Jornal dos Desportos

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FAB solicita dinheiro para seleco

JUSCELINO DA SILVA - 25 de Agosto, 2018

Fotografia: Jornal dos Desportos

O actual quadro financeiro da Federação Angolana de Basquetebol está a tirar o sono ao presidente de direcção, Hélder da Cruz \"Maneda\". As dívidas contraídas com atletas e treinadores, em menos de um ano e meio, período desde que assumiu o cadeirão da FAB, crescem vertiginosamente.
Ontem, em conferência de imprensa, Maneda assegurou que a selecção sénior masculina está em risco de participar da terceira janela de qualificação ao Mundial da China\'2019.
\"Esta selecção (sénior) está na iminência de falhar a próxima janela no dia 14 de Setembro. Não temos as condições de preparar a nossa selecção. Estamos com graves problemas financeiros\", confirmou.
O presidente de direcção realçou que \"a FAB está cansada de falar sempre a mesma coisa\".
\"Não estamos a ser ouvidos como gostaríamos. Onde vamos com pouco dinheiro? Para que servem os oito milhões de kwanzas\", questionou.
O dirigente reiterou que \"fazer o ataque à nossa gestão não vai resolver a questão\". A selecção precisa de dinheiro para começar a trabalhar. Do que havia no cofre foi gasto com as selecções masculina sénior (duas janelas) e de Sub-18, a feminina de Sub-17 e de Sub-18. Todas essas equipas não receberam diárias por falta de dinheiro.
\"A selecção masculina de Sub-18 gastou 14 milhões de kwanzas em bilhetes, só para se ter uma ideia. Há gastos com alimentação, despesas locais, preparação administrativa e logística. Todas as competições foram realizadas esta época e as selecções foram aos palcos internacionais\", sustentou.
Maneda revelou que receberam do Ministério da Juventude e Desportos, na quinta-feira, um adicional de oito milhões de kwanzas, que totaliza 71 milhões. Face aos compromissos das selecções, não foi possível quitar as dívidas com os jogadores, que se recusam a apresentar para o trabalho da selecção sénior. Ontem, apenas cinco atletas, dos 27 convocados, estiveram com o seleccionador William Voigt.
Hélder Cruz justificou que receberam a comunicação de Yannick Moreira, na qualidade de capitão da selecção que esteve na China, a informar sobre a ausência dos atletas. A apresentação está condicionada ao pagamento das diárias em dívidas.
\"Cada jogador tem de receber um total de dois mil e cem (2.100) euros, o que corresponde a 150 euros por dia\", disse.
Para um grupo de 25 atletas, são necessários um total de cinquenta e dois mil e quinhentos (52.500) euros, valor que a Federação Angolana de Basquetebol não dispõe.
\"Era nossa intenção continuarmos a preparação assim que viemos da China, mas não temos recursos nem condições para remunerar os nossos atletas\", disse Maneda.