Jornal dos Desportos

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Carlos Júlio apita no Rio'2016

João Constantino, Cuito - 03 de Março, 2016

Carlos Júlio (primeira à esquerda) ladeado de Soares de Campos um dos maiores ícones da arbitragem angolana e mundial

Fotografia: José Soares

O árbitro internacional Carlos Júlio foi nomeado pela Comissão de Árbitros da Federação Internacional de Basquetebol Associado (FIBA), para ajuizar no torneio da modalidade, em ambas as classes, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, competição a decorrer de 5 a 21 de Agosto do ano em curso.

O angolano é o único representante africano do sexo masculino, entre o trio de árbitros africanos indicados pela Fiba-Mundo, onde constam ainda os nomes das juízas Nadege Análise Zouzou, da Costa do Marfim, e  Chahinaz Bousta, de Marrocos.

Já na fase descendente da brilhante carreira, iniciada em 1996, Carlos Júlio que é um dos mais categorizados árbitros angolanos, a par de Fernando Pacheco "Baganha", vai apitar pela primeira vez uma edição dos Jogos Olímpicos.

Em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos na cidade do Cuito, o juiz internacional  Carlos Júlio não escondeu a satisfação por ver o seu nome entre a elite da arbitragem mundial, afirmou que a sua nomeação para o magno evento é fruto do trabalho que realiza a nível do apito.

"Esta nomeação é tão somente o culminar de uma carreira cheia de êxitos, e é seguramente fruto do trabalho que temos vindo a desempenhar ao logo destes anos, em que a arbitragem angolana tem marcado sempre presença em competições de dimensão mundial. Como deve compreender, os Jogos Olímpicos a par dos Campeonatos do Mundo constituiu a maior montra desportiva, logo, recebi a notícia com grande satisfação", revelou Carlos Júlio.

O árbitro de categoria internacional reconheceu por outro lado, que a sua nomeação peca por tardia, em face do trabalho que realiza nos últimos anos.
"Sem querer perder a humildade, creio que esta nomeação peca por tardia. Penso que a indicação já deveria acontecer há mais tempo, por tudo aquilo que tenho vindo a realizar a nível da arbitragem", afirmou.

O  categorizado árbitro internacional já apitou sete Campeonatos do Mundo, sendo três em seniores, para além  e um pré-olímpico, afirmou que vai dar o melhor para dignificar a arbitragem angolana, em particular, e de África, no geral.

"Vamos trabalhar como é óbvio para darmos o nosso melhor e criar condições para que outros árbitros angolanos tenham  oportunidade. Vou fazer o melhor como sempre, aliás, já tenho sido nos últimos dez anos um digno representante do continente africano e do basquetebol angolano nas competições mundiais. E nessa perspectiva procuro fazer sempre o melhor para que oportunidades se abram aos outros colegas, quer de África, quer de Angola".
Carlos Júlio lamentou ainda o número reduzido de árbitros africanos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

"Temos sido posto de parte mesmo havendo nível suficiente de árbitros africanos para ajuizarem nas provas internacionais", disse.


FEITO
"Sou o melhor nos últimos dez anos"


O angolano Carlos Júlio reconheceu que nos últimos dez anos tem sido o melhor árbitro de Angola e mesmo de África, pois tem estado presente nas competições mais importantes de África e do Mundo.

"Querendo ou não, sei que muitos vão contestar, mais tenho sido o melhor árbitro da actualidade em Angola, nos últimos dez anos", disse.

Carlos Júlio, depois de Soares de Campos é o grande ícone da arbitragem angolana e africana e está presente em várias competições internacionais, tem na sua conta pessoal três Campeonatos do Mundo e um torneio pré -olímpico, para além vários campeonatos africanos.

O internacional angolano reprovou o facto da Fiba-Mundo não acompanhar  devidamente os árbitros nas competições que  participam. "Creio que o organismo mundial tem de fazer o acompanhamento. Como disse anteriormente, apitei um pré-olímpico e depois passaram-se dois Jogos Olímpicos. Felizmente chegou a minha vez, mesmo no culminar da minha carreira".

