Jornal dos Desportos

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Modalidades

Cludio Anderson quer apitar em grandes palcos

Melo Clemente - 01 de Junho, 2019

Jovem da provncia do Huambo recebeu a distino de melhor juiz em 2016

Aos 32 anos de idade, Cláudio Anderson é o único árbitro de basquetebol do interior do país, mas concretamente da província do Huambo, que ostenta a insígnia da Fiba-Mundo.
A capital do país, Luanda, nesta altura, um dos maiores pólos de desenvolvimento da modalidade, a par da província de Benguela, dominou por mais de três décadas, lançando para o mundo os juízes de categoria internacional, com particular realce para o malogrado António Soares de Campos, Carlos Júlio, Domingos Simão, Fernando Pacheco "Baganha",  Horácio Macedo, todos hoje fora do activo.
Uma nova geração de juízes de categoria internacional, surgiu na capital do país, Luanda, onde pontificam nomes de António Bernardo, David Manuel, Osvaldo Neto, Clésio Francisco, Francisco Tando, António Samuel e M´bunga Pedro.
Depois de ter brilhado como atleta no Petro do Huambo, isto nos escalões de formação, Cláudio Anderson viu a sua carreira a ser "amputada", quando atingiu o escalão de seniores, já que o clube não possuía o escalão em referência.
Dado o gosto que tinha pelo apito e com a ajuda do seu malogrado treinador, Hélio Fernandes, Cláudio Anderson começou a apitar os jogos da sua equipa, tendo, posteriormente, frequentado um curso de arbitragem, isto em 2007.
O ano de 2016 foi de glória para o jovem árbitro, altura em que foi lançado para a alta roda do apito doméstico, tendo sido considerado o melhor juiz do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculinos.
A greve que se verificou no seio da arbitragem, na ponta final do Campeonato Nacional de 2015/20016, forçou o elenco do então presidente da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), Paulo Alexandre Madeira Rodrigues da Silva, a solicitar os préstimos do juízes até então menos cotados, para finalizar a competição, facto muito bem aproveitado por Cláudio Anderson, que vincou as suas qualidades nas mais diferentes quadras da capital do país, tendo chamado atenção aos homens do apito e não só.
Aliás, Cláudio Anderson foi considerado o melhor homem do apito, do então Campeonato Nacional da "bola ao cesto".
"Foi em 2016, que verdadeiramente comecei a me afirmar na arbitragem nacional. Lembro-me que havia uma crise no seio da arbitragem, que culminou com uma greve. A direcção da federação recrutou alguns árbitros inexperientes, para terminar a competição. Graças a Deus, as coisas correram bem para mim e acabei sendo eleito o melhor árbitro do campeonato nacional de 2016", revelou.
O jovem árbitro reconheceu, por outro lado, que a distinção de melhor juiz de 2016 foi uma surpresa.
"Na verdade eu não esperava esta distinção. Mas para mim, aquele prémio não teve o significado de melhor árbitro. Portanto, para mim não significou isso. Aquele prémio teve outro significado, de que estamos atento, estas no bom caminho, continue a fazer um trabalho e que chagarás lá".   
Um ano depois, ou seja, em 2017, Cláudio Anderson "recebia" a insígnia da Fiba-Mundo, um feito que considera de extrema importância, já que passou a ser o primeiro e o único árbitro do interior do país a atingir tal façanha.
"Eu recebi a insígnia da Fiba-Mundo em 20017. A federação propôs os seus candidatos, fizemos os testes e, felizmente, acabei por ascender a árbitro de categoria internacional e, deste então, tenho procurado, melhorar cada vez mais, o meu desempenho. Portanto, este ano renovei a minha carteira internacional, depois de efectuar mais alguns testes, e vou caminhando para atingir grandes palcos".  
Cláudio Anderson fez saber, que gostaria de ver mais árbitros do interior do país a ostentarem a insígnia da Fiba-Mundo.
"Honestamente, eu gostaria de ver mais árbitros de categoria internacional do interior do país, ou seja, distribuídos pelos quatro cantos de Angola. Sinto-me feliz por atingir este nível. Creio que perante esta responsabilidade terei de trabalhar cada vez melhor, para não defraudar as expectativas que as pessoas depositaram em mim".
Cláudio Anderson já começou a desfilar a sua qualidade, no continente berço da humanidade. O Jovem juiz os Jogos da CPLP, prova que decorreu em São Tomé e Príncipe. Em 2018, foi nomeado para apitar o zonal de apuramento em Sub-16, competição disputada em Gaberone, capital do Botswana.
Apitar Campeonatos Africanos de seniores, Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, constitui uma meta a atingir num futuro breve.
"O sonho é ser um bom árbitro, com reconhecimento a nível internacional. E se isso tiver que me levar aos palcos dos campeonatos do mundo, jogos olímpicos e campeonatos africanos, certamente que será muito bom para mim", augurou.