Jornal dos Desportos

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"Dificuldade à defesa de zona é mito"

11 de Outubro, 2016

Victorino Cunha é apelidado de

Fotografia: Jornal dos Desportos

A dificuldade em atacar a defesa de zona é um falso problema no basquetebol angolano. A realidade aponta que há inobservância de princípios do jogo, falta de exigência dos treinadores e o momento da tomada de decisão nas diversas fases do ataque. A constatação é de Victorino Cunha, o "pai" do basquetebol nacional.

No encerramento do ciclo de palestras inseridas no oitavo torneio de basquetebol em sua homenagem, Victorino Cunha dissertou sobre o tema "Dificuldades com a defesas de zona: verdade ou mito?". O formador de campeões defendeu que "é um mito" e uma "mentira" o ponto de vista de alguns técnicos, especialistas ou comentadores desportivos.

Victorino Cunha sustentou que o basquetebol angolano precisa de um trabalho colectivo eficiente, seguir princípios afins e, sobretudo, tomar a decisão certa durante o ataque. O treinador destacou que o contra-ataque é uma das primeiras formas de suplantar a “Zona”.

A referência do basquetebol angolano negou a existência de dificuldades em atacar a defesa de zona perante o olhar de 80 participantes constituídos por treinadores, candidatos a treinadores, estudantes universitários da especialidade e ex-praticantes.

Victorino Cunha apontou oito princípios que devem concorrer para o sucesso do ataque neste esquema defensivo. Para si, o fundamental é a execução da acção e o momento de fazer, o que denominou "o que fazer" e "quando fazer".

O "pai" do basquetebol angolano argumentou que tudo passa pela "tomada de decisão" e o treinador só é bem sucedido caso tenha "exigência máxima" no seu trabalho. Para isso, deve ter em conta o impacto da comunicação no grupo, ser exigente, observação das regras estabelecidas e avaliar o cumprimento das tarefas a executar.

Entre os princípios apontados por Victorino Cunha estão a posição assimétrica do base em relação a primeira linha defensiva, os extremos devem jogar abertos e devem ter um posicionamento desalinhado em relação aos defensores.

Há ainda a sobrecarga, que consiste em ter um maior número de atacantes que defesas numa área da quadra, os bloqueios directos ou indirectos, a penetração e saída da bola, o número e a posição dos jogadores no ressalto ofensivo.

Os três dias de palestras contou com agentes da modalidade, dos quais pontificavam referências recentes do basquetebol angolano como Miguel Lutonda, Anibal Moreira, Edmar Victoriano Baduna, Victor de Carvalho, Ivo Alfredo, entre outros, que buscam como treinadores o sucesso conseguido na quadra com as cores nacionais e dos respectivos clubes.

Ao lado dos famosos estavam anónimos que dirigem projectos de basquetebol ou em formação nas universidades. Adilson Pimentel, 35 anos, treinador adjunto da formação do Exército, participou pela primeira vez no evento e enalteceu o prelector. "Apesar da idade, Victorino Cunha continua com a evidente capacidade". Para si, o tempo foi "muito curto".

“Faltou mais prática. Gostaria que se fizesse pelo menos mais dois dias em que cada participante fosse mais interactivo nos exercícios”, disse.
A estudante finalista da Escola Superior do Desporto do Kilamba, Teresa Nhanga, estreou-se nesse tipo de evento. 

A também praticante de voleibol e natação considerou proveitoso o evento. Teresa esperava que a formação fosse mais longo e com mais dinâmica e interactividade. Das diversas lições retiradas dos distintos prelectores, Teresa Nhanga salienta o orgulho de pertença, que consiste em um individuo sentir-se envolvido no projecto do colectivo.

Para além de vitorino Cunha, o ciclo de palestras contou com participação do técnico do 1º de Agosto, Ricardo Casas, que abordou sobre “Ataque contra defesas HxH e ½ campo” e "Contra-ataque, princípios a respeitar e utilizar”; Lazaré Adingono, treinador do Petro de Luanda, que tratou da “Defesa pressão ½ campo”; Alberto Babo, técnico do Interclube, dissertou sobre “Princípios a respeitar contra as defesas de pressão todo campo” e Raúl Duarte, líder da Associação Nacional de Técnicos de basquetebol, que teve como tema “Princípios a respeitar na defesa HxH e ½ campo.”

