Jornal dos Desportos

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Melo Clemente - 14 de Setembro, 2017

Hendecacampeões africanos ajustam contas no Pavilhão de Rade

Fotografia: kindala Manuel - Tunís | Edições Novembro

Final antecipada. É o que pode dizer-se do confronto que  coloca frente a frente às selecções de Angola e do Senegal, a partir das 20h30, no magnífico Pavilhão de Rades, na partida que marca o encerramento dos quartos  de final da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, que termina no sábado com a disputa da grande final.

O desafio entre angolanos e senegaleses vai servir certamente, para um ajuste de constas já que em 2015, na 28ª edição do Afrobasket,  disputada curiosamente na Tunísia os compatriotas de Gorgui Dieng atleta que milita na Liga Norte-Americana de Basquetebol, a famosa NBA superaram os  hendecacampeões africanos por um ponto de diferença (74-73).

Passados dois anos, angolanos e senegaleses voltam ao duelo em solo tunisino, desta vez, para os quartos de final da 29ª edição do Afrobasket, que contou com a participação de 16 nações, subdivididas em quatro grupos, de quatro equipas.O seleccionador nacional Manuel Silva "Gi", na altura um dos adjuntos do espanhol Moncho López, procura alcançar a primeira vitória diante de um "monstro" africano e manter acesa a chama da reconquista do anel continental.

Ontem, o combinado nacional inspeccionou o rectângulo de jogo, que doravante vai acolher as partidas do segundo turno da aludida competição.
Durante hora e meia, Manuel Silva "Gi" ensaiou vários diagramas defensivos e ofensivos para contrapor as acções dos senegaleses que estão fortemente apostados na conquista do seu sexto troféu, terminando com um jejum que perdura há 20 anos.

A última vez, que a selecção do Senegal venceu um título africano foi no longínquo ano de 1997, altura em que albergou a competição.
Clinicamente, o grupo respira saúde e vai contar com todas as suas principais unidades para o embate desta noite, que se espera equilibrado a julgar pelo potencial das duas selecções.

Apesar de realizar uma má fase regular, relegado para o segundo lugar pela similar de Marrocos, a equipa de Manuel Silva "Gi" acredita que pode dar resposta positiva frente ao Senegal."A fase preliminar ficou para história. Agora, temos de pensar no presente. E o presente é o Senegal. Portanto, tenho a certeza absoluta que vamos aparecer no jogo com uma outra postura, porque queremos estar na final e vencer a competição", reiterou o comandante dos hendecacampeões africanos.

 Entretanto, do lado do Senegal não se pensa noutra coisa, senão em repetir a proeza da edição de 2015, em que ultrapassaram o seleccionado de Angola. O pensamento do grupo veio do capitão Gorgui Dieng, dois metros e onze centímetros de altura, jogador que milita na formação do Minnesota Timberwolves da NBA.

"Angola é sempre Angola, seja em que circunstância for. Independentemente de terem ocupado o segundo lugar do seu grupo, é sempre um perigo para qualquer adversário. Estamos bem preparados para vencer Angola à semelhança do que aconteceu em 2015", vaticinou uma das melhores unidades do Senegal, que persegue o seu sexto troféu continental.Angola lidera o ranking de selecções mais tituladas em África, um factor  que impulsiona  os adversários. Hoje, abre-se mais uma frente para os angolanos.

Apoio incondicional
Estudantes angolanos estão mobilizados


Ao contrário do que aconteceu em Dakar, onde se disputou a fase preliminar da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, que contou com pouco menos de uma dúzia de apoiantes, na Tunísia, a Selecção Nacional de basquetebol em seniores masculinos vai receber o apoio incondicional de mais de seis dezenas de estudantes residentes na capital tunisina. A claque vai apoiar o cinco nacional, rumo à conquista do 12º troféu continental.

O facto foi revelado ontem à reportagem do Jornal dos Desportos por Pedro Matamba Ebo, de 24 anos de idade, estudante do terceiro ano do curso de Gestão e Administração. É um dos responsáveis máximos da claque que está totalmente mobilizada para o desafio a partir das 20h30 no magnífico Pavilhão de Rades.

De acordo com o jovem estudante, o número de apoiantes pode subir por estarem a fazer campanhas de sensibilização junto de outras comunidades, com realce para os guineenses, cabo-verdianos e moçambicanos."Nós, estudantes angolanos residentes na Tunísia, decidimos organizar-nos e formar uma forte claque de apoio para a  nossa selecção nacional, que hoje enfrenta um adversário extremamente difícil. A selecção vai precisar do nosso apoio, razão pela qual estamos mobilizados.

