Jornal dos Desportos

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O adeus de Kevin Garnet

27 de Setembro, 2016

Big-Ticket deixa as quadras da NBA com um título conquistado pelo Boston Celtics

Fotografia: APF

A despedida de Kevin Garnet apanhou de surpresas muitos admiradores do melhor basquetebol do mundo. Aos 40 anos de idade, KG decidiu rescindir o contrato com o Minnesota, que ainda o tinha na lista para 2016-2017. Na véspera da abertura da nova época da NBA, os prognósticos e as lembranças misturam-se em conversas de bares, de rua, de quintal e entre os profissionais da comunicação social. A saudade de Kevin Garnet ganha destaque, quando se lembram do seu rico percurso.

Do baú, uma célebre expressão acalma as almas: "Tudo é possível, tudo é possível". A célebre expressão de KG proferida em gritos, quando celebrava a conquista do título da NBA de 2008, com Boston Celtics. Quando tudo apontava para mais um recorde de presenças na NBA, chegou o fim da carreira de Big-Ticket (alcunha de KG em alusão ao facto de as claques rivais lotarem os pavilhões para vê-lo a jogar nos seus tempos de Wolves). Kevin Garnet deixa a quadra no ano de abandono dos contemporâneos, Kobe Bryant e Tim Duncan.

KG lutou demais contra o seu corpo, para  manter-se na quadra, na última época da NBA. Cansado e sem forças para contrapor à nova geração, decidiu inscrever-se na lista de espera do Hall da Fama da NBA. KG tem substâncias materiais para constar entre as estrelas do basquetebol norte-americano.

A 28 de Junho de 1995, a NBA realizou pela primeira vez a cerimónia do Draft, fora dos Estados Unidos da América. Na quinta posição, Minnesota seleccionou Kevin Garnet. Era o início da remodelação da equipa. Vinte anos depois, o menino de 19 anos tornou-se Big-Ticket.A despedida torna o momento revestido de tristeza, a quem o acompanhou durante a carreira. KG era venerado com intensidade, foi indomável na quadra e apresentou uma técnica que se refinou aos poucos,  com muitas horas de trabalho extra no pavilhão.

KG não entrou craque na NBA em 1995. Formou-se craque com treinos de "um maluco". Aprendeu com os melhores e evoluiu ano após ano. Não é qualquer humano deste plano, que consegue em 18 épocas consecutivas, ter uma média de mais de 10 pontos. Conseguiu isso, com uma singela razão: KG era um maníaco por treinos. O adágio diz que era "o primeiro a chegar e o último a sair do pavilhão" aplica-se a ele.

A NBA perde um ícone. O KG da intensidade, das defesas implacáveis e da emoção. O KG  chora a ver um fã que escreveu o seu eterno número 21 no seu olho. KG dos duelos épicos contra Tim Duncan. KG dos arremessos certeiros, das extremidades do garrafão; do sangue de suor ou do suor de sangue. KG das flexões durante os jogos. KG com joelho estourado a pedir para jogar na quinta partida contra os Chicago Bulls, em 2009, e lutar contra Doc Rivers. KG demolidor de Gasol na final de 2008.

KG que fez Glen David chorar com uma bronca histórica. KG enigmático no Nest. Do Big 3 mágico de Boston com Paul Pierce e Ray Allen.O ser humano que transformou-se com a saída de Allen do Celtics e junta-se a LeBron James no Miami Heat. Kevin Garnet foi o "animal feroz" em todos os 21 anos de carreira profissional. Deu um longo abraço emocionado a Kevin McHale depois deste perder a filha. KG era tudo isso. Admirado pela excentricidade e elegância em campo. Venerado.

Era a síntese da NBA da final dos anos 90 do século XX. A sequência de Charles Barkley e Karl Malone. Com erros, acertos e tudo mais.Guerreiro, matreiro, intenso, empolgante, evolutivo, maluco na medida certa, defesa forte, líder. Craque. Génio. Fantástico.Jamais foi desvendada e compreendida onde saía a "fome" de KG na quadra. Muitos admiradores vivem hoje uma  mistura de agradecimento a Kevin Garnet e uma tristeza por não mais o verem na quadra. Foi maravilhoso assisti-lo por duas décadas. Cravou o nome na história da NBA e nos corações de várias gerações. KG representou a essência do jogo, a magia do basquetebol, a disciplina do desporto e a todos os adeptos na quadra com a luta feroz.

