Jornal dos Desportos

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Modalidades

EUA revalidam título mundial

Hélder Jeremias, em Istambul - 06 de Outubro, 2014

Com a revalidação do ceptro os Estados Unidos elevaram para nove títulos mundiais contra seis da então União Soviética

Fotografia: Santos Pedro

A selecção sénior feminina dos Estados Unidos da América mantém sobre sua alçada a hegemonia do basquetebol entre as nações do planeta, depois de uma campanha imaculada na 17ª edição do Campeonato Mundial, cujo pano caiu ontem, no Pavilhão Fenerbahçe Arena, em Istambul, com a revalidação do título perante a Espanha, a quem venceu por 77-64.O duelo entre campeãs mundiais e detentoras do título europeu foi de arregalar os olhos para os prosélitos da modalidade inventada nos estados Unidos da América por um professor canadiano, no qual o refinado nível técnico das executantes de ambos planteis levou ao delírio a vasta plateia presente no gigantesco Pavilhão situado na parte asiática de Istambul.

Motivada pela presença na final, a Espanha foi uma digna vencida, pois sempre soube dar a réplica necessária às comandadas de Geno Auriemma, mas, com a constelação de estrelas que configura a equipa norte-americana, pouco mais podia fazer para impedir a progressão do adversário cujo plantel tanto encontra eficiência na colectividade como desempenho individual.O historial da partida pode ser sumarizado no facto do primeiro período ser o mais equilibrado, com as americanas a vencerem por 28-27, o que não aconteceu no segundo tempo, pois a produtividade das campeãs mundiais subiu para a vantagem de 48-28. Os dois períodos finais foram renhidos.

Com a revalidação, os Estados Unidos elevaram para nove títulos mundiais, uma medalha de prata e duas de bronze, seguidos da então União Soviética que venceu seis vezes, com dois segundo lugares. O Brasil e a Austrália venceram uma vez cada. A Austrália conta ainda com duas medalhas de bronze, a Rússia tem três medalhas de prata.

A jogadora norte americana, Maya Morre foi a jogadora mais valiosa da 17ª edição do Campeonato Mundial de Basquetebol.O cinco ideal foi composto por Alba Torres, da Espanha, Penny Yaylor, Austrália, Maya Moore, Estados Unidos, Sancho Lyttle, Espanha e Brittney Griner Estados Uninos. A jogadora fair-play foi a Turca Esmeral Tuncluer.

AUSTRÁLIA
GARANTE BRONZE

A selecção da Austrália regressou ao pódio da maior competição da "bola ao cesto" no plano transnacional, desta feita com a conquista da medalha de bronze, depois de vencer ontem à noite, por 74-44, a similar da Turquia, em partida a contar para as qualificativas do terceiro e quarto lugares da 17ª edição do Campeonato do Mundo.Depois de terem sido afastadas da luta pelo ouro pelos Estados Unidos da América no prélio das meias-finais, em que perderam por 82-70, as australianas sabiam que voltariam a ter um “osso duro de roer”, frente a selecção anfitriã.A Turquia, que nas meias-finais deu luta renhida a Sérvia, com quem perdeu por um escasso ponto de diferença (61-62) apareceu descaracterizada, não obstante a pressão do seu público.Ao perder os dois últimos quartos , a Turquia ficou de fora do pódia, e pode ver a 13ª posição no ranking, 160, movimentar-se no sentido descendente.


PARCERIA
Federação quer estabelecer laços com NBA


Aproximar-se  cada vez mais da NBA para não ficar sem os seus astros em Campeonatos Mundiais, Continentais e Jogos Olímpicos constitui o principal objectivo do argentino Horácio Muratore, novo presidente da Fiba-Mundo, eleito para o quadriénio 2014/2019.
Até lá, o calendário mundial da modalidade pode  passar por uma grande mudança, com a implantação de um sistema de eliminatórias, semelhante ao adoptado pela Fifa para o Campeonato do Mundo de Futebol, com janelas espalhadas ao longo dos anos. Para o Mundial de 2019, por exemplo, as partidas das eliminatórias podem ocorrer em Novembro de 2017, Fevereiro, Setembro, Outubro e Novembro de 2018 e ainda Fevereiro de 2019. Contar com os atletas que actuam nos Estados Unidos vai ser o grande desafio.

“A NBA apoia totalmente este sistema de classificação. E temos de respeitar também os pedidos da NBA, porque é a principal competição que temos. Estamos a discutir algumas janelas, que esperamos solucionar em breve. Talvez não possam dar jogadores em Fevereiro e Novembro, mas o importante é que estão a par”, afirmou Muratore em entrevista ao “UOL Esporte”.

Neste trabalho de aproximação à liga americana, a Fiba incluiu no seu Conselho Geral Mark Tatum, vice-presidente da NBA. Ele também vai participar do recém-criado Comité Executivo. “Vamos estar muito mais próximos. Também vai haver uma comissão de calendários para deixar a Fiba mais participativa e democrática. Vejo uma grande predisposição da NBA em colaborar conosco, tanto que colocaram o número dois da organização a trabalhar junto”, disse o argentino, que foi vice-presidente da Fiba entre 2010 e 2014 e comandou a Confederação Argentina entre 1992 e 2008.

