Jornal dos Desportos

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Modalidades

Jean Jacques no salão da fama

António Ferreira, em Genebra - 18 de Junho, 2013

Antiga estrela do basquetebol angolano vê os seus feitos reconhecidos pelo organismo reitor da modalidade no mundo

Fotografia: Francisco Bernardo

O antigo poste internacional angolano Jean Jacques da Conceição, uma das figuras mais mediáticas do basquetebol angolano e africano, entra nesta quarta-feira, 19 de Junho, para o Salão da Fama “Hall of Fame” da Federação Internacional (FIBA), evento que visa homenagear a escala planetária as figuras mais relevantes da modalidade. Com a eternização de Jean-Jacques, a República de Angola passa a fazer parte do restrito círculo de países, cuja bandeira desfralda nos mastros do museu da instituição.

Jean Jacques da Conceição que desde as primeiras horas da manhã de ontem, segunda-feira, escalou o cantão de Genebra, foi recebido com pompa e circunstância no aeroporto local pelos membros da FIBA. Ao cair da tarde, visitou o futuro Museu da instituição que reger a modalidade no mundo, no cantão de Vaud, na rota entre Genebra e Lausana. Ontem desembarcou igualmente nesta localidade, o presidente da Federação Angolana de Basquetebol, Paulo Madeira e outras personalidades convidadas para o efeito.

Hoje, por volta das 14H00 é oficialmente inaugurado o Museu da Fama, cerimónia para a qual estão convidadas cerca de 400 personalidades, entre presidentes de todas as federações membros da FIBA, do Comité Olímpico Internacional e outras instituições sedeadas nesta localidade. Amanhã, quarta-feira, o acto de homenagem começa às 18H00 locais (17H00 em Angola).

Jean Jacques da Conceição, muito admirado por estas paragens, continua a ser uma figura de referência do basquetebol mundial e, prova disso, nesta quarta-feira, vai entregar para o Museu da Fama, a camisola 15 que vestiu ao serviço da Selecção de Angola. O ex-internacional angolano que se sente orgulhoso por esta distinção, em exclusivo ao Jornal dos Desportos, disse que faz desta sua homenagem uma conquista do país.

“É um orgulho para todo o país e em especial para os desportistas, saber que o primeiro africano a entrar para o Salão da Fama é angolano. Estamos todos de parabéns e só o facto da bandeira de Angola estar içada ao lado das demais já é um motivo de grande satisfação. Infelizmente, da FAB nunca tive esse reconhecimento. Espero que depois desta homenagem a nossa federação se sinta motivada para fazer algo, disse.

No que toca aos apoios, Jean Jacques mostra tristeza, sente-se abandonado como se a homenagem não representasse uma mais-valia para o basquetebol angolano. “A federação depositou na minha conta mil dólares, mas eu vou devolver essa quantia, por achar isso uma ofensa. Aliás depositaram o dinheiro mesmo depois de eu ter dito que não precisava de migalhas”.

Jean Jacques Nzadi da Conceição, 2,02 metros de altura, nasceu ao 3 de Abril de 1964, em Kinshasa, esteve no activo entre 1982 a 2003 e começou a sua carreira no 1º de Agosto, passou depois pelo Benfica de Portugal, Unicaja Málaga de Espanha, Limoges de França e Portugal Telecom.

Ao serviço da selecção nacional de Angola sete Afrobasket´s, designadamente em 1989, 1992, 1993, 1995, 1999, 2001 e 2003. Representou Angola nos campeonatos do mundo de 1986, 1990 e 1994 e nos Jogos Olímpicos de 1992. Em 2011, em Antananarivo, no âmbito das comemorações do 50 º aniversário da FIBA África, Jacques foi nomeado o jogador de basquetebol mais valioso do continente.

Na quarta edição do Salão da Fama, cujo objectivo é reflectir a história do basquetebol mundial, tem cenário marcado para a sede da FIBA, em Mies, arredores de Genebra,onde vão ser homenageados seis ex-jogadores, três treinadores, dois funcionários técnicos e colaborador, nomeadamente os lendários treinadores Pat Summitt, dos EUA, o falecido John “Jack” Donohue, do Canadá, e da Itália, Cesare Rubini. Ao todo, treinadores e jogadores já conquistaram ao todo 14 medalhas olímpicas e oito de campeão do mundo FIBA.