O Juiz internacional há 19 anos advogou a necessidade dos árbitros africanos trabalharem muito mais, ainda que tenham qualidade. Considerou necessário que os árbitros se superam diariamente para estarem próximos um dos outros, sobretudo os árbitros de categoria internacional.

"Nós temos uma competição de qualidade e a nossa competição pode melhorar a qualidade dos árbitros. O melhoramento e o engrandecimento do basquetebol nacional depende, em grande medida, da qualidade dos árbitros", defendeu.

Sobre a arbitragem a angolana, Carlos Júlio reconheceu que não está boa e argumentou que apesar da formação de novos árbitros de quatro em quatro anos, é difícil encontrar qualidade nestes árbitros e nos poucos que apresentam qualidades acabam por se envaidecerem. "Formamos para termos em quatro anos um árbitro promessa e isso não é bom. Nos últimos dois anos perdemos dois árbitros internacionais, por terem terminado as suas carreiras.

Não estamos a encontrar quem possa cobrir estes lugares imediatamente. A substituição passa por preparar outros jovens para podermos colher o melhor. Mais o grande erro é que estes jovens  envaidecem-se  e já não querem apreender com quem tem experiência e acabam por se perderem", disse.

 2017
Juiz anuncia
fim de carreira


Carlos José Júlio pretende abandonar a arbitragem em 2017, depois do Campeonato Africano sénior masculino, vulgo Afrobasket.

"A Fiba-Mundo permite apitar até aos 50 anos, mais eu prefiro terminar a cadeira como árbitro em 2017. Já apitei o que tinha para apitar, agora tenho a responsabilidade de passar o testemunho aos mais jovens e ver o que eles vão poder fazer", disse.

Quanto à vida profissional, Carlos Júlio é um dos gestores do Banco do Comércio e Indústria, disse que algumas vezes foi sacrificado em detrimento da arbitragem, mas não se arrepende  das decisões tomadas.

Carlos Júlio lamentou ainda a postura de alguns comentaristas, que em seu entender têm manchado a classe.

"Hoje, por causa destes comentaristas somos ofendidos moralmente dentro das quadras de jogo, por grupos ou claques organizadas, que ao invés de apoiar as suas equipas ficam a ofender os árbitros  e ofendem até atletas de selecção. Os Pavilhões  tornaram-se agora  locais onde as pessoas ofendem as outras da sua maneira, tudo por culpa de comentaristas que vêem na rádio uma forma de desabafar o seu insucesso, já que não foram capazes de chegar onde outros chegaram", desabafou.


NBA
Heat vence Chicago


Mais uma vez, o Chicago Bulls não foi capaz de reverter a situação ruim em que se encontra na principal liga de basquetebol americana. Nesta terça-feira, o carrasco da franquia de Illinois foi o Miami Heat, que venceu por elásticos 129 -111 no American Airlines Arena, na Flórida.

O poste Hassan Whiteside foi o cestinha e destaque da partida, após assinalar um belo duplo -duplo com 26 pontos e 14 ressaltos. No Chicago Bulls, o destaque foi o base e astro Derrick Rose que marcou 17 pontos e fez três assistências.

Com a vitória, o Miami atingiu a 34 vitória na temporada e a quarta posição na Conferência Leste, com dois triunfos a menos que o terceiro colocado Boston Celtics. Na mesma conferência, o Chicago Bulls está na sétima posição, com 30 vitórias.

O Heat recebe hoje quinta-feira às 21h30, o Phoenix Suns, penúltimo colocado na Conferência Oeste, com apenas 15 vitórias conquistadas nesta temporada.
Resultado da noite desta terça-feira, válidos pela NBA: Charlotte Hornets 126 x 92 Phoenix Suns, Miami Heat 129 x 111 Chicago Bulls e New York Knicks 85 x 104 Portland Trail Blazers.