Jornal dos Desportos

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Moncho López enfrenta adversidades

Nelson Pascoal-Angop - 04 de Agosto, 2015

Lesão e renúncia e compromissos académicos impedem o seleccionador nacional de basquetebol de ter o grupo completo

Fotografia: M.Machagongo

Lesão, renúncia e compromissos académicos, impedem o seleccionador nacional de basquetebol sénior masculino de ter o grupo completo, na preparação para o Campeonato Africano, Afrobasket2015, que começa dentro de pouco mais de duas semanas, na Tunísia.

No seu primeiro ano, em Angola, o técnico espanhol enfrenta algumas contrariedades na constituição do grupo para “atacar” a prova continental.  Destaque para as ausências de Olímpio Cipriano e Yanick Moreira, dois jogadores que provavelmente iam fazer parte do “cinco” inicial e que podiam tornar a selecção mais competitiva.

Por outro lado, o facto de o técnico ter 14 jogadores à sua disposição, retira competitividade entre os convocados, uma vez que mais de metade sabe que tem o lugar garantido, uma vez que vão ser dispensados dois. Ainda assim, Moncho López tem-se mostrado um autêntico profissional - se o assunto fosse outro podia até ser “cavalheiro” -, mantém sempre o discurso, anima o grupo e em momento algum condicionou os objectivos à inclusão deste ou daquele jogador.

É muito comum e natural, em face das contrariedades do género, destas que o espanhol vive, os técnicos começam a preparar adeptos, imprensa e a própria entidade contratante para um possível desaire, com discursos cautelosos. Há casos até que assumem o fracasso antes mesmo de acontecer.
 Todas as contrariedades preocupam o técnico e os angolanos no geral. No entanto,  Moncho López mantém o discurso de luta pelo título africano e de qualificação para os Jogos Olímpicos.

“Não há qualquer adversidade, que afaste esta equipa dos seus objectivos: Conquistar o Afrobasket e qualificar-se para os Jogos Olímpicos”, frisou o técnico em declarações recentes à Angop a partir de Espanha, realçou  que era um fracasso não alcançar estes propósitos. Logo à saída de Angola, para o estágio em Espanha, a selecção perdeu um dos melhores extremos do país e do continente, por lesão, Olímpio Cipriano, que actua no Recreativo do Libolo, não recuperou de uma fractura num dedo da mão esquerda e foi afastado dos pré-convocados.

Com 1, 96 metros, o jogador disputou o seu primeiro Afrobasket na Argélia, em 2005, sagrou-se campeão, eleito MVP da final e superado apenas pelo senegalês Deng na atribuição de prémios para o melhor da prova. Cipriano conta no seu palmarés com quatro títulos africanos,  desde 2005, ano em que se estreou, a única vez que falhou um Africano Angola perdeu: em 2011 no Madagáscar. Na altura, foi afastado alegadamente por lesão.

 ESPANHA
Lesões de Yanick a par de Milton Barros
e Bonifácio afectam o bom desempenho


Já no estágio em Espanha, o base Domingos Bonifácio, num choque com um dos colegas, teve um corte na face e sofreu uma cirurgia, está a recuperar e em dúvida para a prova. A reintegração do atleta no grupo de trabalho pode acontecer a qualquer momento, provavelmente, não com o ritmo que o jogador se apresentou no Campeonato Nacional e nos primeiros jogos amistosos, nos quais mereceu elogios por parte do seleccionador.
Aguarda-se a recuperação do basquetebolista que este ano ajudou o Petro de Luanda a chegar ao título de campeão nacional.

Na ausência de Milton Barros, lesionado, Bonifácio é com toda a  naturalidade, uma das opções mais sérias de Moncho Lopez, na posição de base, fruto da experiência que tem de mundiais e africanos. A provável presença entre os 12 que vão ao Afrobasket, não deve constituir surpresa, dado  o  desempenho no Nacional comparado à concorrência directa (Bráulio e Hermenegildo). Com 1,88 metros, 30 anos de idade, conta com um título continental (2009) e foi medalha de prata em 2011.

 Quando se pensava que estava tudo resolvido e se aguardava apenas pelas chegadas dos postes que actuam nos Estados Unidos (Yanick Moreira e Sílvio Souza), eis que surge uma das piores notícias (depois do afastamento de Cipriano) para os angolanos no geral e para o técnico em particular.
Yanick Moreira e Sílvio Souza não vão estar disponíveis para os trabalhos da selecção.

O primeiro, por causa dos testes que vai efectuar na equipa dos Los Angeles Clippers da NBA, o segundo, por questões académicas. Para muitos são apenas mais duas ausências, até porque nunca nenhum deles disputou um Afrobasket sénior, em que Angola é 11 vezes campeã. Porém, para os mais atentos, o primeiro, em particular, é uma baixa relevante.

 Com 2,11 metros, era o jogador mais alto do país no Afrobasket. Por outro lado, numa altura em que a selecção nacional não conta com Kikas Gomes - que esteve nos últimos títulos - Yanick podia fazer a diferença na “luta” das tabelas. Certamente que os adversários vão perguntar pelo jogador e ficar “descansados” com a ausência.

A sua performance no campeonato universitário norte-americano, na Summer League e no Mundial de Espanha, onde bateu o record de pontos marcados num jogo não passa despercebida. Enquanto estiver a decorrer o Afrobasket, o jogador vai fazer treino específico para o estágio que vai efectuar com os Clippers, à  procura de uma vaga que seria histórica para os angolanos na NBA.

 Por sua vez, Silvio, campeão africano em sub-17, é visto como o futuro do basquetebol nacional. Treinar com Mingas, Felizardo Ambrósio, entre outros, ia ajudar na sua evolução. No entanto, é o seu primeiro ano na América o poste de 2,04 metros ainda está em fase de adaptação e precisa de melhorar os resultados escolares para entrar para a universidade. Deste modo, durante as férias vai beneficiar de aulas extras.
NP