Jornal dos Desportos

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Petro de Luanda aposta na formao

Juscelino da Silva - 28 de Janeiro, 2019

Fotografia: Arimateia Batpista | Edies Novembro | arquivo

A ascensão de Edmar Victoriano \"Baduna\" ao escalão sénior fragilizou as escolas de formação de basquetebol do Petro de Luanda. As equipas de Sub-14 e Sub-16 viveram momentos de inglórias nas competições nacionais recém-terminadas em diferentes palcos. Os meninos do eix-viário não conseguiram manter-se entre as quatro melhores equipas dos campeonatos nacionais. Os resultados inesperados obriga a direcção de Tomás Faria voltar a apostar na formação.
O técnico adjunto de Lazare adingono, Edmar Victoriano \"Baduna\", abriu \"um buraco\" na gestão e no processo de formação da equipa de jovens. A equipa de Sub-16 falhou a participação no campeonato nacional disputado na província de Malanje. A de Sub-14 terminou em sétimo lugar na competição disputada no Huambo e viu as consagrações das equipas masculina do Kilamba e a feminina do Ferroviário de Luanda. Esses resultados levaram os dirigentes a repensar as estratégias para o resgate da mística petrolífera nesses escalões.
O coordenador geral para o basquetebol do Petro de Luanda, Gerson Bethel, garantiu ao Jornal dos Desportos que a formação de jovens \"não está bem\".
\"Reconheço que a formação não está bem, no modo geral. As últimas classificação obtidas nos campeonatos recém-terminados mostram o árduo trabalho pela frente. Não é normal a nossa equipa sair em cesto ou em quinto lugar da tabela de classificação. Estão identificados os erros. Agora é começar a corrigir o que está mal e melhorar o que ainda nos resta de bom\", rematou.
A direcção de Tomás Faria gizou um programa que exige investimentos. A localização geográfica do campo (eixo-viário) inviabiliza a deslocação de muitos meninos. Antes de ter
minarem o processo de formação, abandonam o clube por falta de transporte. Para pôr fim à dificuldade, o clube beneficiou de dois autocarros e aguarda a chegada do contentor de equipamento desportivo para a formação nos próximos dias, segundo Gerson Bethel.
A captação de novos talentos nos bairros periféricos começou no dia 20 do corrente em três pólos espalhados em Luanda. Os bairros Prenda, Benfica e Zango foram os escolhidos para dar início ao projecto. As antigas glórias do Petro de Luanda, Victor Rafael Carvalho e Benjamim Avô, são os responsáveis pela escolhas dos potenciais atletas. O objectivo é potenciar as equipas de cadetes a juniores.
Petro de Luanda tem problemas de infra-estruturas. A falta de campos polivalentes criam dores de cabeça aos treinadores de formação. A única quadra disponível apresenta condições inapropriada para a prática de basquetebol. Falta iluminação e o tecto tem telhas partidas. Quando a chuva cai, os treinadores paralisam os treinos. Todas as equipas de voleibol partilham o mesmo recinto com as de basquetebol nos três períodos: manhã, tarde e noite.
Gerson Bethel valoriza a conquista do título provincial de Luanda. O coordenador felicita os atletas do escalão júnior.
\"Fomos os justos vencedores e mostrámos que somos os melhores nos escalões de juniores. Dominámos a competição do princípio ao fim; não demos asas à concorrência\", disse.
O dirigente estendeu a felicitação aos organizadores dos campeonatos provinciais.
\"Temos de dar os parabéns à Associação Provincial de Luanda de Basquetebol pelo novo modelo de disputa do campeonato de juniores. As três voltas permitiram aos nossos atletas disputar maior número de jogos; mexeram mais as pernas e as mãos\", enalteceu.
Em consequência, a direcção do Petro de Luanda fez ascender quatro atletas ao escalão sénior. Trata-se de Pascoal Konde, Maucon Tungo, Ângelo e Sambongue.
\"Estamos no bom caminho. Esse é o objectivo dos treinadores de formação\", disse.
Gerson Bethel revelou que no ano passado perderam três jogadores, que foram formar-se no exterior do país: Dário Pilartes (EUA), Tussama (França) e Anderson (Espanha). A selecção Sub-16 que evoluiu nos Jogos da SADC contou também com atletas petrolíferos.
Nos últimos anos, a escola do Petro de Luanda colocou no mercado Domingos Bonifácio, Carlos Morais, Bráulio Morais, Gerson Gonçalves \"Lukeny\", Childe Ndundão, Joaquim Pedro \"Quinzinho\".


