Jornal dos Desportos

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Kobe Bryant vai hoje a enterrar

Adrito Manuel - 24 de Fevereiro, 2020

Fotografia: DR

A NBA conserva na sua história jogadores dominantes. Os "big man" ou seja, os atletas de garrafão. Os jogadores às costas de Kobe Bryant foram os principais ingredientes dum tempero do desporto mundial com a marca NBA.
Na época 1996/1997, Black Mamba (Mamba Negra em tradução livre de português) foi draftado. Os grandalhões Kevin Garnet, Tim Duncan, Shaquille O'neal, Shawn Kemp, Charles Barkley, Patrick Ewing, Scottie Pipen, Alonso Mourning, entre outros, dominavam a liga norte-americana de basquetebol. Não menciono Michael Jordan (MJ). Esse era o tempero e a panela, onde se cozinhava. MJ foi e é a própria NBA.
Todo o tempero tem sempre um segredo. Desde 1997, um ingrediente dava bom sabor. Um gosto especial. Não se sabia bem o que era, mas revelou-se com o tempo. Se Kobe Bryant não se apelidasse Black Mamba, podia perfeitamente ser chamado "Cebola" ou "Alho". Foi a pitada do tempero que se tornou mais gostosa.
O Black Mamba foi a estrela da era pós-Jordan. Tornou a NBA mais popular a par de LeBron James nos últimos tempos. Na vida existe uma lógica universal das coisas. Não é por acaso que, na última mensagem a "Bron", escreveu: "Muito respeito meu irmão. Continue a levar o basquetebol para frente!!". É a Mamba "Mentality".
Kobe Bryant não nos presenteou apenas com o encómio ou a deferência de ser um dos melhores de todos os tempos, tampouco com a sua inteligência ou estrutura física. Ofereceu-nos muito mais tal como Jordan, LeBron, Garnett, O'Neal e outros poucos. Mamba levou o seu DNA para a NBA, grandeza espiritual, estilo e mentalidade de que tudo é possível com o trabalho. Implantou a "craqueza".
Quem viu Kobe Bryant a entrar na NBA, sabe que o "garoto" não tinha bom controlo e domínio de bola com a mão esquerda. Um ano depois, já era ambidestro. Servia-se das duas mãos. Também não era bom lançador na linha de três pontos. Tudo isso superou com a mentalidade. Um desígnio que lhe custou 10 anos consecutivos sem férias. A "mambada" foi maior do que o basquetebol com os seus programas de acção de caridade. No entanto, reafirmo que esse é "um Hall da Fama Rico".
Hoje é dia 24 de Fevereiro. A data foi escolhida por ser "um número especial". Pois, Kob Bryant usou este número na camisola enquanto jogador dos Los Angeles Lakers e a filha Gianna usou o número 2. O craque e a filha morreram no dia 26 de Janeiro de 2020, quando o helicóptero caiu numa colina perto de Los Angeles por razões desconhecidas. 
Os funerais privados de Kobe e Gianna ocorreu no Pacific View Memorial Park, em Corona Del Mar, Califórnia, no passado dia 7 do corrente, segundo Entertainment Tonight. O ex-basquetebolista deixa a mulher Vanessa Bryant e três filhas, mormente, Natália (17 anos), Bianka (3) e Capri (sete meses).

HISTÓRICO
A estrela inapagável


Kobe Bryant ganha a inspiração de jogar basquetebol por influência do seu progenitor. O desporto sempre foi o bichinho que mexia com aquele que viria a ser uma das melhores estrelas da história de basquetebol norte-americano. O seu pai Joe Bryant foi jogador de basquetebol e colega do brasileiro Oscar Schmidt, o ídolo de Kobe. A meio da carreira desportiva, Joe Bryant trocou a NBA por Itália.
A paixão de Kobe Bryant pelo desporto era de forma plasmática e intensa. Foi pela influência do futebol, nas terras de "squadra azzurra", que começou a jogar a bola. Sempre deixou claro que, se não fosse basquetebolista, via no futebol o palco das exibições fantásticas. Era fã do AC Milan e acompanhava o Calccio, campeonato italiano de futebol, com muita atenção. Um nome deixava-o feliz: Marco van Basten.
Aos 12 anos de idade, acreditou ter sucesso no basquetebol. No regresso aos Estados Unidos da América, Kobe Bryant jogou no High School Basketball, campeonato que antecipa a liga universitária.
Em 1996, especialistas achavam que estava pronto para a liga principal e entrou directamente para NBA. O trajecto não era normal na época. Os jogadores da principal liga norte-americana entram através do draft, via basquetebol universitário ou a partir dos principais campeonatos europeus e australiano.
No primeiro ano de NBA, Kobe Bryant foi seleccionado para jogar o NBA All Star Game, mesmo sendo um jogador de banco. A chamada não agradou a alguns jogadores mais consagrados. O talento do jogador de apenas 18 anos revelou-se numa jogada com passe longo de Shaquille O'Neal para Kobe Bryant. Recebe a bola em "sprint", próximo ao garrafão, faz apenas um batimento e, em 360 graus, afunda-o, deixando perplexo a assistência.
Seguiram-se outras jogadas espectaculares que mereceram grandes elogios das estrelas aposentadas como Magic Johnson, Larry Bird, Kareem Abdul Jabbar, entre outros.
Foi no campo, onde se revelavam cenas de ciúmes. Era um espanto ver Kobe Bryant a jogar que até ao final do terceiro quarto. a jovem promessa já tinha na sua conta pessoal, 18 pontos. O técnico George Karl recusou-se a colocar Kobe em campo, mesmo com o pedido da assistência. Os especialistas chegaram mesmo a afirmar que, se jogasse o último quarto, seria de certeza o MVP do Jogo das Estrelas de 1997.
Kobe Bryant vai continuar a contar a história do basquetebol através dos fantásticos números que estarão ao alcance somente de jogadores da sua dimensão.