Jornal dos Desportos

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López contrariado contra o Senegal

Melo Clemente - 13 de Agosto, 2015

Torneio Internacional de Santander vai encerrar o ciclo de jogos de controlo antes de rumar para o palco do Afrobasket

Fotografia: José Cola

O seleccionador nacional, Moncho López, preferia defrontar a similar do Senegal apenas na fase da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, competição a decorrer de 19 a 30 do mês em curso, na cidade portuária de Radés, Tunísia.Senegal, penta campeão africano, a par do Egipto, figura no Grupo B da fase preliminar da 28ª edição do Afrobasket, juntamente com as selecções de Angola, Marrocos e Moçambique, este último adversário de estreia do combinado nacional na aludida competição, isto no dia 20 do mês em curso, a partir das 21h00.

A revelação foi feita ontem, ao Jornal dos Desportos, pelo técnico espanhol contratado pela direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FABA) a fim de reconquistar o título africano e, consequentemente, assegurar a sexta presença de Angola em Jogos Olímpicos, depois de participar nas edições de Barcelona1992, Atlanta1996, Sidney2000, Atenas2004, e Beijing2008.

“Honestamente, preferia não jogar contra o Senegal no torneio internacional de Santander; não queria mesmo, mas, a organização da prova assim decidiu e temos de aceitar”, desabafou o seleccionador nacional. Apesar desta “contrariedade”, Moncho López assegurou por outro lado, que vai defrontar a selecção do Senegal com todas as suas “armas”, tendo no entanto, manifestado a sua preocupação em face do pouco tempo que resta para o início da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações, prova selectiva aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Brasil, em 2016. 

“Vamos defrontar o Senegal com as nossas armas, mais é impossível tirar da cabeça o pensamento de precaução por que apenas nove dias depois voltaremos a jogar em competição oficial. Mesmo assim, não vamos esconder nada”, revelou o seleccionador nacional.Hoje, a Selecção Nacional realiza mais uma sessão de treino, virada essencialmente para o trabalho de recuperação, depois de ter defrontado ontem o Misto da Florida, naquele que foi o oitavo jogo de controlo, na projecção do africano da Tunísia. Entretanto, o seleccionador nacional reiterou mais uma vez, que a equipa técnica está a trabalhar arduamente para colocar o grupo em perfeitas condições, quer físicas, quer atléticas para a conquista da coroa africana.

“Estamos a trabalhar para que Angola se apresente como uma equipa mais rápida, mais dinâmica, capaz de procurar boas soluções sem reduzir a velocidade de jogo, explorando as qualidades atléticas do grupo. Angola historicamente foi sempre uma selecção muito intensa a defender e rápida quando recupera a posse de bola”, disse.Moncho López disse por outro lado, que o  actual grupo não é tão veloz.

“Este grupo não me parece tão veloz e quero estimular os atletas a serem mais dinâmicos no jogo ofensivo, muito mais rápidos nas transições. Esta exigência por aumentar o ritmo de jogo, é óbvio, deve sustentar-se numa boa condição física, mas também na vocação e gozo do atleta por ir ao limite da sua capacidade física quando está em campo”, disse.

A Selecção Nacional segue amanhã, sexta-feira, para Santander, onde vai competir no torneio internacional, prova a decorrer de 15 a 16 do mês em curso.Angola vai disputar a fase preliminar do Afrobasket da Tunísia, incorporada no Grupo B, juntamente com Moçambique, com quem se estreia no dia 20 do mês em curso, Senegal e Marrocos. Tunísia, país anfitrião, encabeça o Grupo A, com as similares do Uganda, Nigéria e República Centro Africana. Egipto, penta campeão africano, à semelhança do Senegal, faz parte do Grupo C, com Gabão, Mali e Camarões, ao passo que Costa do Marfim, Cabo Verde, Argélia e Zimbabwe estão no Grupo D.

AFROBASKET
XIX EDIÇÃO

Duas décadas depois de ter organizado o “Afrobasket”, o Senegal voltou a acolher a competição em 1997. Já não ganhava há 17 anos e tinha deixado de ser a principal referência do continente, embora com alguma frequência no pódio. Contudo, pelo histórico recente, Angola era a principal candidata ao título neste campeonato que contava com duas estreias, mormente, Cabo Verde e África do Sul, esta acabada de ser readmitida no concerto das nações após o fim do Apartheid.

