Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Macedo garante grupo com força

Melo Clemente - 28 de Agosto, 2014

Seleccionador nacional acredita na passagem à fase seguinte da 17ª edição do Campeonato do Mundo

Fotografia: José Cola

Mesmo com algumas fragilidades, principalmente, na ineficácia da posse de bola, o seleccionador nacional  Paulo Macedo  garantiu que a Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculino está preparada para disputar a partir de sábado, a fase final da  17ª edição do Campeonato do Mundo, prova a decorrer até ao dia 14 de Setembro, em Espanha.

A revelação foi feita à comunicação social na última terça-feira, no Pavilhão Multiusos do Kilamba, no encerramento da I edição do Torneio Internacional Arquitecto da Paz, competição onde o “cinco” nacional conseguiu duas vitórias.

Os Campeões Africanos venceram na jornada inaugural do torneio, o All Star da Califórnia, por 80-54 e na derradeira ronda, os pupilos de Paulo Macedo venceram a selecção dos Camarões, de Lazare Adingono, por 74-55.

O Torneio Internacional Arquitecto da Paz encerrou o ciclo de jogos de controlo do combinado nacional, que nesta altura se ambienta ao clima da cidade de Las Palmas, palco do grupo D da fase preliminar da 17ª edição do Campeonato do Mundo da “bola ao cesto”.
Apesar dos 15 amistosos que efectuou, a Selecção Nacional continua a apresentar algumas fragilidades no que a posse de bola, insuficiência que o seleccionador nacional tenciona trabalhar nos dias que antecedem à disputa do mundial.

“Penso que foram dois bons jogos que serviram para a equipa técnica fazer a última avaliação do grupo. No primeiro jogo não estivemos tão bem assim, devido a ineficácia na posse de bola. Na segunda partida o grupo apareceu com outra postura, melhoramos a nossa percentagem nos lançamentos à longa distância, controlamos melhor a posse de bola e no sector ofensivo tivemos impecável”, reconheceu o seleccionador nacional.

Apesar de existirem algumas insuficiências, com realce para os aspectos de ordem defensiva, aliado ao excesso de perda de bola, a Selecção Nacional está preparada para competir.

“Nós até ao dia da estreia vamos procurar debelar todas estas insuficiências. Depois do período longo de preparação acredito que estamos em condições de disputar de forma tranquila a fase final do Campeonato do Mundo de Espanha”, asseverou Paulo Macedo.   

A Selecção Nacional está inserida no Grupo D, com sede em Las Palmas, Gran Canária, ao lado das selecções da Lituânia, Eslovénia, Coreia do Sul, adversário de estreia, no dia 30 a partir das 12h30, México e Austrália.

A Espanha país anfitrião do Campeonato do Mundo faz parte do Grupo A, juntamente com o Egipto, outro representante do continente africano, Irão, Sérvia, França e Brasil. As selecções da Argentina, Senegal, medalha de bronze do Afrobasket de 2013, Filipinas, Croácia, Porto Rico e Grécia estão inseridas no Grupo B, ao passo que Estados Unidos, Finlândia, Nova Zelândia, Ucrânia, República Dominicana e Turquia estão no grupo C. Os Estados Unidos são os actuais campeões do mundo.


JOGOS DE CONTROLO
Campeões terminam com saldo positivo


A Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculino efectuou 15 jogos de controlo durante o período de estágio pré-competitivo, com vista a 17ª edição do Campeonato do Mundo de Espanha, prova a decorrer de 30 do mês em curso a 14 de Setembro, terminou com um saldo positivo de dez vitórias, contra apenas cinco desaires.

Os Campeões Africanos  vão marcar presença pela sétima vez numa fase final de um Campeonato do Mundo, depois de 1986/Espanha, 1990/Argentina, 1994/Toronto-Canadá, 2002, Indianápolis (EUA), 2006/Japão e em 2010/Turquia, em 15 partidas disputadas anotaram mil e cento e sete pontos (1107), o que representa uma média de 73, 8 pontos marcados por cada desafio, tendo sofrido mil e oitenta e nove pontos (1089), fixando uma media de 72, 6 pontos sofridos por cada embate.

