Jornal dos Desportos

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Cruz de Madeira parte na federação

FRANCISCO CARVALHO - 22 de Fevereiro, 2017

Paulo Madeira deixa a federação com vários títulos de campeão africano

Fotografia: Kindala Manuel

Depois de muitos dias de agitação e especulações, as almas estão mais descansadas com o fim do processo eleitoral na Federação Angolana de Basquetebol. As alas bateram palmas, enquanto outras questionaram as razões do fracasso. Entre a alegria e a tristeza, a união de forças e de mentalidades paira no seio da colectividade. O basquetebol angolano assume responsabilidades em África e no mundo.

A mudança de direcção na FAB neste fim de semana é o início de um novo ciclo na gestão da instituição desportiva. Os modelos pretendidos pelo elenco anterior não vincou e os associados decidiram colocar ponto final. Em quatro anos, Paulo Madeira e companhia não primou pela união de sinergias e o desperdício de forças vingou-se na hora de votação.

Num curto exercício de liderança, podemos aferir que a direcção de Paulo Madeira falhou na estratégia de apresentação de candidatura. A postura musculada que evidenciou ao longo da campanha mexeu com valores da população votante. Ciente de irregularidades em diferentes associações como a de Malanje, avançou para um processo eleitoral sem o respaldo de outras instituições interessadas.

Por outro lado, o ex-presidente da FAB mostrou-se fragilizado para contrapor as promessas eleitoralistas feitas no conturbado processo de 2012.Durante a campanha para as eleições de renovação, Paulo Madeira passou uma mensagem de insegurança aos eleitoralistas. Na cidade de Lubango, por exemplo, disse que para ter sucesso depende de outras vertentes que têm responsabilidades no processo eleitoral.

\"Não basta a nossa vontade e aquilo que possamos fazer, enquanto federação, se efectivamente tivermos sucessos no processo de eleição...\", disse. 
Para quem se preza em gerir a FAB, transferir a competência aos eleitores espelha a inabilidade de trazer elementos novos para catapultar a modalidade.

Neste capítulo, Paulo Madeira mostrou a convicção de emitir sentimento de incerteza e sentenciou o afastamento. Para quem nunca ousou partilhar a gestão federativa com outros agentes, convidar outras forças para participar da mesma merece desconfiança. As revelações de Hélder Cruz foram penosas.

Por outro lado, Paulo Madeira perspectivou a melhoria da prestação de Angola nas competições mundiais definindo a estratégia no aproveitamento do \"enorme potencial\" de atletas com condições  morfológicas ideais e estabelecer parcerias no exterior que permitam o envio de jovens às academias de treinamento.

Durante o primeiro e o único mandato, Paulo Madeira nunca apresentou indicadores de estabelecer contactos com as instituições internacionais para acolher os jovens angolanos. A promessa eleitoralista não convenceu os 16 votantes de Hélder Cruz. Algumas vozes apregoam que o ex-presidente da FAB queria agarrar-se a um projecto que chegou a Angola às mãos de Hélder Cruz: a NBA Junior.

A demonstração de \"plágio\" fez com que os votantes indecisos reforçassem a escolha de Maneda. Entre o passado e o futuro, o presente serve para definir as perspectivas. Paulo Madeira entra na Galeria da FAB como mais um presidente com curto mandato. Os sonhos voltam à gaveta. A cruz de madeira parte mesmo na Federação.
FC