Jornal dos Desportos

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Jean Jacques recua na história

29 de Agosto, 2014

Jean Jacques diz que Angola tinha equipa mais colectiva do que individualista no Mundial de Espanha’86

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Campeonato do Mundo de basquetebol em seniores masculinos de 1986, em Espanha, serviu para apresentar Angola ao mundo. Depois, o basquetebol nacional deixou de ser o mesmo, disse o antigo poste Jean Jacques da Conceição.

Em entrevista à Angop, onde abordou o basquetebol no passado e no presente, um dos destaques da estreia angolana disse que nesse ano a  Selecção Nacional, apesar das derrotas, mostrou que era uma selecção com quem se devia contar no futuro, tendo em conta a qualidade apresentada e o facto de se tratar de um grupo jovem.

Na sua opinião, o facto do “grosso” ter jogado junto no africano e mundial de juniores em 1982 e 86, três anos antes no mesmo país, facilitou, uma vez que já tinha experiência internacional.

“Seis a sete jogadores já tinham passado por um Campeonato do Mundo e adquiriram experiência internacional. A nossa presença nos Estados Unidos e países europeus deu-nos maturidade competitiva suficiente para jogar à vontade com qualquer equipa. Por isso, fomos bem preparados”, frisou.

Em cinco jogos na sua estreia, a Selecção Nacional averbou quatro derrotas e conseguiu uma vitória diante da Austrália (74-69), naquela que foi a primeira numa competição do género. No entanto, Jean Jacques avaliou como positiva a prestação angolana, uma vez que deixou bons indicadores.

“Foi a nossa introdução no mundo do basquetebol. Até então ninguém dava importância a Angola, mas depois dizia-se que havia muita juventude na equipa e que daí iam sair jogadores com qualidade. E saíram mesmo”, recordou.

Na segunda presença, na Argentina em 1990, Angola foi já para competir, segundo Jean Jacques, que destacou o jogo colectivo como principal “arma” do grupo, liderado tecnicamente, mais uma vez, por Vitorino Cunha.

Apesar da experiência trazida do campeonato anterior e das expectativas que se criaram, a Selecção Nacional perdeu na primeira ronda frente à Jugoslávia por 79-92. Jean Jacques justificou a derrota com o poderio competitivo do adversário, considerado na altura uma das melhores selecções do mundo.

“Perdemos na abertura com a Jugoslávia, a melhor selecção da Europa. Tirando a União Soviética, era a melhor em termos de qualidade e tinha um base que fazia diferença, o Petrovic”.

Quanto aos jogadores que se destacaram, o antigo poste do 1º de Agosto, Portugal Telecom e Sport Lisboa e Benfica destacou o desempenho de José Carlos Guimarães, Aníbal e Zezé Assis. “Tínhamos uma equipa que não era de grandes figuras individuais, mas muito forte colectivamente, embora eu e o Zé Carlos fizéssemos alguma diferença, modéstia à parte”, sublinhou.

Jean Jacques, que também representou o Málaga (Espanha) e o Limoge (França), não destacou nenhum momento seu durante os anos que representou a Selecção Angolana, justificando que todos foram marcantes, mas em épocas diferentes.

“É impossível marcar um só momento, porque eu costumo dizer que cada campeonato tem um sabor, cada vitória tem um sabor, e por isso é muito difícil destacar um, porque todos eles custaram suor e sangue. Dei o meu melhor em todas as competições para engrandecer o nome de Angola”, salientou.
Depois de Espanha e Argentina, seguiram-se os mundiais de 1994 (Canadá), 2002 (Estados Unidos), 2006 (Japão) e 2010 (Turquia). Porém, Jacques, que também já foi vice-presidente da Federação Angolana de Basquetebol, participou apenas até ao do Canadá.

Jean Jacques da Conceição, sete vezes campeão africano (1989, 1992, 1993, 1995, 1999, 2001 e 2003), é o único africano a colocar o seu nome no ‘Hall of Fame’, galeria da FIBA-Mundo, no qual são homenageados os maiores astros da modalidade.


