Jornal dos Desportos

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Espanha e Grcia esto invictas

Policarpo da Rosa - Las Palmas - 03 de Setembro, 2014

Espanha e Grcia esto invictas

Fotografia: AFP

Os grupos A e B descansaram ontem e voltam hoje ao activo, com  jogos atractivos bem capazes de trazer mexidas significativas na ordem de classificação dos mesmos, depois dos resultados  da ronda anterior, onde o grande destaque foi a vitória, a segunda na prova, do Senegal diante da forte Croácia.

No grupo A, que tem como líder o país anfitrião, depois da vitória na segunda-feira diante do Brasil por claros 82-63, tem praticamente assegurada a primeira posição, o destaque do dia vai para o confronto entre as selecções da Sérvia e do Brasil que somam cinco pontos, os mesmos da França.

Aliás, o quarteto (Espanha, Brasil, Sérvia e França) tem praticamente assegurada a presença nos oitavos-de-final. Salvo  o país anfitrião que garantiu antecipadamente o primeiro lugar, as restantes três selecções vão lutar entre si para melhor posicionamento  no grupo.

Sérvia e Brasil somam cada duas vitórias e uma derrota. O Brasil ja defrontou os dois colossos do grupo, nomeadamente a Espanha com quem perdeu,  a França a quem venceu surpreendemente. Se vencer hoje à Sérvia tem assegurado, antecipadamente, o segundo lugar do grupo, ja que na derradeira jornada desta primeira fase, vai defrontar o frágil Egipto.

A Sérvia por seu lado  tem de vencer o Brasil, porque na última jornada vai defrontar a Espanha, uma das selecções invictas deste mundial. Um jogo de dificil prognóstico e onde quem cometer o maior número de erros vai claudicar.

Na abertura do grupo, o Egipto  vice-campeão africano, tem hoje a grande oportunidade de chegar à vitória. Vai ter  pelo caminho o Irão  outra selecção que ainda não venceu e por via disso, vai procurar logo mais, quando forem 12h30, a sua primeira vitória. As probabilidades de vitória repartem-se entre as duas selecções. Cada uma com 50 por cento.

SENEGAL

No Grupo B com o Senegal a grande sensação, o destaque vai para o jogo entre a Grécia líder do grupo  com seis pontos e a Croácia, que na ronda anterior foi surpreendida pelo Senegal, com quem perdeu pela diferença de dois pontos. 75-77 foi o desfecho final a favor da equipa africana.

Se no Grupo A as coisas estão praticamente definidas em relação às quatro equipas que vão estar  nos oitavos-de-final, o memso não pode dizer-se do Grupo B, embora as Filipinas e  Porto Rico não tenham ainda vencido qualquer jogo.

Argentina, Croácia e Senegal somam cada cinco pontos. Quem vencer hoje o seu jogo vai garantir o passaporte para os “oitavos”. Quem perder vai compometer as suas aspirações, porque hoje as duas últimas equipas vão medir forças, nomeadamente as Filipinas e o Porto Rico. E quem ganhar vai partir animado para a derradeira jornada desta primeira fase.

O Senegal que já está com o pé nos oitavos-de-final defronta  a Argentina, que na jornada anterior viu e desejou-se para vencer (85-81) as Filipinas. Os quatro pontos de diferença espelham bem as dificuldades encontradas pelos argentinos. O representante africano medalha de bronze no último Afrobasket, ja cumpriu o que desejava. Vencer dois jogos. Mas quer mais. Um desejo natural para quem era visto como a selecção mais frágil do grupo. Depois da vitória sobre a Croácia, selecção que venceu a Argentina, na segunda jornada, o Senegal ganhou outro estatuto  pelo que os argentinos têm  de se acautelar para não somarem a sua segunda derrota.

TRANSMISSÃO DE JOGOS
Organização recebe críticas de atletas


Antes de terminar a primeira fase que acontece na próxima quinta-feira, a organização do Mundial já teve de enfrentar problemas em algumas cidades-sede. As críticas vieram também dos jogadores devido ao escasso número de jogos transmitidos na televisão aberta.
Em Granada, cidade no sul do país que alberga o grupo da selecção anfitriã, as principais vias de acesso ao Palácio Municipal dos Desportos, local dos jogos, estão parcialmente interditadas devido à construção do metro de superfície.

