Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Mescla de juventude e veterania ditam sucesso

Antnio Ferreira - 16 de Setembro, 2019

Fotografia: DR

Bye bye China”. Eis-nos, chegados ao final da meta, do Mundial FIBA mais mediático da última década, o décimo-oitavo do calendário oficial de competição, que contas feitas, o diferencial entre a liga norte-americana e as demais, com Espanha, Argentina, Austrália, França, Brasil, Tunísia, Sérvia, República Checa, Polónia e Nigéria, como excelentes exemplos de renovação e rejuvenescimento.
Da China, país organizador da compita recém-terminada, os profissionais da Comunicação Social têm má memória, face às péssimas condições de trabalho, às restrições no seu desempenho, cortes constantes do sinal de internet, bloqueio dos diferentes motores de busca, enfim, uma “desordem no circo”nunca vista em competições desta índole, em pleno século XXI e num país de primeira grandeza.
No que tange a competição, não é demais deixar aqui expresso o reconhecimento ao desempenho da “armada africana”, pese alguns resultados desnivelados, mas que acabaram por não comprometer os seus objectivos, excepção a Costa do Marfim e do Senegal, que não venceram nenhum prélio.
No cômputo geral, Angola, Nigéria e Tunísia, por ordem alfabética para não ferir quaisquer susceptibilidades, conseguiram triunfos na prova, um facto inédito para as equipas africanas, nesse particular, cujo destaque vai mesmo para Tunísia (79-67, Irão, 86-67, Filipinas e 86-84, Angola) e Nigéria (108-66, Coreia do Sul, 83-66, Costa do Marfim e 86-73, China), com um pecúlio de três triunfos cada uma, respectivamente.
A China, país organizador, a par dos EUA, foram as grandes decepções da prova, que regista o ascendente da Polónia, de Montenegro, República Checa, República Dominicana e Irão, isso sem desprimor para as demais, cujo perfil competitivo merece essa honra, conquanto fizeram a transição mantendo os níveis de prestação na mediana e da classificação final conseguida.
Mas as honras vão inteirinhas para a Espanha, campeã mundial em 2006 e a Argentina, vice-campeã mundial em 2002, em terras do Tio Sam, com a festa do ceptro a pertencer à Sérvia, na prova que teve como cenário a cidade de Indianápolis. Argentina e Espanha, por ironia do destino, as finalistas do Mundial FIBA 2019 fizeram a renovação, mantendo uma mescla de veterania e juventude, que lhes permitiu um percurso ganhador a atingir o topo da hierarquia mundial.
A “importação” de jogadores da NBA fortaleceu o ADN técnico-táctico de ambas, sem alterações de monta na chamada de jogadores às selecções nacionais, devolvendo tranquilidade ao trabalho das equipas técnicas, que fizeram da situação o trampolim para uma evolução natural e sem traumas infra ou extra balneário.
À guisa de exemplo, a Argentina de 2002 aos dias que hoje procedeu a uma viragem de 360 graus, permanecendo na selecção vice-campeã de Indianápolis apenas Luís Scola, 39 anos de idade, e que soma na sua conta pessoal o recorde de participações, agora na casa dos cinco mundiais.
Campeã mundial em 1950, a Argentina apostou em Sérgio Hernández, o técnico  mentor desta revolução promoveu jogadores, que poucos davam um vintém de sucesso, casos de Agustin Cafarro, Luca Vildoza, Facundo Campazzo, Nicolás Laprovittola, Nicolas Brussino, Máximo Fjellerup, Marcos Delia, Gabriel Deck, Lucio Redivo, Patrício Garino e Tayavek Gallizzi, uma selecção jovem, com média de 26 anos de idade e 2,05.
A Espanha, que no Mundial FIBA 2019 não contou com os préstimos de Paul Gasol, afastado por lesão, mantém dois campeões mundiais de 2006, Rudy Fernández e Marc Gasol, as estrelas mais cintilantes desta formação, juntando-se a estes Ricky Rubio, um exímio jogador com médias de fazer inveja a qualquer mortal.
O Irão e a China têm larga margem de progressão, a Nigéria com um trabalho de profundidade e sem os tropecilhos a que nos tem habituado em vésperas de competições, pode ombrear com as selecções do topo, o mesmo dir-se-á da Tunísia, Polónia, que procura regressar aos tempos áureos, bem como a República Checa, Sérvia, Austrália e Brasil.Uma última palavra para os bravos rapazes da Austrália, que se bateram com galhardia e por uma unha, passe a expressão, deixaram escapar a presença na final, ao perderam diante da Espanha, após dois prolongamentos.
Austrália, um bom exemplo para Angola, que de “cliente” passou a “patrão”. Lembram-se das pancadas que levaram de Angola? O trabalho abriu um fosso e acredito piamente que em dez prélios perdemos dez.

NOMEAÇÕES 
Fundação FIBA tem novo presidente


O ex-presidente da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA), o argentino Horácio Muratore, é desde sábado último, o novo presidente da Fundação Internacional de Basquetebol (IBF). Reunido em Pequim, China, o Conselho Central aprovou a nomeação de Muratore, que substitui no cargo o Xeique Saud Ali Al-Thani do Qatar.
Reagindo à nomeação, Horacio Muratore, em declarações ao site da FIBA, mostrou-se  satisfeito por assumir esse novo papel no IBF. “O desporto é uma ferramenta poderosa e o IBF causou um grande impacto em inúmeras comunidades em sua curta história. O meu objectivo é continuar ainda mais esse óptimo trabalho com novas oportunidades, promovendo sempre os valores e a herança do basquetebol”.
A IBF é o braço social, educacional e legado da FIBA que aborda o papel do desporto e, particularmente, do basquetebol na sociedade, preservando e promovendo os valores da modalidade e a sua herança cultural.
Fundada em 2008, a Fundação INF tem actualmente 15 projectos em andamento em todo o mundo, que também incluem o mini-basket e três contra três.
A reunião do Conselho Central elegeu o bureau executivo para o quadriénio 2019-2023, à saber: Horácio Muratore (Argentina)-presidente,  Pedro Ferrandiz (ESpanha)-presidente honorário, George Vassilakopoulos (Grécia)-vice-presidente e Manfred Ströher (tesoureiro/vice-presidente).O Conselho Central procedeu também a nomeação dos membros efectivos, nomeadamente Hamane Niang (Mali), Andreas Zagklis (Grécia), Ingo Weiss (Alemanha), Burton Shipley (Nova-Zelândia), Eduardo Bazzi (Argentina), Jean-Michel Ramaroson (Madagáscar), Shaikh Isa bin Ali bin Khalifa Al Khalifa (Burnei), Kiyofumi Tamiaki (Japão) e Xu Pin (China).
A Fundação Internacional de Basquetebol (IBF) foi fundada em 2008 pela Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) e tem como tarefa desenvolver nos campos da construção da comunidade, educação, empoleiramento das mulheres, saúde e bem-estar, além da resolução de conflitos.
Os programas são iniciados pela IBF e implementados em parceria com as federações membros da FIBA, ONGs e parceiros locais, com o objectivo de apoiar a colaboração entre os actores locais e impulsionar o crescimento económico nas regiões relevantes.