Jornal dos Desportos

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Modalidades

Paixão leva brasileiros à Espanha

10 de Setembro, 2014

José e Celso Campos são os mais velhos do grupo de apoiantes brasileiros presentes na capital madrilena

Fotografia: Jornal dos Desportos

Afinal, não é só pelo futebol e o samba que os brasileiros mostram uma grande paixão. O basquetebol também é uma das modalidades preferidas do povo brasileiro, à semelhança do andebol, natação e voleibol. Apesar do Brasil ter sido repescado para a 17ª edição do Campeonato do Mundo de basquetebol em seniores masculinos, competição que decorre em terras espanholas, vários são os brasileiros que decidiram prestar apoio a sua selecção.

Depois de ter disputado a fase preliminar em Granada, ao lado das selecções da Espanha, país anfitrião, França, campeã europeia, Egipto, Irão e Sérvia, tendo garantido o passe para as meias-finais, o número de brasileiros presentes em Espanha subiu consideravelmente. Apoio nas bancadas do Pavilhão Palácio dos Desportos de Madrid, palco que acolhe a grande final do dia 14 do mês em curso, não tem faltado.

Nesta altura são mais de cinco mil brasileiros presentes, de acordo com o Comité Organizador da edição número 17 do Campeonato do Mundo.
Entre os cinco mil, estão os manos Celso Campos e José Campos, que atravessaram o Oceano Atlântico para testemunhar de perto o desempenho da sua selecção.

Com 76 e 70 anos de idade, respectivamente, Celso Campos e José Campos, consideram-se pessoas de sorte, daí que tenham decidido vir para a Espanha para prestarem tributo à sua selecção que persegue o seu terceiro título mundial, depois das conquistas de 1959 e 1963. Para os entrevistados do Jornal dos Desportos, quem elimina a forte selecção da Argentina está em condições de conseguir o apuramento à final do Campeonato do Mundo.

Prudentes nas suas abordagens, Celso Campos e José Campos consideram os Estados Unidos da América e da Espanha, como as melhores selecções do mundo, ao passo que as demais acabam por estar ao mesmo nível. “Primeiro eu gostava de dizer que eu e o meu irmão somos pessoas pequentes. Pequentes em português quer dizer pessoas de sorte, pessoas que trazem benefícios.

Nós assistimos ao pré-olímpico na Argentina e o Brasil há anos que não se qualificava e acabamos por dar sorte. Por isso, estamos esperançados quanto à subida ao pódio”. José Campos afirmou que o basquetebol é uma modalidade tão especial e que quem jogou na vida, pelo menos cinco minutos, jamais vai esquecer.

“O basquetebol é um desporto tão diferente, tão apaixonante e espectacular que quem jogou cinco minutos na vida jamais esquece”. Depois de uma entrada tímida na competição, o Brasil está mais compenetrado na competição e os índices de confiança estão em alta, segundo José Campos.
“O primeiro jogo foi mais ou menos, no segundo melhoramos consideravelmente e no terceiro massacrámos. Fazer 128 pontos numa partida não está ao alcance de qualquer selecção. Penso que a nossa selecção está preparada para atacar o pódio”.

Bem ao jeito dos brasileiros, José Campos, de 70 anos de idade, considera-se um jovem em plena ascensão tendo, igualmente, agradecido a hospitalidade  dos espanhóis. Celso Campos parafraseou por completo o seu o mano mais novo. “Nós estamos a fazer duas coisas gostosas. Primeiro viajar e conhecer mais culturas e segundo acompanhar o Campeonato do Mundo de basquetebol em seniores masculinos. No futebol, como fomos humilhados pela Alemanha, estamos aqui a apoiar a selecção de basquetebol”.

De acordo com Celso Campos, o seu coração está mais preparado para o amor e não para as emoções do Campeonato do Mundo. “O coração do homem tem de estar sempre preparado. O meu, por exemplo, está mais preparado para amor. Estamos na fase do mata-mata, como se diz, mas nós vamos ultrapassar todas as barreiras porque pretendemos estar no pódio”, perspectivou.

