Jornal dos Desportos

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Competição supera expectativa

POLICARPO DA ROSA- MADRID - 08 de Setembro, 2014

Movimentação de adeptos de vários países dá colorido diferente à bela capital espanhola palco da final do campeonato do mundo

Fotografia: Kindala Manuel

As cidades de Madrid e de Barcelona são desde o passado sábado as grandes referências do basquetebol mundial, em substituição de Granada, Sevilha, Bilbao e Las Palmas que receberam a primeira fase do principal campeonato da bola ao cesto. Os outros pavilhões com 13,7 mil adeptos em Madrid  e 17,7 mil em Barcelona têm tudo para se transformarem nas principais catedrais da competição.

A primeira fase superou todas as estimativas. Mais de 80 por cento dos bilhetes de ingresso nos pavilhões foram vendidos. Um salto gigantesco para a organização, comparado por exemplo a Indianapolis'2002, Japão'2006 e Turquia'2010, torneios com grandes cadeiras vazias. Para o comité organizador, a promoção levada a cabo antes da competição iniciar teve um papel preponderante para o que está a acontecer hoje fosse possível.  

Conforme as estatísticas, sete mil finlandeses desembarcaram em Bilbao, quatro mil filipinos em Sevilha,  somados aos cerca de nove mil eslovenos e aos 11 mil lituanos em Las Palmas, representam números que contribuem para o sucesso da competição. Tudo isso aliados à loucura dos adeptos da selecção da Espanha que lotam os pavilhões sempre que a sua selecção entra em acção.

E com a competição a entrar na fase mais delicada, estamos convictos de que o número de adeptos pode aumentar, principalmente se a final for a que os aficionados esperam e sonham, principalmente os espanhóis. A loucura que se observa em torno dos adeptos aumenta à medida que a prova entra na recta final. Depois de tudo que se observou na primeira fase, nas cidades de Granada, Sevilha, Bilbao e Las Palmas, sedes da primeira fase, a luta por um lugar nos pavilhões de Barcelona e de Madrid aumentou, tudo porque em cada jogo se decide o destino de uma selecção.

Partindo da teoria de que o verdadeiro Mundial só começa nos oitavos de final, a fase do “mata-mata”, do perdido fora, vamos dizer que o verdadeiro campeonato entra amanhã na sua fase mais delicada. Depois dos “oitavos” em que ficaram pelo caminho as primeiras oito selecções vindas da primeira fase, a luta para chegar ao pódio ganha contornos mais exigentes a partir de amanhã, dia em que  começam  os quartos de final.

Mas numa primeira análise e por aquilo que os números nos têm confirmado jogo após jogo, é quase facto que vamos ter a final que todos esperam. O jogo escaldante Espanha - Estados Unidos. Um jogo que já está a mexer com os adeptos e com o comité organizador da edição do Campeonato do Mundo de basquetebol.

Uma possível final entre as duas selecções mais mediáticas não só do campeonato mas também do basquetebol mundial, pelo nível que apresentam e pelos jogadores que integram os seus planteis, vai levar muita gente ao Palácio dos Desportos, em Madrid, sede da final. Os seus 13,7 mil assentos vão estar lotados o que pressupõe dizer que a segurança vai ter de ser reforçada e muito mais exigente.

As selecções de Espanha e dos Estados Unidos ainda não perderam. Nos seis jogos disputados até aqui venceram todos. Cinco na primeira fase e o referente aos oitavos de final, em que deixaram pelo caminho o Senegal (grande jogo do representante africano, apesar dos 33 pontos de diferença) e o México. Amanhã, os Estados Unidos da América lutam por um lugar nos quartos de final diante da Eslovénia, enquanto a Espanha fá-lo na quarta-feira com a França.

Os níveis apresentados pelas duas selecções não têm surpreendido os mais atentos. Quer queiram como não, as duas selecções integram nos seus plantéis os melhores jogadores da actualidade do basquetebol mundial. Jogadores que contribuem para que os níveis competitivos das duas equipas subam ainda mais.

A Espanha tem noção disso e tem de se precaver, porque se disputar a final com os EUA e pensar tirar partido das ausências, pode se dar mal. Pode decepcionar os seus adeptos que sonham com o título perdido na Turquia em 2010, precisamente para os Estados Unidos. A festa do basquetebol mundial continua em alta, com as cidades de Madrid e de Barcelona agora como as grandes referências e com as atenções focalizadas no que a Espanha e os Estados Unidos forem capazes de produzir até domingo, dia da grande final.

DOPING
FIBA realiza controlo aos atletas

A Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) e a sua homóloga espanhola (FEB) realizaram mais 170 controlos antidoping durante os primeiros seis dias que durou a primeira fase da competição, decorridos nas cidades de Granada, Sevilha, Bilbao e Las Palmas. Conforme a responsável da luta contra o doping da federação espanhola de basquetebol, Rosário Urena, neste Mundial está a pôr-se em prática um novo plano anti-dopagem com resultados satisfatórios.