DESFALQUE
O peso das ausências


De entre os 12 convocados pelo técnico Mike Krzyzewski para a selecção norte-americana que, a partir deste sábado, compete no Mundial de basquetebol em Espanha, apenas Rudy Gay nasceu em 1986, ano em que os compatriotas foram campeões do Mundo na anterior fase final realizada em Espanha, derrotando a então rival União Soviética (87-85). Agora, numa prova que decorre até 14 de Setembro, o impacto económico previsto em Espanha, segundo estudo divulgado pela imprensa local, situa-se nos 325 milhões de euros.

Numa competição em que a fase inicial se reparte por quatro sedes, surgindo depois Barcelona e Madrid como cidades para as decisões, o entusiasmo concentra-se, nos primeiros dias, em duas cidades: Granada, quartel-general da anfitriã Espanha e Bilbau, cidade que acolhe a favorita selecção dos Estados Unidos - nos dois casos, os bilhetes para os jogos esgotaram há mais de um mês.

Do lado da organização, José Luís Sáez, presidente da Federação Espanhola de Basquetebol, desmultiplicou-se em afirmações de orgulho nacional e referiu que tudo estava a ser feito "com paixão e profissionalismo suficientes" para que este seja "o melhor Mundial de sempre". Sáez admite que todos sonham "com um 14 de Setembro [data da final] mágico", mas adverte: "É um erro pensar que há uma final definida, até porque outras selecções nesta fase final têm categoria. Os jogadores têm noção das possibilidades e, para já, fundamental é estar nos oitavos-de-final", sublinhou, numa tentativa de impedir a euforia à volta da ÑBA, como chamam à selecção espanhola.

Para melhorar os níveis de autoconfiança entre os espanhóis, uma das principais marcas no contingente dos Estados Unidos é a de ausências de jogadores importantes. Se atletas com a dimensão de LeBron James, Carmelo Anthony, Dwyane Wade ou Chris Bosh já estavam fora na pré-convocatória, Kawhi Leonard (San Antonio), MVP na última final da NBA, pediu para não ser chamado.


EXPECTATIVA
"É possível fazer melhor do que Japão’2006"


O secretário-geral da Associação Provincial de Basquetebol no Moxico, Issau Benjamim, destacou ontem, no Luena, a importância da mescla da juventude e veterania na Selecção Nacional de basquetebol sénior masculina, que compete a partir de amanhã no Mundial de Espanha, o que pode inspirar Angola para o alcance da sua melhor classificação de sempre (nono lugar).

“Pode voltar a fazer história, são jovens e experientes e isto dá outra qualidade ao combinado angolano que persegue a melhoria classificativa numa série que é difícil, diga-se de passagem”, começou por dizer o antigo praticante na década de 90 no Huambo.

Para si, superar o nono lugar do Japão’2006 não é tarefa fácil, basta perceber e analisar os adversários de Angola, entre os quais se destaca a Lituânia, terceiro classificado do mundial de 2010, na Turquia, no qual ainda constam adversários muito altos, como a selecção da Eslovénia e da Austrália.

Entre os novatos, destacou a integração de Yanick Moreira, poste de 2,11 metros, Edson Ndoniema e Valdício Joaquim, que dão o máximo de si para que Angola tenha a qualidade na luta entre os postes, contando com a ajuda de e maturidade de Kikas Gomes, Eduardo Mingas, Armando Costa, Milton Barros e outros.

Os adversários do grupo merecem respeito, porque o favoritismo demonstra-se no campo e não se pode qualificar o Grupo D, do qual fazem ainda parte a Coeria do Sul e o México, de acessível, como tem ouvido em discursos públicos.

Issau Benjamim manifestou contudo a sua convicção numa boa campanha, que pode mesmo superar ou igualar o nono lugar conseguido no Japão em 2006, sob orientação de Alberto de Carvalho "Ginguba". O treinador angolano ganhou a seguir o Afrobasketbol.                         
Daniel Melgas, no Luena