A prova prometia níveis de disputa altíssimos, pois iam competir todos os campeões continentais, com excepção de Marrocos. A contar com o factor casa, o Senegal não permitiu que Angola erguesse o quinto título no seu solo, afastou o  adversário nas meias-finais. Na final, bateu a Nigéria, consagrava-se como “grande” no continente.

País-Sede: Senegal. Data: 25 de Julho a 03 de Agosto de 1997
Campeão: Senegal
Participantes (9): Senegal, Nigéria, Angola, Mali, RCA, Mali, Cabo Verde, Costa do Marfim e África do Sul.

XX EDIÇÃO

Angola chamou a si novamente a organização, que acontecia pela segunda vez, 10 anos depois. O objectivo era reconquistar a primazia no continente, a que já estava habituado e que fazia há uma década.A jogar em casa e com uma das equipas mais fortes da sua história em “Afrobasket’s”, Angola não deixou os créditos por mãos alheias, superou de forma olímpica a concorrência, num dos poucos campeonatos que não teve estreia, mas houve muitas surpresas como a do Senegal que acabou em sétimo. Foi uma das maiores conquistas de Angola, que erguia o quinto troféu da sua história e igualava o Egipto e Senegal nesta matéria.

País-Sede:
Angola. Data: 29 de Julho a 6 de Agosto de 1999
Campeão: Angola
Participantes (12): Angola, Nigéria, Egipto, Mali, Tunísia, Argélia, Senegal, Costa do Marfim, Cabo Verde, Moçambique, Marrocos, África do Sul.
 
XXI EDIÇÃO
Uma vez mais o campeonato decorreu em “terras de ninguém” em relação aos principais aspirantes ao título. O Marrocos, uma vez campeão no longínquo ano de 1965, não era  uma selecção que ameaçava as poderosas Angola, Egipto, Nigéria e Senegal. Por isso, era difícil vaticinar o campeão, apesar de a reconquista do título ter dado muito valor anímico à selecção de Angola, que era a principal candidata. Das poucas vezes que todos os campeões continentais se reuniam, era para abordar o primeiro lugar do “Afrobasket”, o que fazia pressagiar briga séria. Mas, apesar de um pequeno percalço frente à Argélia na primeira fase, Angola ergueu o troféu pela sexta vez, superando países com histórias mais longas no “Afrobasket”, tais como os “incontornáveis” Senegal e Egipto. Angola passa a reinar em matéria de títulos conquistados.

País-Sede
: Marrocos.
Data: 04 a 12 de Agosto 2001
Campeão: Angola
Participantes (12): Angola, Argélia, Egipto, Tunísia, Nigéria, Marrocos, Senegal, Costa do Marfim, RCA, Moçambique, Mali e África do Sul.
 
Reconhecimento
Técnico destaca dinâmica da federação


O técnico Moncho López destacou o dinamismo que a direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), na pessoa do seu presidente, Paulo Alexandre Madeira, tem demonstrado nas resoluções de questões relacionadas com a Selecção Nacional, que cumpre a etapa derradeira do seu estágio pré-competitivo no Reino de Espanha.O seleccionador nacional fez esta revelação quando se debruçava sobre a viagem do combinado nacional, que deve deixar o território espanhol na próxima segunda-feira, dia 17, com destino a Tunísia, local da disputada da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket.

“A direcção da federação na pessoa do seu presidente Paulo Madeira tem feito um esforço muito grande em satisfazer os meus pedidos na organização das viagens. Portanto, a alternativa era um duro percurso por estrada de Santander a Lisboa de noves horas para depois voar para a Tunísia . Estou muito agradecido por ter evitado expor os atletas a uma viagem tão cansativa”, reconheceu o seleccionador nacional.

No Campeonato Africano da Tunísia, Angola vai em busca do décimo segundo troféu continental, depois de ter conquistado as edições de 1989, 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009 e 2013. Nas últimas treze edições do Afrobasket, a Selecção Nacional conquistou nada mais, nada menos, do que onze títulos africanos, sendo por isso, a nação mais titulado do continente africano e do mundo, seguido do Senegal e Egipto, finalista vencido da edição passada, ambos com cinco troféus cada.