Apesar de não serem oficialmente parte das infra-estruturas prometidas pela organização para o evento, era previsto que as obras do metro terminassem antes do torneio. A construção da linha que passa perto do local de competição começou em 2007 e a última previsão de conclusão é 2015. Ainda em Granada, os sindicatos de trabalhadores da rede de hotelaria decretaram greve na última sexta, véspera da abertura do torneio. Conforme os diferentes sindicatos, 70 por cento dos funcionários estão descontentes e pararam na ocasião.

Além dos horários dos jogos, outra crítica ao canal que transmite o Mundial é o pouco interesse da empresa em passar partidas que não são da Espanha. Os próprios jogadores espanhóis manifestaram-se publicamente contra a decisão da empresa.

Pelo Twitter, Ricky Rubio e Pau Gasol dois dos principais jogadores da selecção espanhola e quiça do torneio reclamaram que no dia da  abertura apenas a partida da Espanha foi transmitida em televisão aberta.Donos de hotéis estimaram o alcance da greve em menos de 20 por cento do total de funcionários, mas alguns confirmaram que aproximadamente 70 por cento dos empregados pararam na sexta-feira. Outra paralisação está prevista para ocorrer amanhã quinta-feira.

Outro problema que afecta os torcedores é o horário de transmissão das partidas da Espanha. Devido ao pedido do canal de televisão que detém os direitos do campeonato, os jogos da selecção espanhola começam às 22h (horário local) e terminam à meia-noite, horário em que pára o serviço de autocarro na cidade. Assim, os adeptos que vão ao Palácio Municipal de Desportos ficam sem opções de transporte público para regressar às suas casas, após o jogo.


O MEU MUNDIAL
Obrigado Senegal!


A primeira grande surpresa deste Mundial aconteceu na passada segunda-feira e foi protagonista um país africano. O Senegal. Um feito que me encheu de orgulho, porque não é sempre que uma selecção africana vence um colosso europeu. A Croácia foi engolida pelos “macacos”, termo que os europeus tratam os africanos, num gesto de racismo e até de superioridade e desprezo para com quem nasceu em África.

A verdade é que o Senegal conseguiu um feito inédito, que encheu de orgulho todos os africanos. A Croácia entrou relaxada  a pensar que ia garantir a vitória antecipada. Que mais tarde ou mais cedo ia confirmar mais uma vitória. Puro engano.

O Senegal entrou destemido e venceu os dois primeiros quartos. O primeiro por 18-16 e o  segundo por 23-16. Foi precisamente aqui que o Senegal construiu a sua grande vitória. Quando a Croácia acordou já era tarde. Já o Senegal tinha uma vantagem confortável, de nove pontos. Foi ao intervalo a vencer por 41-32. Depois foi gerir a vantagem. Perdeu o terceiro quarto por 20-18 e o último por 23-18.

O destaque foi o jogador do Minnesota Timberwolves, Gurgui Dieng que marcou 27 pontos e ganhou oito ressaltos. Um jogador que foi considerado um dos melhores novatos da NBA na última temporada. O seu talento foi decisivo para a vitória da sua equipa, ao contrário do croata Ante Tomic que passou ao lado do jogo.

O feito do Senegal veio aumentar as suas aspirações, acumulada depois da vitória conseguida na segunda jornada diante de Porto Rico, por 82-75. A explosão de alegria da claque do Senegal constituída na sua maioria por senegalenses que vivem em Espanha e de outros países africanos, no final do jogo, reflecte a importância desta vitória retumbante que vai ficar na memória de todos os africanos.
Outro jogo que me motivou, foi o Espanha-Brasil que fechou a jornada de segunda-feira. Um jogo que me fez dormir tarde. Começou às 21 horas cá, mais uma hora em relação a outras partes de Espanha.

Queria ver até que ponto o Brasil era capaz de travar a euforia dos espanhóis, que aqui na Gran Canaria  acham-se  campeões antecipados. O Brasil desiludiu-me. A Espanha confirmou a sua superioridade. Venceu por claros 19 pontos de diferença (82-63).
Os espanhóis correm, correm, correm que até me cansou de vê-los, confortavelmente, deitado na minha cama. A jogar em casa, com um país inteiro a apoiá-los , a selecção espanhola já está apurada para os oitavos-de-final à custa de um basquetebol apoiado na condição fisica, carácter, determinação e orgulho.

Para a Espanha não se trata apenas de vencer, mas de explorar os seus limites e renovar as suas ambições, que passam por recuperar o título perdido há quatro anos .
PR