A Selecção Nacional esteve muito próximo de alcançar a média de pontos sofridos que o seleccionador traçou por altura do arranque dos trabalhos de preparação. Paulo Macedo tinha estabelecido uma média de 70 pontos por cada desafio.

No Torneio Internacional de Alexandria ainda com o grupo reduzido, a Selecção Nacional derrotou as selecções da Egipto, Tunísia e Jordânia, por 72-59, 62-56 e 75-67 respectivamente. Bateu igualmente a formação do Kuwait, por 95-67, perdeu com Etthad do Egipto, por 72-73, após prolongamento, depois de um  empate a 66 pontos. Na República Federativa do Brasil, Angola consentiu duas derrotas diante das selecções do Brasil e da Argentina, por 60-98 e 77-86.

Diante da forte selecção de Espanha, o combinado nacional  perdeu por 70-79, seguiram-se  os desaires frente ao Canada e Porto Rico, por 65-89 e 64-95.

O combinado nacional venceu ainda as Filipinas, País Basco e a Universidade Loyola, por 81-71, 80-77 e 80-63.
M.C


HISTORIAL IV
Espanha “baptiza”
Selecção Nacional


Numa altura em que basquetebol angolano se afirmava no continente africano, desde os escalões de formação até aos seniores na classe masculina, isto na década 80, a Selecção Nacional marcava a sua estreia em 1986 na Espanha, numa fase final de um Campeonato do Mundo,  mais concretamente na cidade de Ferrol.

Angola participava da maior cimeira desportiva mundial, a nível da “bola ao cesto”, mercê do Will Card (convite) que recebeu do organismo que tutela a modalidade no mundo, no caso a Fiba-Mundo.

Nomes como José Carlos Guimarães, Manuel de Sousa “Necas”, Aníbal Moreira, Gustavo da Conceição, Paulo Macedo, Josué Campos entre outros, fizeram parte do grupo que disputou em 1986 o primeiro Campeonato do Mundo.Diante da selecção de Cuba, José Carlos Guimarães, na altura uma das melhores unidades da Selecção Nacional quebrou o metatarso da mão esquerda, tendo terminado de forma prematura a sua participação no certame.

A décima edição da prova conheceu ainda a estreia da Grécia, Países Baixos, República Federal da Alemanha, Nova Zelândia e Malásia. Depois de ter participado como convidado em 1986, a Selecção Nacional participava por direito próprio no Campeonato do Mundo de 1990, prova disputada na Argentina. Angola conseguiu o passe em virtude de ter ganho o Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, de 1989. Para não variar, os angolanos voltaram a estar presentes no Campeonato do Mundo 1994, no Canadá, falharam a edição de 1998. 

O combinado regressou às provas mundiais em 2002, seguiram-se as participações de 2006 e 2010.
Estados Unidos da América superiorizou-se entre as 24 nações e conquistou o título de campeão mundial. União Soviética e Jugoslávia completaram o pódio.

Para a 11ª edição, o Campeonato Mundial voltou a suas raízes na Argentina, onde  40 anos antes  a primeira competição foi realizada em Buenos Aires em Luna Park.

 Mais uma vez os Estados Unidos pareciam ter esquecido a lição dos Jogos Olímpicos de Seul. Eles estavam visivelmente sem saber que a sua margem de segurança com o resto do mundo tinha sido iludida pelo progresso de determinados países europeus. Eles enviaram uma equipa que estava longe de ser a mais representativa, apesar da presença de jogadores como Alonzo Mourning, Kenny Anderson e Billy Owens. Jugoslávia venceu a prova, seguido da União Soviética e EUA.
M.C