ESCALÃO DE FORMAÇÃO
Carlos Júlio pede mais atenção

O basquetebol faz-se nas escolas. Os dirigentes e os treinadores dos escalões de formação são chamados a assumir mais responsabilidade. A falta de qualidade técnica e a falsificação de idades dos jovens praticantes preocupam o presidente da Associação Provincial de Luanda da modalidade, Carlos Júlio.
O antigo árbitro internacional manifesta-se \"triste\" com o estado \"crítico\" das escolas. Para Carlos Júlio, os clubes deixaram de formar \"bons atletas\" e a repercussão é constatada na qualidade de jogadores integrantes da selecção nacional. Nos últimos anos, os jogadores apresentam deficiência no manuseio da bola.
Carlos Júlio apontou os dirigentes e treinadores dos escalões de formação como os principais responsáveis da má qualidade técnica, comparativamente, ao passado. O antigo árbitro critica os presidentes de clubes que impedem a participação da equipa num campeonato nacional por se classificar a meio da tabela ou perder o título na edição anterior.
\"Não consigo perceber as razões de tomarem esse tipo de decisão. Estamos a prejudicar os meninos, que deviam competir para aumentar o número de jogos no seu processo de formação\", disse.
As críticas de Carlos Júlio são dirigidas ao Petro de Luanda, 1º de Agosto e Interclube. Os lugares obtidos no último campeonato nacional espelham a acusação.
\"Como é possível que o Petro de Luanda e 1º de Agosto, equipas de grandes gabarito, desistem de competir das provas nacionais?\", questiona o dirigente.
Carlos Júlio solicita aos dirigentes de clubes a elucidarem as posições tomadas e questiona se querem mais competitividade, números de jogos ou troféus. Esse último sobrepõe a tudo na visão do presidente da Associação.
\"Os dirigentes querem resultados imediatos e pressionam os treinadores. O processo de treinamento é desvirtuado. Assim é impossível formar bons jogadores\", disse.
Carlos Júlio afirma que \"os clubes investem mais no escalão sénior e esquecem a base de sustentação: o escalão de formação\". Para exemplificar, citou a ausência de treinadores dos escalão sénior nos jogos que envolveram as quatro melhores equipas do campeonato nacional de Sub-18.
\"Não os vimos para observarem os atletas. Deviam acompanhar mais o processo de formação para conhecerem os jogadores desde a tenra idade\", disse.
Carlos Júlio sustenta que hoje existe \"muita qualidade humana\". Os atletas apresentam boa morfologia, são mais potentes e medem 2,6 metros de altura aos 16 anos de idade. \"Infelizmente, os treinadores não conseguem tirar proveito dessas qualidades e formam-nos muito mal\", segundo o dirigente da Associação.
Outro motivo constatado no processo de formação é \"o défice de treinadores\". Carlos Júlio afirma que os actuais técnicos \"não têm paciência e são arrogantes com os petizes\". Essa atitude \"leva muitos atletas a trocarem de clubes sem concluir a formação\".
Quanto à falsificação de idades, Carlos Júlio apela ao Ministério da Juventude e Desportos a colocar o Centro de Medicina Desportiva ao serviço do desporto. Defende que os atletas devem ser observados nas máquinas de ressonância magnética para acabar com a falsificação de idades dos atletas.
\"Só assim esse problema teria fim. Quem acompanha os campeonatos nos escalões de formação notou a diferença de idades entre os jogadores\", disse.