“Começamos a colocar em prática uma nova estratégia e um maior incremento de controlos ainda este ano. Agora, são de sangue e de urina. É a primeira vez que se realiza num grande evento como este”, disse a responsável espanhola. De acordo ainda com Rosário Urena, a recolha está a ser feita de maneira sistemática, tanto através de sorteio como de indicação, seguindo a norma internacional.

“Previamente, numa reunião realizada em Madrid estabeleceu-se um consenso de procedimentos para actuar com o mesmo protocolo em todas as sedes, cabe à FIBA eleger os jogadores para os controlos, uma vez que a prova é da sua jurisdição”, esclareceu.A responsável da FEB mostrou-se satisfeita pela escassez de notícias negativas sobre o doping no basquetebol nos últimos torneios internacionais e evitou falar de alguns mitos levantados pela delegação dos Estados Unidos.

“Temos de evitar esses mitos. As equipas aqui presentes estão numa competição de tutela da FIBA, pelo que todas estão submetidas às mesmas normas. As selecções têm mostrado um clima de colaboração e de respeito. Temos procurado respeitar ao máximo os seus planos de preparação”, assinalou. Do ponto de vista de urina é um programa aberto e adaptado à realidade. “É algo que está há muito descoberto.

É transparente para todos. Por isso, tem de desaparecer alguns tabús ainda existentes. O basquetebol não tem nada a esconder”, disse. Aquela responsável destacou ainda a colaboração existente entre a federação local e a Agência Espanhola de Saúde no Desporto. Um organismo competente e que possui material de dopagem. A federação ajuda nos aspectos preventivos. “Nas Ilhas Canárias, sede do Grupo D, (o de Angola), tivemos uma observadora da FIBA/ Europa, que permitiu garantir que todos os procedimentos realizados foram rigorosos e de qualidade”, adiantou a responsável.

O MEU MUNDIAL
Recordação antiga


Como nota prévia, este meu regresso a Madrid depois de muito tempo não foi o que eu esperava. Os responsáveis pela acreditação dos jornalistas não aceitaram o nosso pedido, de renovar a nossa acreditação. Angola não foi apurada para os oitavos. Por isso, não temos direito a entrar no Centro de Imprensa, muito menos no pavilhão.

Quem manda, manda. Quem não manda cumpre. Foi o que fizemos. Eu e o resto de enviados das Edições Novembro EP. A alternativa foi  comprarmos bilhetes para acompanhar o resto da competição. Os nossos leitores querem acompanhar o Mundial e estamos aqui para o fazer.

O grande problema é o preço de cada bilhete. O mais barato custa 30 euros. Repito 30 euros. Qualquer coisa como 40 dólares (cerca de quatro mil kwanzas). Face à disparidade existente entre o euro e o dólar, as contas ficam complicadas porque o dinheiro já é pouco e há que saber geri-lo. Mas não nos resta alternativa. Temos um compromisso com os nossos leitores e o mais que temos de fazer é acompanhar um jogo por dia, de modo a que não nos corram do hotel e não fiquemos de barriga vazia. Isso era o fim da picada. O Administrador Minvu até nos podia ajudar. Mas…

Algo curioso aconteceu comigo em Madrid. Andei de autocarro. É isso mesmo. De autocarro. Coisa que não fazia já há muito tempo. Não fui o único. O Aleluia, o Melo, o Amoxiliano e o Zé Cola, fizeram o mesmo. Como há um autocarro que passa junto ao Pavilhão dos Desportos, sede dos jogos  em Madrid e na ânsia de poupar os trocados que já são poucos, optámos por deixar para trás o luxo de andar de táxi como sempre o fizemos na Gran Canária.

Em Madrid o movimento em torno deste mundial supera o que acompanhei em Las Palmas, talvez por ser a cidade capital e também porque alberga a selecção anfitriã. A Espanha jogou aqui a primeira fase, defrontou e venceu o Senegal nos oitavos de final e vai medir forças aqui com a França no reencontro entre as duas selecções nos quartos. Se vencer vai continuar aqui à espera do outro semi-finalista.

E como a final está agendada para Madrid, a Espanha nunca vai andar de mala às costas. Um privilégio que outras selecções não têm. Algo está a mexer com os meus botões. Uma notícia que um jornal de Las Palmas publicou e que está a ser muito comentada entre os angolanos. Que a Austrália perdeu de propósito com Angola para evitar os Estados Unidos nos quartos de final.Vejamos.

Se a Austrália tivesse vencido Angola ficava em segundo lugar. No cruzamento dos oitavos de final, o segundo do grupo D (Eslovénia) jogou com o terceiro do C (República Dominicana). O vencedor cruza com os Estados Unidos nos quartos-de-final. É isso que a Austrália procurou evitar e por via disso deixou-se perder com Angola?. Verdade ou mentira, prefiro não comentar.
POLICARPO DA ROSA- MADRID