GENEBRA
Naismith acolhe cerimónia


A cerimónia de consagração para a edição de 2013 do Salão da Fama realiza-se no Naismith Arena, um espaço de exposição e de eventos do museu do basquetebol. O primeiro Salão da Fama foi realizado no dia 27 de Março de 2007, na cidade espanhola de Alcobendas, com destaque para a homenagem a título póstumo do croata Drazen Petrovic, que faleceu em 1993, num acidente de viação na Alemanha.

Óscar Schmidt (Brasil), Emiliano Rodriguez, Fernando Martinez (Espanha), Bill Russell, Michael Jordan, Magic Johnson, Jerry West, Óscar Robertson (EUA), Arvydas Sabonis, Sargunas Marsiulionis (Lituânia), Vlade Divac (Sérvia), entre outras personalidades.  Eis a lista de homenageados para 2013: JOGADORES: Jean-Jacques da Conceição (Angola), Teresa Edwards (EUA), Andrew Gaze (Austrália), Paula Gonçalves (Brasil), David Robinson (EUA), Zoran Slavnic (Sérvia); Treinadores: John 'Jack' Donohue (Canadá) póstumo, Cesare Rubini (Itália) póstumo, Pat Summitt (EUA); funcionários técnicos: Valentin Lazarov (Bulgária), Costas Rigas (Grécia). MECENAS: Aldo Vitale (Itália).

AFROBASKET
Selecção rende homenagem
aos mártires da resistência


Basquetebolistas da pré -selecção nacional renderam domingo homenagem aos mártires da resistência da cidade do Kuito, sepultados no cemitério monumento na comuna do Kunje, a sete quilómetros da capital do Bié. Os pré-convocados para o campeonato africano, de 20 a 30 de Agosto, na Costa do Marfim,  realizaram esta actividade social após a chegada à cidade do Kuito, onde a partir ontem iniciam a preparação até 23 de Julho.

 Na ocasião, Joaquim Gomes “Kikas”, capitão da selecção nacional, reconheceu a bravura e a determinação da população biena nos conflitos armados pós eleitoral de 1992, o que permitiu a salvaguarda de milhares de vidas humanas. Já o administrador municipal do Kuito, Avis Agostinho Vieira, destacou o contributo positivo dos mártires da resistência do Kuito na defesa da pátria e da integridade territorial.  Segundo o administrador, a participação dos mártires da resistência do Kuito permitiu o desenvolvimento sustentável de um estado de direito e democrático.

NBA
Miami Heat
busca empate


A formação do Miami Heat procura na madrugada de hoje, no seu reduto, vergar a equipa do San António Spurs, na sexta partida da final dos Play-off, a melhor de sete, para forçar o sétimo confronto, conhecido por negra. Domingo, os San Antonio Spurs obtiveram mais um triunfo o quinto título da NBA, ao receberem e baterem os campeões Miami Heat por 114-104, no quinto jogo da final. Manu Ginobili, titular pela primeira vez na presente temporada, obteve 24 pontos e 10 assistências e foi a chave do terceiro triunfo dos Spurs (3-2), que precisam agora de vencer em Miami, no sexto encontro ou, caso não o vençam, na "negra".

Os cinco titulares estiveram, aliás, todos a grande nível, com Danny Green a marcar 24 pontos e mais seis triplos, elevou a sua conta na final para 25, um novo recorde, e o francês Tony Parker, mesmo lesionado, a alcançar também 24 pontos. Os Spurs acabaram o encontro com 60 por cento nos lançamentos de campo, com 42 convertidos em 70 tentados, contra apenas 43,0 dos forasteiros (37 em 86), que nunca lideraram o marcador e só estiveram empatados no início (2-2, 4-4 e 17-17), embora, mais tarde, tenham estado a um ponto (61-60 e 75-74).

Nos Heat, LeBron James (25 pontos, oito assistências e seis ressaltos) esteve muito bem na primeira parte, mas "eclipsou-se" na segunda, enquanto o "renascido" Dwyane Wade (25 pontos e 10 assistências) deu continuidade à grande exibição do embate anterior. A final da NBA prossegue hoje, em Miami, em caso de um triunfo dos Spurs acaba com a final,a  selar  o quinto título do conjunto de San Antonio, após 1999, 2003, 2005 e 2007, e uma vitória dos Heat força a "negra", no mesmo local, dois dias depois.