REFORÇOS DAS EQUIPAS
José Campos lamenta afastamento de Angola

Adepto confesso do basquetebol angolano, José Campos mostrou-se frustrado com a eliminação prematura dos Campeões Africanos, que foram afastados dos oitavos-de-final da 17ª edição do Campeonato do Mundo, prova que encerra domingo, dia 14, com a disputa da final. “Felizmente tenho acompanhado a trajectória de Angola não apenas em fases finais dos Campeonatos do Mundo, Jogos Olímpicos mas também a nível dos Campeonatos Africanos.

Angola é uma selecção bastante respeitada e eu, particularmente, esperava mais do vosso país neste mundial de Espanha”, disse. José Campos reconheceu, por outro lado, o talento do poste Yanick Moreira que até ao momento detém o recorde de melhor marcador de pontos numa partida (38). “Creio que Angola futuramente pode surpreender muitas selecções. Fiquei surpreendido com as exibições do jovem Yanick Moreira que se for bem acompanhado vai ser seguramente a estrela do basquetebol angolano”, disse.

A Selecção Nacional que disputou a fase regular em Las Palmas, região de Gran Canária, ao lado das similares da Eslovénia, Lituânia, Austrália, Coreia do Sul e Austrália, falhou a qualificação aos oitavos-de-final, mercê do quinto lugar que ocupou no grupo D, com sete pontos. Dos cinco jogos que disputou, Angola conseguiu dois vitórias, contra três derrotas. Em face disso, a Selecção Nacional vai seguramente piorar o décimo quinto lugar, alcançado no Campeonato do Mundo da Turquia, em 2010.
M.C

FEITO
Yanic continua
a fazer história


Mesmo depois de ter abandonado a competição, por força da eliminação da Selecção Nacional, o poste angolano que milita nos Estados Unidos da América, Yanick Moreira continua a fazer história nas estatísticas do Campeonato do Mundo. Yanick Moreira tem a sétima melhor média de pontos marcada por cada desafio, com 17,8, atrás de Paul Gasol, de Espanha, com 20,5, Luis Scola, argentino, com 19,5 e do iraniano Hamed Haddadi, com 18,8.

A lista é liderada pelo porto-riquenho, Barea, com 22,0, seguido de Andray Blatche, das Filipinas, e Boj Bogdanovic, da Croácia, ambos com 21,2.
Em termos de ressaltos, o poste angolano aparece no sexto lugar, com uma média de 8,2 ressaltos por partida. O senegalês Gorgui Dieng ocupa o terceiro lugar, com média de 10,7. O filipino Abdray Blatche é o rei dos ressaltos, com uma média de 13,8.

Xane D`Almeida, do Senegal, figura entre os três melhores assistentes, com uma média de 5,5, no terceiro posto. Ricky Rubio, de Espanha ocupa o primeiro lugar, com 5.8, seguido do finlandês Petteri Kopoonen, com 5,8. Ricky Rubio lidera ainda a lista dos melhores recuperadores, com uma média de 3,7 recuperações por cada desafio. Neste item, o internacional angolano, Olímpio Cipriano, ocupa o décimo lugar, com 1,8.
 M.C

DERROTA
FIBA investiga
selecção da Austrália

A Federação Internacional de Basquetebol anunciou que abriu um inquérito disciplinar ao jogo da passada quinta-feira, dia 4, nas Ilhas Canárias, por suspeitar de que os australianos perderam propositadamente. A partida entre as duas equipas era a última da fase do Grupo D, pelo que decidia a posição final da equipa da Austrália no grupo e, consequentemente, quem iria enfrentar no cruzamento com os apurados do grupo C. Os australianos perderam por 83-91 frente a Angola.

"O comportamento da Austrália em campo, no decorrer deste jogo, provocou uma enorme decepção por parte dos especialistas e os adeptos de basquetebol", indicou a FIBA em comunicado divulgado no sítio oficial da competição. A entidade afirma mesmo que a Austrália é alvo de "forte suspeita" de ter perdido o encontro para evitar encontrar os actuais campeões, os Estados Unidos, antes das meias-finais do Mundial.

A FIBA especificou que a Austrália terá oportunidade de se defender antes que seja decidida uma eventual sanção. Se a Austrália tentou, de facto, "ajustar" a sua posição no grupo D para evitar mais à frente os Estados Unidos, a estratégia não surtiu: logo nos oitavos de final perdeu contra a Turquia, por 64-65, e foi afastada do Mundial