ASSOCIATIVISMO
Os “tabus” da Lei do Desporto


Consideradas a “bíblia” do Desporto angolano, a par da das Associações Desportivas angolanas, as duas Leis que suportam o desenvolvimento das actividade desportiva em Angola publicadas em Maio de 2014 tem muito que lhe diga. Os processos de renovação de mandatos no associativismo desportivo para o quadriénio 2016-2020 vai no adro, que à semelhança da organização dos clubes, Associações Provinciais e Federações Nacionais têm todas as balizas definidas na Lei do Desporto (Lei nº5/2014) de 20 de Maio e a Lei das Associações  Desportivas (Lei nº 06/14) de 23 de Maio, e suscita muitas duvidas entre os gestores desportivos.

Mesmo que para isso o Ministério da Juventude e Desportos tenha estendido até o dia 31 de Dezembro como data limite para a realização dos pleitos eleitorais nas Federações nacionais, porque o grosso das Associações Provinciais (que as elegem por vários motivos que não são agora chamados) até agora não cumpriram com os prazos estabelecidos.

Como se não bastasse, os clubes ou as agremiações desportivas também estão em falta em relação aos seus processos. Salvo algumas excepções e, verdade seja dita, nesta altura do “Campeonato das Eleições”, poucas são as Associações Desportivas que estão em condições de cumprir com os prazos estabelecidos pelas duas leis para os seus processos de renovação de mandatos.

Ao que tudo indica, o problema já tem solução e começou quando os legisladores desportivos decidiram retirar da Lei o direito de voto nesses processos as Escolas especializadas em deteriorados desportivos, Academias Desportivas e núcleos, só para citar alguns dos parceiros das Associações Provinciais e Federações Nacionais, que num passado recente foi considerados como “massa votante”, particularmente, em muitas modalidades individuas como o atletismo, natação, judo, karaté, xadrez, ciclismo, desporto equestre e outras.

A verdade é que muitas dessas Escolas especializadas em deteriorados desportivos, Academias Desportivas e núcleos sempre participaram em competições oficias, onde em algumas modalidades se sagram campeões províncias, campeões nacionais e até campeões continentais.

Das duas ou uma: Ou estamos diante de um retrocesso para melhorar depois ou teremos no futuro uma “verdadeira revolução” desportiva em Angola, onde exigirá com a nova estruturação desportiva, maior responsabilização dos gestores e praticantes desportivos, rumo à profissionalização do desporto angolano. No passado, era amador e, agora, assume-se como profissional.
SIMÃO KIBONDO

IMCOMPATIBILIDADE
Papel e obrigações
dos dirigentes


O papel e obrigações dos dirigentes e gestores desportivos definido na Lei do Desporto (artigo 55º), entre outros assuntos, “coloca o dedo na ferida” em relação às incompatibilidades no exercício de funções directivas nos órgãos das Associações desportivas. No seio deste sector, tem sido considerado um verdade “tabu” e, às vezes, até se aborda com certa melindre.

O ponto 3 do artigo 55º considera incompatível no exercício de funções directivas nos órgãos das Associações desportivas, os deputados da Assembleia Nacional; o desempenho de funções executivas a nível do Governo; Titularidade do cargo de presidente do Conselho de Administração de empresa pública; desempenho de funções cumulativas noutras associações (…).Posto isto, apesar das Leis terem sido publicadas em 2014, nos anos anteriores a esta publicação já vigorava a Lei de Base das Associações Desportivas e o respectivo Regime jurídico, que deram origem as referidas Leis, onde vigorava o mesmo quadro de incompatibilidades.

No mandato 2012-2016, que praticamente chegou ao fim, muitos foram os deputados à Assembleia Nacional; dirigentes com funções executivas no Governo; com titularidade de cargos de presidente do Conselho de Administração de empresas públicas; com desempenho de funções cumulativas noutras associações, que ocupam ou ocuparam funções directivas nos órgãos das Associações desportivas.

É caso para dizer que tivemos muitos exemplos de violação das Leis. Se antes se “fechou o olho” (como se diz na gíria) perante esses actos inconstitucionais, tudo indica que a partir de agora as coisas vão ser todas feitas com base nas Leis.

Sem querer citar nomes de muitos dirigentes na condição de incompatibilidades, que podem ser indicados para assumir funções directivas nos órgãos das associações desportivas no mandato 2016-2010, o caminho mais certo para o bem do desporto nacional é  abdicarem da concorrência com as pessoas legitimamente elegíveis e identificadas com a causa desportiva. Chegou a hora de se dar ouvidos às boas acções para o bem comum.
 SIMÃO KIBONDO