O temor pela perda de astros da NBA, para competições futuras, aumentou após o extremo do Indiana Pacers Paul George se lesionar em partida de preparação da selecção americana para o Campeonato do Mundo de Espanha.  O jogador fracturou a perna direita e pode perder  toda a temporada da liga americana. Após o incidente, vários dirigentes  manifestaram-se  contrários à cessão de atletas para defenderem as suas selecções. Os comentários, porém, não tiram o sono a Muratore.

“Estou tranquilo, porque a NBA é nossa parceira. As desgraças podem acontecer com o jogador  enquanto caminha na rua ou em treinos. Lamentavelmente, isso aconteceu em um momento prévio a um Mundial e provou várias reacções. E isso é natural, pois os donos das equipas estão a cuidar dos seus investimentos”, afirmou Muratore.


CLASSIFICATIVAS
Canadá suplanta
similar da China


A selecção do Canadá derrotou ontem a similar da China, no Pavilhão Fenerbahçe, por 61-53, em partida a  contar para o quinto lugar da 17ª edição do Campeonato do Mundo de basquetebol em seniores femininos.
Duas equipas muito equilibradas, mas cuja filosofias de jogo  difere no facto das asiáticas efectauarem poucos dribles, dando primazia para as assistências as postes, em detrimento da circulação da bola a toda dimensão da quadra. A altura das executantes na zona 4-5 nem sempre foi aproveitada da melhor maneira, muito por conta da defesa  homem a homem por parte das canadenses e boa desenvoltura nas transições para o ataque.

Ainda limitadas nos seus movimentos, as chinesas tiveram como principais algozes na armada canadense Kim Gaucher, Miranda Ayim, cujo poder de penetração sobre o garrafão esteve na base dos 16 e 15 pontos convertidos pelas respectivas atletas, ao contrário da fraca incisão no plantel chines em que as mais produtivas foram Ting Shao, 12 pontos e  Wen Lu, com apenas 11.

O treinador chinês, Thomas Maher, felicitou as suas atletas por terem chegado até a referida fase, tendo reconhecido que a equipa denotou alguma quebra física no jogo diante do Canadá, mas referiu que a sua equipa ainda tem muito para dar, uma vez ser composta por atletas novas e com grande margem de progressão.

Por seu turno, Lisa Thomaidis, enalteceu a organização da prova e o nível das equipas envolvidas ao dizer que “ a equipa deu o seu melhor e o resultado pode ser visto em função do nosso desempenho. O quinto lugar não era o nosso objectivo principal, mas saímos satisfeitos por estar entre os cinco melhores do mundo”, disse.

FRANÇA TERMINA
NA SÉTIMA POSIÇÂO
A França salvou a sua honra com a obtenção do sétimo lugar da 17ª edição do Campeonato do Mundo de basquetebol mercê da vitória, ontem à tarde, no Pavilhão Fenerbahçe Arena, por 88-74, diante da Sérvia, em partina pontuável para as qualificativas do sétimo e oitavo lugares.
O triunfo francês não mereceu qualquer contestação, na medida em que as comandadas de Valérie Garnier foram as senhoras do jogo desde os minutos iniciais, perante um adversário que, ainda ferido do seu orgulho, em consequência do afastamento nos quartos-de-final pela pelo escasso um ponto de diferença (62-61), frente a equipa anfitriã, Turquia.
Com a Ana Babovic a levar a equipa pelas costas, cestinha da partida com 19 pontos, em 29 minutos e 13s de jogo, a Sérvia teve como principal adversidade a coesão do jogo colectivo da equipa gaulesa, pautada pelo equilíbrio em termos de finalização, consubstanciados em 67 por cento de aproveitamento nos lançamentos de três pontos, igual percentagem nos lances livres, 52 por cento nos lançamentos de dois pontos.          h.j.
A França conseguiu 17 ressaltos ofensivos e 24 defensivos, para além de 41 recuperações. Com 10 turn over, a equipa efectuou 22 assistências, três desarmes de bola, num total de 20 faltas colectivas, contra quatro ressaltos ofensivos da Sérvia, 16 defensivos, 18 assistências, 11 turn over, quatro desarmes de bola e 15 faltas.

A Sérvia esteve melhor no primeiro quarto, altura em que a França ainda denotava pouca consistência em termos defensivos, tendo a equipa às ordens de Marina Maljkovic violado com alguma facilidade a tabela defendida pelo combinado Francês.
No segundo período, a Sérvia começou a sentir o efeito da eficácia defensiva implementada pela equipa de Valérie Garnier, assim como a significativa melhoria em termos de finalização, razão pela qual as gaulesas passaram a liderar o marcador nos três períodos subsequentes. Com o resultado a frança, vice-campeã europeia e quarto no ranking mundial, com 466 pontos, esteve longe de concretizar a melhoria da medalha de bronze, conquistada no ano 1953, em Santiago, no Chile, edição vencida pelos Estados Unidos, seguidos da selecção anfitriã, mas evitaram um lugar menos confortável.

A Sérvia, 29º lugar no ranking, com 29 pontos perde a hipótese de uma estreia mais condigna na maior competição basquetebolística à escala mundial, depois de um início triunfante no grupo D, em que cruzou com Angola, China e Estados unidos da América.
 H.J