Jornal dos Desportos

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Petro de Luanda ganha nova infra-estrutura

Juscelino da Silva - 19 de Fevereiro, 2018

Complexo Paz Flor pode ser casa dos petrolferos

Fotografia: Contreiras Pipas | Edies Novembro

A partir do segundo trimestre do ano corrente, o Petro de Luanda ganha novas infra-estruturas desportivas. Localizadas no bairro do Morro Bento I, Distrito da Samba, a direcção de Tomás Faria vai gerir um pavilhão de basquetebol, um courte, uma piscina olímpica e um ginásio. Com os novos espaços, vão constar da grelha da agremiação tricolor novas modalidades. A direcção do Petro de Luanda vem a solicitar, há algum tempo, à direcção da Sonangol a gestão das infra-estruturas desportivas do Complexo Paz Flor, o espaço social da empresa petrolífera. A direcção cessante, liderada por Isabel dos Santos, não atendeu ao pedido da equipa de Tomás Faria, segundo uma fonte da Sonangol.
A esperança de gestão dos empreendimentos desportivos renasce com a nomeação de um novo Conselho de Administração. A título de exemplo, o Petro de Luanda pretende realizar os treinos e acolher os jogos da Unitel  Basket no seu próprio pavilhão.
\"A infra-estrutura oferece condições necessárias para a equipa sénior de basquetebol receber os adversários em casa e reduzir os custos com os pagamentos de pavilhões para treinar e jogar\", justificou a fonte.
Com o pavilhão do Complexo Paz Flor, a direcção de Tomás Faria pondera abrir a equipa feminina de basquetebol. A falta de campo constitui a causa primária da não existência da equipa feminina, segundo a fonte.
\"Temos a força de vontade dos dirigentes, treinadores competentes,  logística, mas faltava-nos o principal: o campo para a prática. Uma vez atribuído, vamos estar bem servidos e tirar o projecto do papel. O nosso campo já não oferece as condições favoráveis; o excesso de treinos e de jogos degradaram-no\", disse.
Para dar azo às pretensões, uma direcção afecta ao Petro de Luanda já funciona dentro do Complexo Paz Flor.    


PALAVRAS DERRAMADAS
Petro de Luanda
de duas caras


O Atlético Petróleos de Luanda, vulgo "Petro de Luanda", está a passar gratuitamente uma imagem de desorganização interna que, aos poucos, mexe também com o ego dos seus sócios, adeptos e amigos.
Já ouvi alguns a dizerem que se esta história continuar, vão mudar de clube. Tudo por causa do novo emblema. Uns dizem que sabota a história do clube, outros que é imitação de outros fáceis de encontrar por aí. Há ainda os que simplesmente consideram feio.
Neste emaranhado de opiniões, a minha posição é de respeito. Respeito todas opiniões. Tenho dito que, se é uma Assembleia Geral, que adoptou os novos símbolos, então poderá a mesma reunião revogar, se entender necessário.
A onda de insatisfação surge pelo facto da alteração do símbolo não ter obedecido a nenhuma consulta ao universo que se identifica com o clube, para lá dos sócios com quotas pagas e disponibilidade para assistirem à Assembleia de 8 de Julho de 2017.
Foi nesta Assembleia que se agendou a aprovação dos novos símbolos do clube e a alteração dos artigos 53º, 54º e 55º dos Estatutos.
Adoptados os novos símbolos, o clube, em respeito àquele universo que já referenciei, devia organizar uma conferência de imprensa e explicar a imagem enigmática que corporiza o seu novo emblema. Qual é o  sentido oculto moral do emblema que os representantes do clube carregam à altura do peito, do lado esquerdo das camisolas?
Teria menos impacto negativo todo o burburinho que se faz em torno do emblema.
Esta é só uma opinião sobre o emblema. Queria dizer mais, dizer que aquando da apresentação do Plano de Desenvolvimento Desportivo Integrado (PDDI), a bíblia que rege a vida do Petro de Luanda desde 2015, não se fez qualquer alusão à perspectiva de alterar os símbolos. Mas isto cabe aos sócios regurgitar e definir por que caminhos anda o clube.
Na verdade, o que leva a derramar palavras, são as duas caras com que o clube se apresenta. Parece não haver nenhuma entidade para chamar a atenção ou responsabilizar o clube pela dupla identidade.
Hoje o Petro joga oficialmente com o novo símbolo estampado nas camisolas de futebol. O basquetebol, andebol e todo o resto joga com equipamentos ainda pintados com o emblema anterior. Estão a dizer-nos que o futebol é Petro e o resto ainda é Atlético Petróleos de Luanda.
Contudo, quando o técnico do futebol se apresenta à imprensa, após os treinos, volta a ser Atlético Petróleos de Luanda. Os comunicados do clube são feitos em folhas timbradas a Atlético Petróleos de Luanda.
Há aqui uma necessidade de organizar, fazer bem as coisas. Ninguém obrigou o clube a mudar. Então, devia criar as condições para no devido tempo mudar. Até porque a moda das duas caras já está a cair no desuso.
Silva Cacuti