Jornal dos Desportos

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Modalidades

França e Sérvia ajustam contas

Policarpo da Rosa , Madrid - 12 de Setembro, 2014

As selecções de França e da Sérvia disputam hoje uma vaga na final depois de já se terem defrontado na primeira fase no grupo A

Fotografia: AFP

É conhecido hoje o segundo finalista da 17ª edição do Campeonato do Mundo de basquetebol. Uma meia-final que não estava nas previsões dos aficionados da modalidade, já que todos acreditavam que a selecção anfitriã pudesse estar esta noite no Pavilhão dos Desportos de Madrid a lutar pelo passe para a final. Quem assim pensou deu-se mal. No desporto, não há vencedores antecipados e a França provou esta máxima.

A França vai procurar dar continuidade ao trabalho iniciado diante da Espanha esta noite. E por aquilo que produziu diante dos anfitriões, os franceses não podem pensar noutro resultado que não seja a vitória. Porém, para atingirem este desiderato têm um adversário que esteve igualmente bem nos quartos-de-final. Falamos da Sérvia, que "enxovalhou" o Brasil por 84-56.

Nao é a primeira vez que as duas selecções se vão encontrar na prova. Ambas estiveram no Grupo A e, na partida entre si, na segunda jornada, em Granada, a vitória pendeu para a França, por apenas um ponto, 74-73.

No historial recente entre as duas selecções, esta é a quarta vez que se encontram. As duas primeiras aconteceram no Europeu de 2001 e no de 2013.

No primeiro, a França venceu por 97-96 e dois anos depois a Sérvia deu o troco, venceu por 77-65. No somatório, a França tem vantagem. Duas vitórias e uma derrota. Resta saber o que pode acontecer esta noite.

Nos quartos-de-final, as duas equipas superaram-se a si próprias, depois daquilo que produziram na primeira fase. Se a França, por exemplo, terminou em terceiro com três vitórias e duas derrotas, na terceira posiçao a Sérvia teve uma prestação bem mais sofrível. Não venceu nenhum colosso do grupo. Perdeu com o Brasil (73-81), com a Espanha (73-89) e com a França. Venceu apenas o Irão (83-70) e o Egipto (85-64), quedando-se na quarta posição, o último de acesso aos oitavos-de-final.

Hoje, a Sérvia está rejuvenescida. Conseguiu ultrapassar a má fase e luta por um dos passes de acesso à final. Nos "oitavos" deixou pelo caminho a Grécia (90-72) e nos "quartos"  o Brasil (84-56). Os erros cometidos na primeira fase foram superados e hoje está mais viva do que nunca. A lutar pelo pódio.

O caminho da França assemelha-se ao do seu opositor desta noite. Teve apenas mais uma vitória na primeira fase. Mas para chegar até aqui teve de se empenhar a fundo. Venceu nos oitavos-de-final a Croácia e nos "quartos" a temível  Espanha, que apostava seriamente em chegar à final. A França teve de enfrentar um pavilhão cheio de espanhóis, que muitas vezes apupavam os seus jogadores. Ainda assim teve arte para suplantar tudo isso e vencer um adversário que entrou a pensar que mais tarde ou mais cedo venceria o jogo.

Por todos estes atributos, estamos convictos de que temos esta noite (21h00 em Angola) um grande jogo. Um jogo que pode ser decidido nos detalhes. Cada uma das equipas tem 50 por cento de hipóteses de vencer.

CINCO PROVÁVEIS

Campo: Pavilhão dos Desportos, em Madrid
Capacidade: 13.700 espectadores
FRANÇA: Tohmas Heurtel, Nicolas Batum, Jofrey Lauvergne, Boris Diaw e Mickel Gelabele.
Técnico: Vincent Collet (francês).
SÉRIVA: Milos Teodosic, Nemanja Bjelica, Stefan Markovic, Nikola Kalinic e Miroslav Raduljica.
Técnico: Sasha Djordjevic (sérvio).


HUMILHADO NA DESPEDIDA

Último lusófono regressa cabisbaixo


A última selecção lusófona, o Brasil, também já regressou a casa. Um regresso nada atraente. Foi humilhado no jogo de despedida. O seu objectivo passava por chegar ao pódio, algo que não acontecia desde 1986, pelo que teria de vencer a Sérvia nos "quartos". Mas não aconteceu. Diante da Sérvia, o Brasil até equilibrou as coisas, mas tudo caiu depois do intervalo.

Depois de eliminar a sua grande rival, a Argentina, sempre se pensou que o Brasil pudesse chegar mais longe, para assim lograr a disputa, no mínimo, da medalha de bronze. O último "bronze" conquistado foi em 1978, depois da prata em 1954 e 1970 e os ouros de 1959 e 1963.

