Jornal dos Desportos

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Formao do Libolo vai s barras do tribunal

Juscelino da Silva - 29 de Outubro, 2018

Brulio Morais (com a bola) um dos atletas lesados no processo de negociao

Fotografia: Jornal dos Desportos

Dois meses depois da equipa sénior masculina de basquetebol do Sport Libolo e Benfica ter dito adeus ao Unitel-Basket, a direcção de Rui Campos e de Leonel Casimiro preparam-se para responder em tribunal nos próximos dias. Alguns ex-atletas intentaram acções contra o clube da província do Cuanza Sul por incumprimentos contratuais.
Zola Paulo, Bráulio Morais, Vlademiro Pontes e Agostinho Coelho vão levar a direcção do Sport Libolo e Benfica às barras do tribunal nos próximos dias. As duas partes não conseguem chegar a acordo, como fez saber Vlademiro Pontes, responsável dos atletas lesados no processo de negociação.
Vlademiro Pontes fez saber que, na última conversa mantida com Bruno Silva, director geral do Sport Libolo e Benfica, a direcção tinha a intenção de pagar as dívidas de forma faseada de todos os atletas lesados, mas não passou da intenção. A direcção fechou-se em copas.
Três meses depois das últimas negociações, os atletas tentaram novamente o contacto com a direcção. Em resposta, Bruno Silva garantiu a boa fé de Rui Campos pagar a dívida tão logo as verbas estivessem disponíveis, segundo Vlademiro Pontes.
As duas partes assinaram um pré-acordo em que a direcção de Rui Campos assumia a liquidação de 50 por cento da dívida por se tratar uma \"quantia muito elevada\". Os atletas em causa jogaram no Recreativo de Libolo e Bruno Silva disse que havia a necessidade de se aferir os mecanismos de saldar a dívida. As direcções do Sport Libolo e Benfica e do Recreativo de Libolo deviam sentar para discutir a situação.
Vlademiro Pontes disse não entender a posição de Bruno Silva, uma vez que os patrocinadores do Recreativo de Libolo são os mesmos do Sport Libolo e Benfica. O responsável pela negociação lamenta o tratamento dado pela direcção de Rui Campos. Defende que os passivos da primeira equipa de basquetebol também devem ser herdados pela nova equipa.
\"Primeiro, pediram-nos para não levar o caso ao Tribunal e não falar mais à comunicação social. Depois, disseram-nos que tinham de dialogar com a direcção antiga para rever os nossos contratos. Esticámos um pouco a corda e assumiram a dívida. Negociámos o modelo de pagamento de todas as dívidas. De repente, houve silêncio da direcção. Desligaram os telefones e sumiram sem nos dizer nada, num momento em que tudo apontava para o pagamento\", esclareceu.
O poste Eduardo Mingas e o base Helmer Félix foram os primeiros atletas a levar a equipa de Cuanza Sul às barras do Tribunal por questões contratuais. O primeiro “recebeu na totalidade o seu dinheiro” e o segundo “pode ver a última tranche da dívida paga nos próximos dias”, segundo Bruno Silva, numa conferência de imprensa realizada no Dream Space há um mês. Os atletas norte-americanos também “já têm as dívidas pagas”.
O Jornal dos Desportos procurou  ouvir o director geral do Sport Libolo e Benfica, mas tinha o telefone desligado. Uma fonte próxima à equipa de Calulo confirmou-nos que o Bruno da Silva tem residência oficial em Portugal.

