Jornal dos Desportos

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Carlos Almeida comanda Angola

*Por Valentim de Carvalho| - 18 de Agosto, 2013

Carlos Almeida vai capitanear o

Fotografia: Kindala Manuel

Três das maiores referências da actualidade no basquetebol nacional, os atletas integram o grupo numa fase delicada, cujo objectivo é recolocar Angola no topo do pódio e a apetência pelo ceptro afigura-se maior por parte das principais candidatas Costa de Marfim (anfitriã), Tunísia (detentora do troféu) e Nigéria, que depois de muitos anos de “promessa” investiu nos seus “norte-americanos” presentes nos Jogos Olímpicos de Londres’2012, onde demonstrou grande qualidade, para experimentar o primeiro troféu.

Estreante em Afrobasket, o extremo-poste do 1º de Agosto Reggie Moore (32 anos, 1,98 cm de altura e 105 kg), de origem norte-americana, reuniu consenso a nível interno no que toca às suas qualidades basquetebolísticas, o que levou as autoridades angolanas a concederem-lhe a nacionalidade, no intuito de ajudar a equipa a alcançar o desafio a que se propôs a Federação de basquetebol.

Com o mesmo propósito ressurgiram os experientes extremos, já habituados aos “olhos” dos adeptos da selecção nacional, Carlos Almeida, do 1º de Agosto (36 anos, 1,92 cm e 86 kg), e Olímpio Cipriano, do Recreativo do Libolo (30 anos, 1,94 cm e 90 kg), depois de falharem a última edição em Antananarivo (Madagáscar) alegadamente por opção técnica, o primeiro, e lesão, o segundo.

Carlos Almeida acumula seis títulos africanos, sendo o mais “prendado” da equipa juntamente a Kikas Gomes (sub-capitão), enquanto Cipriano soma três e têm a particularidade de ganhar sempre que participam de um Afrobasket.

Na edição passada em 2011, no Madagáscar, foram preteridos pelo então recém contratado seleccionador, o francês Michel Gomez. A selecção nacional viveu momento atípico na sua história e, em consequência, viu ser “roubada” da sua galeria a taça que detinha a seis edições consecutivas (12 anos).

A integração dos três na equipa para a “operação Abidjan” é vista com muita expectativa, esperando-se que sejam capazes de aliar, o melhor possível, as qualidades técnico-táctica à experiência e influência que possam exercer no colectivo, não cabendo, no entanto, somente a estes a dura missão de levar a selecção ao resgate do Ouro.

Transmitir maior confiança e consolidar liderança, sobretudo nos momentos cruciais de jogo são algumas das suas responsabilidades acrescidas, visto serem reintegrados (Almeida e Cipriano) e integrado (Moore) na verdadeira condição de “reforço-esperanças” na prossecução de um objectivo de amplitude nacional.

Na qualidade de capitão e mais velho (36 anos), Carlos Almeida deve sobressair no árduo trabalho de incutir no balneário espírito vencedor e ambiente sã, aspectos pouco notáveis no campeonato transacto, em Antananarivo, onde por força das circunstâncias o seleccionador Michel Gomez foi demitido do cargo ainda no decorrer da prova.

Em 2011 os extremos do Libolo e 1º de Agosto haviam realizado bom campeonato nacional, mas contra as expectativas Almeida ficou de fora dos convocados, enquanto Cipriano foi chamado, trabalhou e pouco tempo depois foi afastado do grupo as ordens do francês, que prematuramente atestou desconhecer a realidade do basquetebol angolano, em particular, e africano no geral, pois impunha-se a necessidade de manter o título e as suas opções pareciam inverter a tendência.
* Angop


PAULO MACEDO
Convocatória vale pela experiência


O antigo presidente da Associação de Basquetebol da Huíla, Luís Garrido, afirmou, no Lubango, província da Huíla,  ser equilibrada e experiente a selecção nacional pelo que acredita na conquista do Afrobasket’2013”, que se realiza de 20 a 31 deste mês, em Abidjan, Costa de Marfim.

A propósito dos 12 atletas seleccionados pelo técnico Paulo Macedo, Luís Garrido disse acreditar no resgate do título com jogadores como o extremo Carlos Almeida, o base-extremo Olímpio Cipriano, os Postes Reggie Moore, Eduardo Mingas e Kikas Gomes.

Luís Garrido lembrou que, em 2011, Angola perdeu o título para a Tunísia por inexperiência, pelo que a aposta do técnico na veterania aliada à nova geração é certa.

Relativamente ao jogo inaugural com Cabo Verde, o secretário provincial do Movimento Nacional Espontâneo na Huila referiu ser uma partida “bastante” difícil para Angola, uma vez que os cabo-verdianos conhecem bem a forma de jogar dos deca-campeões africanos.

Garrido considerou importante que Angola inicie o campeonato com vitória para moralizar a selecção nacional e diminuir os níveis de ansiedade, chamando a atenção para a importância do trabalho psicológico.

Para o Afrobasket2013, o treinador Paulo Macedo seleccionou os bases Armando Costa, Milton Barros, Hermenegildo Santos, os extremos Carlos Almeida, Olímpio Cipriano, Carlos Morais, Leonel Paulo, os extremo-postes Felizardo Ambrósio, Reggie Moore e os postes Eduardo Mingas, Kikas Gomes e Valdelício Joaquim.

Integrada no grupo C, Angola inicia a prova no dia 20 com Cabo Verde, seguindo-se Moçambique (dia 22) e República Centro Africana (24).


NBA
Jovem português
“vestido” de Jordan


Quis o destino que o jovem português Sérgio Silva recebesse no Basketball Without Borders o número mais icónico da história da modalidade. O 23 que Michael Jordan imortalizou nos Chicago Bulls está agora no corpo do jovem do Benfica, um dos quatro portugueses convidados para estar no campo organizado pela NBA.

A responsabilidade é muita e o português sabe disso: “O número pesa um bocadinho. O Michael Jordan é uma referência para todos”. Tal como aquele que é para muitos o melhor jogador da história do basquetebol, Sérgio Silva actua nas posições exteriores, desempenhando principalmente as funções de 2.

A experiência no Basketball Without Borders tem sido enriquecedora para o atleta de 17 anos, que vai bebendo os conhecimentos dos técnicos vindos da melhor liga do Mundo. Contudo, é mesmo a abordagem divertida de Nate Robinson aquela que mais lhe agrada.

“Todos os treinadores são muito bons, mas gostei muito de trabalhar com o Nate Robinson. Adoro a dinâmica que coloca em cada um dos exercícios. Isso motiva-nos bastante”, revela.

Sérgio Silva é um dos melhores jogadores da sua geração em Portugal e esteve em Julho no Europeu de Sub-18 – Divisão B –, onde a selecção portuguesa foi 11.ª classificada. Ainda assim, o base de 1,91m acredita que ser destaque em Portugal não tem de ser o único objectivo dos basquetebolistas locais.

“Sabemos que somos bons em Portugal e que, por isso, fomos escolhidos para estarmos aqui. Mas é importante perceber que não somos os únicos. Ainda bem que temos uma competição dura, de jogadores com outra experiência, para conseguirmos evoluir”, rematou o base.