Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Espanha e EUA sem adversários

POLICARPO DA ROSA/ em LAS PALMAS - 05 de Setembro, 2014

Pau Gasol esteve ausente no Campeonato Mundial de 2010 na Turquia e tem sido pedra importante na equipa espanhola durante a prova que decorre no seu país natal

Fotografia: AFP

Espanha e Estados Unidos continuam em alta. Nos cinco jogos disputados, venceram todos, numa demonstração do poderio. Mantém o pleno de vitórias na prova. Aceleram, desaceleram, em função dos adversários que têm pelo caminho.

Em termos daquilo que foi a primeira fase, a Espanha teve pelo caminho adversários de maior peso competitivo. Brasil, Sérvia e França são opositores de valor que não se comparam, por exemplo, a uma Turquia, muito distante do último campeonato do mundo, em que foi anfitriã e disputou a final com os Estados Unidos, a Ucrânia, República Dominicana e Nova Zelândia, adversários que cruzaram na primeira fase com os norte-americanos.

A Espanha faz a alegria dos seus adeptos e a jogar em casa não pensa noutro resultado que não seja o titulo. Nos seus jogos, o campo está sempre lotado. Diante da França, no penúltimo jogo da primeira fase, cumpriu já um desejo da sua falange de apoio. A desforra. A vitória pela diferença de 24 pontos (88-64) não lhe garantiu apenas a primeira posição do seu grupo (A), mas também e resolução de um pendente antigo.

Mesmo com a equipa francesa desfalcada, o confronto foi considerado de grande rivalidade pelo histórico recente. No Europeu de 2013, a França conquistou o seu primeiro título na competição, depois de derrotar nas meias-finais precisamente a Espanha. Uma partida que reeditou a final do Euro-2012 (vencida pela Espanha) e foi decidida apenas no prolongamento.

Os Estados Unidos, comparado, por exemplo, com a Espanha, não teve ainda um adversário de peso. Contudo, isto não invalida e não tira peso às vitórias alcançadas durante a primeira fase. Já obteve duas chapas 100. Aliás, os Estados Unidos foram a única selecção a vencer dois jogos pela chapa 100. Primeiro a Finlândia, na estreia, por 114-55, e depois a República Dominicana, por 106-71.

A força do seu basquetebol é reconhecida por todos, pelo valor competitivo e por ter os melhores jogadores do mundo, todos eles oriundos do campeonato mais competitivo do mundo. E apesar de alguns  não estarem a disputar esta edição do Mundial, não retira força à sua capacidade competitiva. Todos reconhecem isso, inclusive os espanhóis, que apostam tudo numa final com os Estados Unidos.


O MAIS VISTO

Espanha-Brasil bateu
recorde de audiências


A partida entre as selecções da Espanha e do Brasil, disputado no passado dia 1, segunda-feira, foi o mais visto em todo o território espanhol. Com uma audiência de cerca de 3,07 milhões de espectadores e uma cota de 18,2 por cento, a partida marcou também o minuto de ouro do dia, com 4,01 milhões (23,5 por cento), às 23h33, quando o árbitro deu por terminada a partida.

As audiências desta edição do Mundial têm superado as registadas, por exemplo, na Turquia, em 2010. Este ano, só nos três primeiros jogos da Espanha (Egipto, Irão e Brasil) 6,39 milhões de espectadores acompanharam as partidas.

Em 2010, a audiência acumulada pela Espanha em toda a prova cifrou-se em 10,5 milhões de espectadores. Se contabilizarmos o jogo de ontem e os que restam até ao final da prova, estes números vão aumentar significativamente.

No historial dos campeonatos de basquetebol, entre mundiais e Jogos Olímpicos, o ranking é liderado pela final dos Jogos de 2012, em Pequim, entre a Espanha e o Estados Unidos,   acompanhada por cerca de 5,4 milhões de pessoas, o que representa uma cota de 44.9 por cento.

Depois de muitas críticas, a televisão espanhola redimiu-se e vai transmitir todos os jogos a partir dos oitavos de final.


O MEU MUNDIAL
Obrigado Yanick!


O basquetebol angolano escreveu mais uma página brilhante na história do basquetebol mundial. Os 38 pontos marcados ontem por Yanick Moreira, na vitória diante da Austrália, vão ficar gravados na história desta edição do Campeonato do Mundo. O jogador formado no 1º de Agosto esteve simplesmente impecável. Foi o grande artífice da segunda vitória de Angola na competição. Não é qualquer um que chega àqueles números numa competição do nível de um mundial, independentemente do nível do adversário.

Apesar da exuberante vitória diante da Austrália, depois de dois períodos (o terceiro e quarto) menos bons, em que perdemos por cinco e oito pontos, não estaremos nos oitavos-de-final. Ficamos pelo caminho, por culpa da derrota diante do México, na terceira jornada.

É triste. Depois do feito do nosso miúdo, de certeza que todos o queriam ver ao vivo. Mas infelizmente não vai ser  possível, porque vai ter de regressar mais cedo a casa. A diferença entre cestos marcados e sofridos beneficiou o México e o sonho de reencontrarmos os Estados Unidos numa competição mundial ficou adiado. Um desejo que alguns dos actuais jogadores da selecção desejavam. Fica para a próxima, porque a vida continua.

Eu já estou conformado. Contive as minhas lágrimas, as minhas emoções, porque depois da derrota diante do México já sabia que o sonho de ver ao vivo, pela primeira vez, algumas estrelas da NBA estava desfeito. O que mais me intriga é que diante da Eslovénia, Lituânia e Austrália, jogámos de igual por igual, encarámos os três adversários olhos nos olhos, mas diante das equipas do nosso campeonato, Coreia do Sul e México, ficámos muito aquém do esperado.

Porque? Pergunto a mim próprio, mas não obtenho resposta. Por mais que tente esquecer não consigo. A derrota com o México não sai do meu consciente. Uma equipa que no seu historial em campeonatos do mundo nunca venceu um único jogo, aproveita Angola para o fazer. E agora vai defrontar o vizinho Estados Unidos. Um privilégio.

O desporto é bonito. Há coisas que acontecem que muita das vezes nos surpreende. Falo concretamente da vitória de ontem do Cinco Nacional. Poucos acreditavam que ela fosse possível. Em 100 pessoas acredito que mais de metade apostava numa derrota de Angola.

Não que a nossa selecção não tenha capacidade, mas sim depois da pobreza demonstrada diante do México. Sempre o México. Devem estar a dizer. Mas ela vai continuar a atormentar a minha cabeça. Até hoje não me conformo com a derrota, por mais que o queira fazer.

Estou a poucas horas de deixar este bonito lugar. Hoje é o meu último dia. Na manhã de sábado,   vamos para a cidade de Madrid. Uma cidade que não me diz nada, porque sou adepto do Barcelona.

Mas não posso sair daqui sem dar umas fimbas nas praias de Las Canteras, aqui na Gran Canaria.