A partir do momento que sabíamos da transição da nossa selecção para a segunda fase da competição, começamos a fazer trabalhos de sensibilização junto das comunidades de guineenses, cabo-verdianos e moçambicanos no sentido de apoiarmos os hendecapeões", disse. Depois da experiência vivida em 2015, aquando da disputa da 28ª edição do Campeonato Africano das Nações, prova em que os angolanos ficaram em segundo lugar, depois de perder na final frente aos nigerianos, por 65-74, os estudantes não queriam deixar de participar da festa da "bola ao cesto".

"Nós em 2015, tivemos uma experiência fantástica. E, como a Tunísia, foi mais uma vez escolhida para albergar este evento tão importante, também decidimos formar esta claque para apoiar a nossa selecção nesta ponta final da competição", reiterou.O espírito patriótico falou mais alto na hora da criação da avalanche de apoio aos hendecacampeões africanos.

"Esta foi uma iniciativa nossa. Portanto, o espírito patriótico acabou por falar mais alto. Sentimos o orgulho do país que temos. Eter aqui a nossa selecção constitui motivo de grande orgulho, por isso, estamos preparados para empurrar Angola até à consagração do título africano", augurou Pedro Matamba Ebo, "antigo" morador do bairro Mártires.

Rades
Duelo magrebino


As selecções de Marrocos e do Egipto defrontam-se hoje, a partir das 13h00, no Pavilhão de Rades. A partida  marca a abertura dos quartos de final da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações de basquetebol em seniores masculino, vulgo Afrobasket.Marroquinos e egípcios vão proporcionar, à hora do almoço, um duelo magrebino, que se espera  emotivo, sobretudo, pela rivalidade existente entre as duas nações ao nível da "bola ao cesto".

Os marroquinos superaram os angolanos na fase preliminar e asseguraram o primeiro lugar do Grupo B com seis pontos, contra cinco dos angolanos. Estão com os níveis de confiança em alta para o embate desta tarde.Em declarações à comunicação social,  Said El Bouzidi, técnico da selecção de Marrocos, não escondeu o desejo de suplantar esta tarde o seu rival.

"Nós respeitamos todas as selecções com quem vamos jogar. Amanhã (hoje) será a do Egipto, uma das candidatas ao título. Portanto, nesta fase, a margem de erro é zero. Quem perde, fica  de fora. Portanto, o Egipto é muito forte, ainda assim, tudo faremos para os vencer", augurou o técnico marroquino.

O Egipto ocupou o segundo lugar do Grupo D, vencido pelo Senegal e preparou a estratégia para conter o jogo ofensivos da selecção de Marrocos, que tem a defesa como uma das suas principais armas.O equilíbrio vai seguramente marcar o prélio desta tarde entre marroquinos e egípcios. A probabilidade de vitória é repartida em 50 por cento. Pelo histórico das equipas no ranking da Confederação Africana de Basquetebol, os faraós apresentaram indicadores acima do adversário.

Frente a Tunísia
RDC quer manter efeito surpresa


A República Democrática do Congo, equipa sensacional da fase preliminar, quer surpreender a  da Tunísia, a partir das 18h00, no Pavilhão de Rades, na que pode ser a terceira partida dos quartos de final da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações da "bola ao cesto".Depois de surpreender a Nigéria, actual campeã africana em título, na fase preliminar, a quem venceu por 83-77, a República Democrática do Congo, no ranking mundial,  não tem qualquer pontuação, mas pretende afastar das meias-finais a grande Tunísia, conjunto que fez o pleno na fase anterior.Sem Bismark Biyombo, uma das suas principais unidades, dois metros e seis centímetros de altura,  que milita no Orlando Magic, a República Democrática do Congo surpreendeu tudo e todos. Alcançou o passe para os quartos de final da referida competição.

Em declarações à comunicação social, o técnico congolês afirmou que "tudo vão fazer no sentido de se qualificarem para as meias-finais"."Quem está nesta fase, é porque está em condições de atingir a grande final. Temos  a consciência que a Tunísia é uma grande selecção. Portanto, a jogar em casa  torna-se mais favorita ainda. Vamos fazer o nosso jogo, explorar os pontos fracos do nosso adversário para atingirmos o passe das meias-finais", revelou o treinador.

Três horas antes, isto é, as 15h30 minutos, a Nigéria, a actual campeã africana em título,  joga com os Camarões, num prélio de difícil prognóstico a julgar pelo potencial das duas agremiações.Sem onze dos doze atletas, que conquistaram o título da 28ª edição do Afrobasket de 2015, que se disputou em solo tunisino, a Nigéria tem como meta a reconquista do troféu continental.