Jornal dos Desportos

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Começo avassalador

Melo Clemente - 11 de Novembro, 2015

Com oito anos de independência na independência nacional os angolanos surgiram no plano competitivo africano em grande plano

Fotografia: Jornal dos Desportos

Depois de dar sinais, no início da década de oitenta, com a conquista do Campeonato Africano das Nações, na categoria de juniores, Angola conquistava o primeiro título africano a nível dos seniores masculino, no declinar da referida década, ou seja, em 1989. Até à conquista do primeiro anel continental, feito conseguido no Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, prova disputada em Luanda, a Selecção Nacional já exibia duas medalhas de prata e uma de bronze.

Com apenas oito anos de Independência Nacional, Angola rapidamente começou a  destacar-se no contexto das grandes nações, a nível da "bola ao cesto", foi finalista derrota em duas ocasiões, 1983 e 1985. O combinado nacional perdeu a final de 1983, prova disputada em Alexandria, frente aos anfitriões, por 68-94. Angola voltou a sucumbir na final do Afrobasket de 1985, competição que decorreu em Abidjan, diante da selecção caseira, com quem perdeu por 73-84.

Angola chamou a si a organização do Campeonato Africano das Nações de 1989 e com um grupo de jogadores talentosos, dirigido pelo Professor Víctorino Cunha, os angolanos escreviam com letras de ouro, o início do seu percurso triunfal no continente africano. Depois de ter ficado em terceiro lugar, no Afrobasket de 1987, Angola afirmou-se dois anos mais tarde como a nova força do basquetebol africano, ao conquistar o anel continental.

 Na final, os angolanos derrotarem de forma convincente os egípcios, por 89-62, partida disputada no Pavilhão Principal da Cidadela Desportiva. Entre os campeões, destacavam-se nomes como Paulo Macedo, José Carlos Guimarães, Jean Jacques da Conceição, Aníbal Moreira, Ângelo Victoriano, David Dias, Manuel Sousa "Necas" só para citar estes. A Selecção Nacional sob batuta ainda do Professor Victorino Cunha, conquistava as edições de 1991 e 1993, competições disputadas no Egipto e Nairobi, respectivamente. Em 1995, a Selecção Nacional atingia o tetracampeonato, feito jamais alcançado por  outra selecção a nível do continente berço da humanidade.
 
INTERRUPÇÃO DAS VITÓRIAS
Sob liderança do malogrado Wlademiro Romero, a Selecção Nacional partiu para o Campeonato Africano das Nações do Senegal, como uma das principais favoritas à conquista da coroa africana, muito por culpa do curriculum invejável que trazia desde 1989, altura em que arrebatou o primeiro título africano. Face ao domínio que exercia no continente africano, Angola passou a ser o alvo a bater pelas demais selecções que estavam dispostas em colocar um basta, no domínio angolano. E num ambiente bastante adverso, os angolanos não foram para além do terceiro lugar, competição que foi vencida pela selecção caseira (Senegal).

FEITOS
Presenças em mundiais e jogos olímpicos


Angola passou a ser um "habituée" em fases finais dos Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos, por força do domínio que exercia no continente africano, a partir de finais da década oitenta. Depois de ter participado como convidada, no Campeonato do Mundo de 1986, prova realizada em Espanha, Angola voltou a marcar presença numa fase final de um Campeonato do Mundo, em 1990, na Argentina, por direito próprio, já que havia vencido o Afrobasket de 1989.

Em 1992, Angola marcava a estreia numa edição dos Jogos Olímpicos. Quis o destino que a Espanha, país que já tinha acolhido a delegação angolana, em 1986, voltasse a albergar uma das competições mais mediáticas do mundo, no caso, os Jogos Olímpicos. Coube aos angolanos baptizarem a selecção norte-americana, que pela primeira vez participavam com jogadores que actuavam na NBA. Liderado pelo professor Victorino Cunha,  Angola protagonizou a maior surpresa da prova ao ter vencido a selecção caseira, por uma margem de 20 pontos.

Fruto do domínio que exercia em África, os angolanos passaram a marcar presença com regularidade em fase finais dos Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos.
Em 2006, no Campeonato do Mundo do Japão, os angolanos alcançaram a sua melhor classificação de todos os tempos, ao quedar-se em nono lugar, num universo de 24 selecções.
M.C