Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
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Missão espinhosa

17 de Julho, 2012

O empate (0-0) do 1º de Agosto diante do Kabuscorp do Palanca, na jornada do fim-de-semana, causou alguma inquietação no seio da família agostina. Pois, sendo esta a equipa que está em melhores condições de fazer frente ao Recreativo do Libolo, sem desprimor para as outras, não é salutar o abismal fosso pontual que passa a separá-la do líder. No seio do clube do Rio-Seco quase se agitaram as águas, com discursos não muito simpáticos, embora sem nunca apontar o dedo crítico à equipa técnica.

Na verdade, as matemáticas complicam-se. Mas, na lógica de que “saber esperar é uma grande virtude”, tudo ainda é possível para os militares, desde que privilegiem o optimismo em lugar do pessimismo, mantenham o mesmo ritmo de trabalho e coloquem acima de todos outros caprichos o seu espírito ganhador. É um dado adquirido que, apesar de tudo, para Romeu Filemon e muitos dos seus pupilos, a luta pelo título se mantém acesa até ao fim do campeonato, prometendo dar o tudo por tudo já a partir da próxima jornada, terceira da segunda volta, em que têm pela frente o Progresso do Sambizanga.

Afinal, no desporto, ninguém se deve render à derrota de ânimo leve, salvo em situações de extrema complexidade, em que, a páginas tantas, o homem se veja mais fadado ao fracasso do que à glória. Deve-se lutar até ao limite na perseguição do objectivo definido e, em última instância, na valorização da própria competição. Vejamos que, no caso do 1º de Agosto, atirar a toalha ao tapete, tão só por se sentir abatido pelo desânimo, significa deixar o Libolo fazer o resto da prova folgadinho, o que retiraria alguma graça à própria competição. Pois, para o ASA e Petro, o título, queiramos ou não, vai se tornando já uma miragem.

O 1º de Agosto precisa de acreditar que ainda pode chegar à liderança do campeonato. Não é tarefa fácil, mas também não é algo impossível. Em termos matemáticos, continua a ter o caminho aberto. Precisa apenas de assumir uma postura ganhadora, evitar o desperdício de pontos e aproveitar ao máximo os deslizes - embora estes dificilmente aconteçam - do Recreativo do Libolo. Em 2007, o próprio 1º de Agosto perdeu o campeonato a favor do Interclube sem saber como, pois, chegou a reunir na prova um coeficiente pontual muito acima do clube da Polícia. Mas, a crença e o estoicismo da equipa a mando do Carlos Mozer na época, foi determinante.

Por tudo isso, pensamos não estar ainda nada perdido. Que a empreitada se torna difícil a partir de agora, disso não ousamos duvidar, mas há que ter em conta que para frente vêm ainda 13 jornadas, capazes de decidir muita coisa e quiçá inverter o quadro actual.