Jornal dos Desportos

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LeBron contra-ataca Barkley

02 de Fevereiro, 2017

LeBron James está de mau humor

Com o seu Cleveland Cavaliers a realizar apresentações abaixo do nível esperado, o astro teve de ouvir críticas do ex-jogador Charles Barkley, comentarista do programa Inside the NBA, da TNT. Após a derrota da última segunda-feira para o Dallas Mavericks, LeBron rebateu Barkley e chamou-o de "hater".

"Não vou deixá-lo desrespeitar o meu legado desta forma. Não sou a pessoa que arremessou alguém da janela. Nunca cuspi em criança. Nunca tive uma dívida pendente em Las Vegas. Nunca disse 'eu não sou um exemplo a ser seguido'. Nunca cheguei ao All-Star Weekend no domingo, porque estava em Las Vegas o fim de semana inteiro em festas", atacou James em entrevista à ESPN, lembrando actos de Barkley no passado.

O MVP de 2015-2016 destacou a sua trajectória: "Tudo que fiz na minha carreira inteira é representar a NBA do modo certo. Em catorze anos, nunca me meti em confusão. Respeitei o jogo. Imprima isso".

O desabafo de LeBron vem após Barkley reclamar de declarações do extremo na última semana. Irritado com o desempenho dos Cavs, o astro falou que a equipa precisava de mais um jogador capaz de criar jogadas e destacou que vai completar 33 anos em breve e não é mais fisicamente capaz de carregar todo esse peso nas costas. A equipa perdeu quatro dos últimos dez jogos.

"Inapropriado. Reclamão. O Cleveland Cavaliers deu tudo que LeBron queria. Tem a maior folha salarial da história da NBA. Queria J.R. Smith no último verão, pagaram-no. Queria Shumpert no último verão, trouxeram Kyle Korver. É o melhor jogador do mundo. Quer todos os bons jogadores? Não quer competir? Ele é um jogador incrível. Estão a defender o título", opinou Barkley, crítico de quando LeBron deixou o Cavaliers em 2010 para se juntar a Dwyane Wade e Chris Bosh no Miami Heat.

NBA
Magic Johnson “ataca” Trump


O veto de Donald Trump à entrada de estrangeiros de sete países nos Estados Unidos causou impacto na NBA e tem sido alvo de críticas de todas as partes. Magic Johnson, ex-jogador da liga, chamou a medida de "não-americana" ao TMZ Sports e reclamou da actuação do político.

"Trump precisa aprender que não pode ser apenas um ditador. Nunca tivemos um presente assim. Sempre tivemos presidentes que aproximaram às pessoas. Isso é o que precisamos neste momento", opinou o ídolo do Los Angeles Lakers.

O antigo craque dos Lakers lamentou: "É errado discriminar as pessoas. Temos grandes amigos muçulmanos aqui, a fazer grande trabalho, sendo grandes norte-americanos. Essas decisões não representam quem somos como norte-americanos. Os nossos irmãos e irmãs que são muçulmanos ou latinos..., e até não levando nós negros com o mesmo respeito, então não é um bom momento. Não se maltrata mulheres...".

O ex-jogador disse esperar que o presidente tenha uma mudança de atitude, pois o seu comportamento na primeira semana de presidência não condiz com o cargo.

"Oro para que algo clique na sua cabeça dele ou que alguém possa entrar no gabinete e falar com ele, porque isso não é certo: parar pessoas de entrar no país. Não é quem somos", concluiu.

Magic Johnson não foi o único no meio da NBA a atacar a medida de Trump. Steve Kerr, técnico do Golden State Warriors, e Gregg Popovich, do San Antonio Spurs, mostraram-se completamente opostos ao veto a muçulmanos.

Kerr, que teve o pai assassinado no Líbano em 1984 por terroristas, disse que a decisão de Trump pode agravar os problemas mundiais com terrorismo.

"Diria, como alguém que teve um familiar vítima de terrorismo, que se estamos a tentar combater o terrorismo por banir pessoas de virem a esse país, de ir contra os princípios desse país e criar o medo, esse é o jeito errado de abordar isso. Se estamos a fazer algo, podemos estar a cultivar a raiva e terror", opinou Kerr após a vitórias dos Warriors, sobre o Portland Trail Blazers.


Norte-americanos
“ilhados” em Dubai


Donald Trump vetou a entrada de estrangeiros oriundos de sete países por três meses e iniciou uma espécie de dominó político. Incluído na lista do presidente dos EUA, o Irão retaliou ao proibir a entrada de norte-americanos no seu território até que a Casa Branca reveja a sua postura. Por conta dos acontecimentos, dois norte-americanos, jogadores de basquetebol, podem ser impedidos de voltarem ao país de maioria muçulmana, onde actuavam como profissionais.

A notícia foi divulgada pelo site "The Vertical", que entrevistou o agente de Joseph Jones e JP Prince.
"No momento, Joseph e JP Prince estão abandonados. É uma dificuldade real. Estamos à espera de esclarecimentos da equipa. É complicado. Parece que não vão poder terminar a época no Irão. Não é bom perder o seu emprego e as coisas pessoais estão todas no Irão. Joseph Jones e JP Prince não podem voltar e pegá-las", disse o empresário Eric Fleisher.

A medida de Donald Trump atingiu sete países de maioria muçulmana: Líbia, Sudão, Somália, Síria, Iraque, Irão e Iêmen. O argumento do presidente recém-empossado é de que a medida ajudaria a combater a entrada de terroristas nos EUA, mas o veto foi recebido com duras críticas dentro e fora do país. No último sábado, o Irão anunciou que faria o mesmo com os norte-americanos.

"A República Islâmica do Irão, para defender os direitos dos seus cidadãos e até que se solucionem todas as limitações insultantes dos Estados Unidos contra os iranianos, aplicará o princípio de reciprocidade", disse o Ministério das Relações Exteriores do país em comunicado oficial em que trata a medida de Trump como "insulto flagrante aos muçulmanos do mundo" e diz que a medida fomenta a "propagação da violência e do extremismo".

Jones e Prince jogaram no basquetebol universitário dos EUA e estavam nas suas primeiras épocas na Super Liga de Basquetebol do Irão, actuando pela equipa da Universidade Azad, de Teerão. Os dois norte-americanos estavam com o resto da equipa numa viagem a Dubai, nos Emirados Árabes, quando os acontecimentos políticos se sucederam, segundo o empresário da dupla.

Fleisher disse ao The Vertical que dirigentes do clube entraram em contacto com representantes do governo iraniano, mas que há "muito pouco optimismo" com a situação.
 
NBA ESTÁ PREOCUPADA

A medida de Donald Trump ainda ameaça o desporto norte-americano de outras formas. No último fim de semana, a NBA divulgou um comunicado oficial a dizer que se sente orgulhosa dos seus jogadores estrangeiros e questionou o Departamento de Estado sobre a situação de dois jogadores atingidos pela medida. Luol Deng, dos Lakers, e Thon Maker, dos Bucks, são do Sudão, que está na lista restritiva. A liga quer saber se os dois vão ter a garantia de trânsito no país, caso tenham de viajar.

Além disso, a medida de Donald Trump também cria um obstáculo para Los Angeles, que está em plena campanha para receber os Jogos Olímpicos de 2024 e sabe que o veto pode afectar as suas oportunidades.

A reacção dos desportistas, na sua maioria, tem sido dura. Nomes como Magic Johnson, por exemplo, falaram duramente sobre o novo presidente norte-americano. Até Michael Bradley, capitão da selecção de futebol dos EUA e eleitor de Trump, retirou o seu apoio ao republicano e diz ser "envergonhado".