ESTRATÉGIA
Golpe  de  mestre  atira  atletas  na  sarjeta

Em estratégia bem elaborada, o Sport Libolo e Benfica fugiu às suas responsabilidades num momento em que o processo estava avançado no Tribunal, segundo Vlademiro Pontes. Os atletas estão decididos em dar sequência do processo judicial por falta de confiança à direcção da equipa da província do Cuanza Sul.
\"Mandaram-nos parar com o processo no Tribunal de forma a não manchar o bom nome da agremiação. Depois de assumirem o pagamento da dívida, descobrimos que estão a agir de má fé. Com as promessas, queriam ganhar tempo e fugir às responsabilidades. Não atendem aos telefones. Estamos decididos em levar o processo adiante até às últimas consequências\", disse muito zangado.
Vlademiro Pontes assegura que a direcção de Libolo se aproveitou da \"simplicidade dos atletas para abrandar a situação e fazer seguir a dívida\".
\"Bruno da Silva disse-nos que mesmo que fôssemos ao Tribunal, o processo levaria muito tempo. Por isso, convidou-nos a negociar amigavelmente. Aceitámos, agora, o resultado é esse. Fecharam-se em copas\", disse.
O que deixa magoado o colectivo de atletas, segundo Vlademiro Pontes, é que cada um é responsável de uma família.
\"Somos profissionais, temos família para acudir e existe contrato assinado. Cumprimos a nossa parte, agora, recusam-se a fazer a deles. Não estamos a exigir o pagamento na totalidade, mas de forma faseada. Porque nos abandonam?\", questiona o atleta.
Vlademiro Pontes pede apoio à Federação Angolana de Basquetebol, na qualidade de entidade reitora da modalidade no país. O atleta disse que a FAB \"tem uma palavra a dizer e não ficar alheia à situação, independentemente de os clubes serem autónomos\". Lamenta por não haver a Associação de Jogadores de Basquetebol, uma promessa eleitoral do actual elenco, à semelhança da Associação de Árbitros de Basquetebol, criada recentemente.
\"Se a FAB não nos protege, quem vai proteger-nos com a ausência da Associação de Jogadores de Basquetebol?\", questiona.                       

ANIVERSÁRIO
Angolanos  falham
torneio  de  Maputo

As formações do Petro de Luanda e do 1º de Agosto vão falhar a segunda edição do torneio de basquetebol, alusivo ao aniversário da cidade de  Maputo.
Os petrolíferos, que regressam na quarta-feira vindos de Bulawayo, Zimbabwe, onde estiveram a passear a classe, na fase final de apuramento a final da Liga dos Clubes Campeões, vão falhar o torneio por indisponibilidade de verbas, associado ao pouco tempo de descanso que a equipa vai ter, segundo fez saber uma fonte ligada ao clube tricolor.
\"A fase de apuramento à fase final da Liga dos Clubes Campeões vai ser muito extensa, razão pela qual ficamos sem disponibilidade financeira para participarmos do torneio alusivo ao aniversário da cidade de Maputo. Depois da nossa participação no apuramento, a nossa atenção está virada ao torneio Victorino Cunha e ao campeonato nacional\", rematou a nossa fonte.
Os militares declinaram o convite em virtude da equipa rubro e negra estar engajada na fase final de apuramento à fase final da Taça dos Clubes Campeões. Os pupilos de Paulo Macedo, que dominaram toda fase final do apuramento, vão disputar nos dias 3 e 4 de Novembro a décima edição do torneio Victorino Cunha no seu pavilhão. No dia 10, a turma militar mede forças com o Interclube, partida em atraso da 1ª volta do Unitel Basket 2018-2019. O jogo foi adiado em virtude da turma militar evoluir na competição africana. O cansaço ditou a não ida ao torneio de Maputo.
Segundo apurámos, o ASA deu luz verde à organização para participar do torneio. A equipa de Carlos Dinis mostrou-se disponível para o torneio a decorrer de 8 a 10 de Novembro na cidade de Maputo. Os aviadores partem no dia 6 para capital moçambicana.
A organização do torneio está a negociar com uma quarta equipa, que deve sair da África do Sul para render o Petro de Luanda. Vão participar do torneio quatro equipas, nomeadamente o Ferroviário da Beira, ASA, Ferroviário de Maputo e a que virá, possivelmente, da África do Sul. Segundo o porta voz do torneio, as equipas vão apenas  responsabilizar-se pela transportação da comitiva e ajuda de custo para os atletas.