NAS MÃOS DE ANTETOKOUNMPO
Milwaukee Bucks busca rumo certo


O extremo-base titular do Milwaukee Bucks, Khris Middleton vai ser operado à coxa, e está afastado dos pavilhões por seis meses. O autor de 18,2 pontos, em 2015-2016, desfalca a equipa e a situação do técnico Jason Kidd fica ainda mais complicada. Agora, as esperanças estão depositadas em Giannis Antetokounmpo Aos 21 anos, o Greek Freak renovou recentemente o contrato (avaliado em 100 milhões de dólares até 2020/2021) e parece ganhar não só uma soma de dinheiro, sobretudo a chave para conduzir a equipa nos próximos anos.

Se no final de 2015/2016, o grego recebeu carta -branca do técnico Jason Kidd para armar o jogo e fechar o certame depois do All-Star Game, com as médias de 18,8 pontos, 7,2 assistências e 8,6 ressaltos, além de cinco triplos -duplos, a tendência agora é que Kidd use Giannis desde o princípio assim.

Com 2,11m, tem vantagens competitivas imensas no ataque, devido ao físico descomunal e pode proporcionar óptimas alternativas no sistema defensivo da equipa, com marcações aos rivais das cinco posições. A curiosidade para ver o que o rapaz de 21 anos ainda pode acrescentar à equipa, está a crescer. É um jogador muito bom. Em três épocas, tem 2 com +12 pontos, o que não é pouco para alguém da sua idade, que veio jovem para a NBA.

Com a evolução demonstrada, tem tudo para tornar-se em jogador excepcional. Caso melhore nos lançamentos de três pontos (26 por cento de aproveitamento em 2015/2016), torna-se numa arma muito difícil de ser marcada.Outro nome que a equipa aposta muito é o de Jabari Parker. Segundo eleito no Draft de 2014, lesionou-se com gravidade no joelho, no começo da época de calouro. Parou, regressou e teve um ano satisfatório em 2015/2016 com 14,1 pontos e 5,2 ressaltos. É outro atleta muito jovem (21 anos) que pode render óptimos frutos para o Bucks, brevemente.

Se evoluir nos lançamentos (25,7 por cento nas bolas de fora), tem tudo para formar uma dupla animadora, com o grego por muito tempo na NBA.Com Giannis Antetokounmpo e Jabari Parker, a pedra fundamental da equipa, o futuro do Bucks na NBA pode ser animador. O receio reside, se os jogadores de 21 anos têm capacidade de levar a equipa ao play off directo, em 2016/2017. O Milwaukee passa por uma transição e muitas interrogações se fazem: O técnico pode explorar as habilidades que Greg Monroe possui?


ENTRADA NA NBA


Em ambiente de ansiedade, os olhares prendiam-se nos "caloiros" da NBA. A 28 de Junho de 1995, a cidade de Toronto, no Canadá, estava empolgada por receber pela primeira vez na história da liga, um Draft. A primeira escolha recaiu em Golden State. Joe Smith foi o eleito.Após a troca com o Clippers, Denver Nuggets fisgou Antonio McDyess. Jerry Stackhouse parou no Sixers. Washington Bullets teve a preferência a Rasheed Wallace.

A equipa de casa, o Toronto Raptors, tinha a sétima escolha e cogitava a possibilidade de colocar o plano de Isiah Thomas em prática. Isiah conhecia muito bem a posição do extremo -poste de braços longos e 2,11 metros de altura.Era Kevin McHale.Da Farragut Academy, em Chicago, um nome representava a equipa no Draft: Kevin Garnet. A estatística apontava uma média de 25,2 pontos, 17,9 ressaltos, 6,7 assistência e 6,5 tampões. O Minnesota não se enganou. Foi o preferido na quinta escolha.

Pelicans têm Anthony Davis como líder

O sonho de qualquer equipa da NBA é encontrar um jogador excepcional, uma referência técnica, moral, comportamental não só no grupo e também na organização. O New Orleans Pelicans conseguiu em 2012 ter Anthony Davis, um craque da bola, detentor de ética profissional invejável e com uma habilidade descomunal. Em quatro anos, tem uma média de 20,8 pontos, 9,7 ressaltos e 2,4 tampões.

Wolves pode sonhar alto com Karl Towns
Quando acabou a época 2015/2016, Glen Taylor, proprietário do Minnesota Timberwolves, tinha duas certezas: Karl-Anthony Towns, escolhido no Draft de 2015, era uma jóia preciosa; e que Towns precisava de um técnico capaz de colocá-lo noutra dimensão. Ao unir os dois mundos, Taylor não fez cerimónia, abriu o cheque e também a equipa, contratou Tom Thibodeau, ex-técnico do Chicago Bulls, não só para treinar como também para  gerir a equipa.