Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Libolo perde na abertura da Liga dos Clubes Campeões

12 de Dezembro, 2014

Recreativo do Libolo perdeu ontem na estreia da competição continental que decorre na cidade de Tunes

Fotografia: José Soares

O Recreativo do Libolo, campeão nacional, perdeu ontem com o Malabo King da Guiné Equatorial por 69-79 na partida de estreia da Taça dos Clubes Campeões Africanos de basquetebol, que decorre na cidade capital da Tunísia, Tunes. O jogo foi disputado no período da manhã, na antecedência da cerimónia de abertura.

O Recreativo de Libolo está integrado no grupo 'A' ao lado de outras formações como Club African de Tunes (Tunísia); Kano Pillars (Nigéria); Sporting de Alexandria (Egipto) e BCM Mayotte (Ilhas Seychelles).

O aparato técnico preparado por Norberto Alves foi insuficiente para vergar um adversário que representa um país com pouca imagem no basquetebol do continente. A derrota coloca a equipa do Cuanza Sul em situação de intranquilidade. O African de Tunes, a jogar em casa, assume-se como potencial vencedor da série.

O Kano Pillars, da Nigéria, e o Sporting de Alexandria, do Egipto, são tradicionais inquilinos da competição e conhecem a direcção da cesta, mesmo com olhos vendados. A vitória sobre os dois colossos do continente é uma tarefa que vai exigir do técnico Norberto Alves muita humildade.

A não participação na Taça Vitorino Cunha pode começar a cobrar à equipa de Calulo. O 1º de Agosto, Interclube e Petro de Luanda são potenciais candidatos ao título em Angola e praticam basquetebol africano. Para uma equipa que quer conquistar um troféu de uma competição Africana, a preparação deve ser no espaço ou com equipas locais.

O 1º de Agosto é outra equipa angolana que está na competição com o objectivo de manter o troféu. A equipa liderada tecnicamente por Paulo Madeira preparou-se localmente e está integrada no grupo 'B', ao lado de formações como ES Rades da Tunísia; Mark Mentors (Nigéria), US Monastir (Tunísia); ASB Mazembe (RD Congo) e ABC da Costa do Marfim.

A missão dos militares angolanos é mais difícil que a dos libolenses. Os campeões em título vão enfrentar duas equipas anfitriãs, US Monastir (Tunísia) e ES Rades da Tunísia. Perante o público, os dois conjuntos podem agigantar-se e complicar as contas dos angolanos. A missão fica mais difícil quando defrontar o ABC da Costa do Marfim e o ASB Mazembe (RDC), equipas reforçadas com norte-americanos. A equipa costa-marfinense é uma inquilina da competição, à semelhança do 1º de Agosto. Nos confrontos directos, a equipa angolana sempre venceu. 


HISTÓRICO
Angola domina Liga Africana de Clubes


O domínio dos clubes angolanos no basquetebol africano, à semelhança da Selecção Nacional, há muito se tornou inquestionável dentro e fora do continente, apesar da resistência de formações cujos países outrora se consideravam tradicionais, como ABC, ASEC Mimosas, ambos da Costa do Marfim, ASFA do Senegal, Zamalek do Egipto e o “aspirante” tunisino Etoil Sportif do Sahel (ESS).

A clara evidência está “plasmada” em nove títulos nas últimas 11 edições da Liga de Clubes de África. O 1º de Agosto colecciona oito e o Petro de Luanda um (2006), durante mais de uma década bastante negra para os demais oponentes, dos quais somente o ABC, em 2005, e o ESS (2011) ousaram interditar os angolanos.

Após ter ganho o seu primeiro troféu em 2002, em Luanda, os “militares” do “Rio Seco” facilmente chegaram ao sucesso na edição de 2004. Conheceram um interregno nos dois anos seguintes e posteriormente chamaram a si quatro títulos consecutivos (2007, 2008, 2009 e 2010), dissipando eventuais dúvidas sobre a hegemonia em África.

Detentor do ceptro, obtido o ano transacto em Sousse (Tunísia), o 1º de Agosto havia ganho também em 2012 e apresenta-se, juntamente com Recreativo do Libolo, como um dos principais candidatos ao título da 29ª edição do torneio que ontem arrancou na capital tunisina.

As equipas angolanas lideram as estatísticas com um total de 18 presenças em finais. O 1º de Agosto tem 11, Petro de Luanda seis e Interclube uma. Dos clubes mais representativos da prova, os agostinos aparecem com 12 e os petrolíferos nove, seguidos do ABC da Costa do Marfim (seis), Kano Pillars da Nigéria, Inter de Brazzaville do Congo e Stade Malien, do Mali, com cinco cada.

No total de finais, as equipas do Senegal somam nove, do Egipto sete, da Costa do Marfim seis, ao passo que a República Centro Africana (RCA) e Tunísia três cada.

Dos registos constam ainda cinco vice campeonatos para a formação do “Eixo-viário”, três para os “rubro-negros” e um para o Interclube, enquanto o Atlético Sport Aviação (ASA) conseguiu por duas vezes o terceiro lugar, o 1º de Agosto e o Libolo uma cada.

A supremacia do basquetebol nacional é extensiva à lista de jogadores mais valiosos (MVP) desta competição, cuja primeira edição remonta a 1972. Só mais tarde se começou a olhar para esta distinção.

MVP 
2002 - Abdel Bouckar (Angola)
2005 –Stephane Konaté
(Cote d’Ivoire)
2006 – Milton Barros (Angola)
2007 – Olímpio Cipriano (Angola)
2008 – Kikas Gomes (Angola)
2009 – Vladimir Ricardino
(Angola)
2010 – Kikas Gomes (Angola)
2011 – Makrem Ben Romdhane (Tunísia)
2012 – Carlos Morais (Angola)
2013 – Cedric Ison (americano
1º de Agosto/Angola).