ambrósio "Miller" que se ressentiu de uma lesão num dos joelhos foi obrigado a "abandonar" a quadra.

O equilíbrio voltou a prevalecer no terceiro quarto, apesar do Clube Central das Forças Armadas Angolanas ter se superiorizado. Os petrolíferos da capital venciam por uma margem de mínima de um ponto (66-67).

No quarto derradeira, foi a equipa do eixo-viário que conseguiu neutralizar as acções ofensivas da equipa rubro e negra, tendo estabelecido uma vantagem de 13 pontos, quando restavam quatro minutos para o fim da partida.

Com o capitão Carlos Almeida em campo, a equipa militar conseguiu reduzir para quatro pontos de diferença (85-89), a um minuto e 45 segundos para o termo do desafio. Nesta etapa, a equipa petrolífera conseguiu manter os níveis de produtividade fixando o resultado final em 89-96. O norte-americano Roderick Nealy, ao serviço do Petro, com 31 pontos, foi o cestinha da partida.


Palmarés

1985 - 1º de Agosto
1986 - 1º de Agosto
1987 - 1º de Agosto
1988 - 1º de Agosto
1989 - Dínamo
1990 - Petro de Luanda
1991 - Petro de Luanda
1992 - 1º de Agosto
1993 - ASA
1994 - Petro de Luanda
1995 - 1º de Agosto
1996 - Petro de Luanda
1997 - Petro de Luanda
1998 - Petro de Luanda
1999 - ASA
2000 - Petro de Luanda
2001 - Petro de Luanda
2002 - 1º de Agosto
2003 - 1º de Agosto
2004 - Petro de Luanda
2005 - 1º de Agosto
2006 - 1º de Agosto
2007 - Petro de Luanda
2008 - 1º de Agosto
2009 - 1º de Agosto
2010 - Recreativo do Libolo
2011 - Recreativo do Libolo
2012 - 1º de Agosto
2013-  Petro de Luanda
2014- ??????????????

Opinião
Um tributo ao capitão Carlos Almeida


A folha de serviço desportivo de Carlos Almeida é incontornável e irrepreensivelmente cheia de glórias e conquistas.

A estes valores, insuficientes para justificar a grandeza do camisola 13 dos últimos anos do clube do Rio Seco, juntam-se outros tantos, referenciados por vários agentes desportivos que fizeram ouvir a sua voz no momento do encerramento de um capítulo da vida do último capitão do« cinco nacional».

Não fosse a bendita obra de São Pedro, a confirmar Abril das chuvas mil, decidir manchar o tapete estendido para a última passarel a Carlos Almeida, a noite do dia 15 podia ser de todo memorável.

Aliás, mesmo assim o foi e de minha parte cometia um erro imperdoável no meu percurso enquanto jornalista desportivo, caso não escrevesse algo entendido como tributo a Carlos Almeida.

Confesso ter perdido a noção do tempo real em que comecei a olhar para o referido jogador como um dos melhores da modalidade da bola ao cesto, que desabrochou num período em que as referências máximas do basquetebol ainda eram para Benjamim Romano, Víctor de Carvalho, José Neto (Escorrega), Aníbal Moreira, Herlander Coimbra, Ângelo Victoriano, Honorato Troso, David Dias no grupo de entre os jogadores, também no grupo de treinadores o Wladimiro Romero, Nuno Teixeira, Victorino Cunha, dos mais conhecidos e respeitados.

A par de David Dias, elegi Carlos Almeida como o basquetebolista angolano que jogava com elevada responsabilidade, imbuído de um espírito de sempre fazer bem o que devia.

Quiz o destino que os últimos anos da sua carreira desportista fossem passados no 1º de Agosto, que como não me canso de dizer, é o clube da minha escolha.

Ainda assim, não evitou que visse em Carlos Almeida, ainda jogador dos tricolores, qualidades acima da média, que vieram a confirmar-se ao longo dos anos que jogou de rubro e negro, com toda a alegria que proporcionou às pessoas que se reviam no Clube Central da Forças Armadas Angolanas, até parecia ser a «terra natal».

A sua transferência do Eixo viário para o rio Seco marcou uma fase nova no historial do basquetebol angolano, com as impressões digitais do General Raúl Hendrick, na altura vice-presidente do 1º de Agosto, responsável pela área de basquetebol, a quem é atribuída a saga da reviravolta na detenção da hegemonia que prendia para o Atlético Petróleos de Luanda de Wladimiro Romero.

Há quem diga ter iniciado aí o processo de «inflacção» dos passes dos jogadores da bola ao cesto.

Por sim ou por não, não sendo necessário fazer comparações do valor pago pelo passe do jogador em referência, sou de opinião que a aposta foi muito bem ganha pelos militares que passaram a ter, mais que um jogador, um homem de carácter forte, elevada capacidade intelectual reflectida na forma como abordava os jogos e até mesmo no bom trato do verbo, (que não é tarefa fácil para muitos desportistas angolanos), o que faz dele um bom interlocutor para o que necessário for.

Nesta linha de pensamento, a Selecção Nacional, (isso fala-se à boca cheia), teve em Carlos Almeida, um dos melhores líderes de balneário, quando lhe foi atribuída a braçadeira de capitão, mandato exercido num momento difícil, marcado pela renovação da equipa e pela necessidade de regaste do título de campeão africano que estava em posse da Tunísia.

Não tenho dúvidas em afirmar que o basquetebol angolano fica mais pobre com a retirada de Carlos Almeida, pelo menos das quadras, da mesma forma que afirmo encontrar um potencial futuro elemento com quem contar como dirigente a nível do órgão reitor da modalidade e porque não, como futuro técnico das Selecção Nacional.
CARLOS CALONGO


Palmarés




NBA
Milwaukee Buks
tem novo patrão


Dois homens de negócios americanos compraram na última quarta-feira os Milwaukee Bucks, a equipa com o pior registo nesta época da Liga norte-americana de basquetebol (NBA), por 398 milhões de euros.

Wesley Edens e Marc Lasry fizeram fortuna com um negócio de fundos de investimentos, comprometeram-se em não largar a franquia estabelecida em Milwaukee (Wisconsin), desde 1968, revelou o actual proprietário, Herb Kohl.

«A minha prioridade foi sempre permitir aos Bucks ficar em Milwaukee. Esta operação permite que o Wes e o Marc tenham a mesma visão que eu», explicou.

A equipa só por uma vez conquistou um título da NBA, no distante ano de 1971. Esta época, os Bucks somaram apenas 15 vitórias contra 66 derrotas, quando falta disputar um encontro, é a pior equipa da NBA.