Diferente dos outros jogos do Mundial, onde o Brasil teve um mau começo e foi à procura da recuperação, diante da Sérvia, a situação foi diferente. O Brasil começou bem, nivelando a partida, mas no terceiro quarto, quando estava atrás no placar, duas faltas técnicas abalaram o estado psicológico dos jogadores. Foi, por assim dizer, o fim. O Brasil não conseguiu   recuperar.

Na primeira fase, as duas equipas já se tinham defrontado e o Brasil venceu por 81-73. Mas desta vez a história foi bem diferente. A prova de que a vitória sérvia foi irrefutável está clara nos números: o Brasil teve um aproveitamento de 34 por cento nos dois e 33 por cento no lançamento dos três.

A Sérvia, por sua vez, teve 59 por cento na tentativa dos dois e 36 por cento nos três. Números que espelham a superioridade dos sérvios, que hoje lutam pelo acesso à final, diante da França.

"Acho que sofremos um abalo emocional num momento importante do jogo, que acabou por determinar a nossa derrota. Os responsáveis somos nós. Não adianta buscar desculpas", disse o técnico da selecção brasileira, o argentino Ruben Magnano, no final do jogo, que contou com muitos brasileiros na bancada.

Outro aspecto negativo apontado pelo técnico foi a  baixa percentagem no lançamento dos dois pontos, 34 por cento. Na sua opinião, o Brasil perdeu uma oportunidade histórica para chegar ao pódio.

"Sabemos isso, conversamos sobre isso o tempo todo. Não sabemos quando temos uma nova oportunidade", disse o técnico.

Pelos vistos, 2014 não é nada favorável ao desporto brasileiro. Depois do vexame no Mundial de futebol, por si realizado, em que foi humilhado pela Alemanha (7-1), foi a vez de no basquetebol ser afastado das meias-finais também de uma prova mundial, com uma derrota pesada: 28 pontos de diferença.


O MEU MUNDIAL
Triste e alegre


Quarta-feira vivi um dia diferente. Um dia dividido por dois momentos. De tristeza e de alegria. Triste pela derrota dos Palancas Negras em pleno 11 de Novembro e pela humilhação sofrida pelo Brasil, aqui em Madrid, diante dos meus olhos, e de alegria pela derrota da Espanha. É verdade. Festejei a derrota da Espanha diante da França. Podem criticar-me, não há problemas. Eu aceito. Mas peço igualmente que respeitem a minha vontade. A minha forma de pensar.

Estava atento ao que se passava no Sérvia-Brasil, para os "quartos" do Mundial e a acompanhar, via Rádio 5, através do computador do Melo, o jogo Angola-Burkina Faso, para as eliminatórias ao CAN2015. Os meus prognósticos apontavam para duas vitórias. Do Brasil e de Angola. Assim pensei, mas, no final, acabei por ficar decepcionado com a prestação das duas selecções. Mais a de Angola.

Não acreditava que os Palancas Negras fossem sair do 11 de Novembro vergados por uma derrota humilhante. Nem mesmo o facto de o Burkina Faso ser o actual vice-campeão africano me levaria a pensar numa coisa dessas. Foi uma humilhação. E em nossa própria casa.

Eu sempre disse que as vitórias alcançadas nos jogos de preparação nada diziam. Não tinham nenhum significado. Os encontros a doer, sim, porque estava em jogo uma competição. Também chamei a atenção para não endeusarmos o Romeu Filemon, porque o pior estava para vir. Tinha razão.

Nos dois jogos já disputados, os Palancas Negras averbaram outras tantas derrotas. Nada está perdido. É um facto. Contudo, já perdemos seis pontos.

É muito para quem pretende chegar a fase final do CAN 2015,  em Marrocos.

Nao interessa agora encontrar os culpados. O Filemon não é. Embora tenha alguma dose de responsabilidade por este mau início de campanha.

Reformular sim, mas tem de saber fazê-lo. Tem de haver muita ponderação. Não compreendo que se deixe de fora alguns jogadores, que jogam no país, que se identificam com a nossa realidade e que sempre deram o máximo ao serviço da Selecção. Não vou apontar nomes, porque o Filemon os conhece e quem acompanha o nosso futebol sabe também quem são. Não estou contra aqueles que vieram do exterior e que envergaram, pela primeira vez, de forma oficial as cores das Nação. Nada disso. Não compreendo apenas o facto de alguns jogadores que foram no passado peças importantes na selecção, sejam hoje desprezados; colocados na prateleira.
 
O que acontece hoje com os Palancas Negars assemelha-se ao que se passa com a selecção de Portugal. A derrota em casa, diante da modesta Albânia, na abertura das eliminatórias ao Euro 2015, está ligada à reformulação que Paulo Bento e a Federaçao Tuga pretendem fazer. Deram-se mal.

A minha alegria veio no fim. A França afastou a Espanha da grande final.