Jornal dos Desportos

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Modalidades

Petrolíferos quebram jejum

Melo Clemente - 20 de Junho, 2015

Atlético Petróleos de Luanda conquistou na última terça-feira a 37ª edição do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculino

Fotografia: Jornal dos Desportos

Contra todas às expectativas, a formação do Atlético Petróleos de Luanda conquistou na última terça-feira a 37ª edição do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculino (BIC Basket), ao superar no sétimo jogo dos play -offs, o Recreativo do Libolo, por 90-84, fixando a série em 4-3.

 A saída sucessiva de jogadores nucleares, aliado a reestruturação financeira a que o clube foi submetido no início da época desportiva 2014/2015, forçou a direcção da equipa tricolor, encabeçada por Tomás Faria, que sucedeu ao malogrado Mateus de Brito, a abdicar da luta pelo título da 37ª edição do BIC Basket.

 Em face disso, o Atlético Petróleos de Luanda decidiu apenas competir a nível doméstico,  declinou o zonal de apuramento para a fase final da Taça dos Clubes Campeões Africanos.

 Lazare Adingono, técnico ao serviço da equipa petrolífera, foi “obrigado” a apostar em jogadores provenientes dos escalões de formação.

 As entradas de Emanuel Quezada (base) dominicano naturalizado norte-americano, para além do poste Janson Cain, americano de nacionalidade, vieram a dar outra qualidade ao basquetebol dos petrolíferos da capital, que venceram o primeiro troféu da temporada desportiva ( Supertaça Wlademiro Romero), ao bater na final, disputada no Pavilhão Palanca Negra Gigante, em Malanje, curiosamente, o  Recreativo do Libolo, por 88-75.

 Apesar do seu presidente, Tomás Faria, ter abdicado da luta pelo título nacional, os tricolores entraram para a edição 37ª do “Nacional”, como verdadeiros candidatos à conquista da coroa doméstica, à semelhança dos eternos 1º de Agosto e Recreativo do Libolo, assim com a formação do Grupo Desportivo Interclube.

 Entretanto, o Clube Central das Forças Armadas Angolanas dominou completamente a fase regular da 37ª edição do BIC Basket, assim como a fase de grupos.

 Nas fases acima referenciadas, os petrolíferos da capital conseguiram dar sinais de que podiam disputar de igual para igual o título da edição 37 da prova.

Os internacionais angolanos, Leonel Ditutala Paulo e Roberto Fortes, para além do Emanuel Quezada, este último que teve uma adaptação espectacular ao basquetebol doméstico, acabaram por ser os principais obreiros da excelente campanha que a formação petrolífera realizou.

Os pupilos de Lazare Adingono, técnico que cumpriu o seu terceiro ano no basquetebol angolano, venceu de forma competente a fase de qualificação do BIC Basket e defrontou nas meias-finais o Atlético Sport Aviação (ASA).

 Com um plantel melhor servido, em termos de valores individuais, a equipa do Eixo-viário passeou classe na fase de qualificação.

 Nas meias-finais, a equipa tricolor venceu por 3-0 a turma aviadora, que  surpreendentemente, afastou o Grupo Desportivo Interclube.

 Quem também passou com alguma facilidade é a equipa do Recreativo do Libolo, que bateu o todo poderoso 1º de Agosto, por 3-0, facto que obrigou o técnico Paulo Macedo a colocar o  lugar à disposição,  face ao fracasso da equipa que perdeu todas as provas mais importantes do calendário da Federação Angolana de Basquetebol, designadamente, Taça de  Angola, Campeonato Nacional da “bola ao cesto” (BIC Basket), para além do troféu Wlademiro Romero.

  A crença dos petrolíferos aumentou quanto à conquista do título, quando os libolenses afastaram o arqui-rival, 1º de Agosto da final. Antes da disputada dos play -offs da 37ª edição do BIC Basket, a equipa petrolífera somava  já  cinco triunfos, contra nenhum do representante da vila de Calulo.

 Com  o histórico a favorecer a equipa do Eixo -viário, os pupilos de Lazare Adingono entraram para a disputa da final com os índices elevados. Em pleno Pavilhão Principal da Cidadela, o Atlético Petróleos de Luanda venceu a primeira partida dos play -offs , por 100-95, partida jogado sob o signo do equilíbrio.

 Aliás, o equilíbrio foi  a marca das sete partidas disputadas entre petrolíferos e libolenses, que proporcionaram um grande espectáculo aos amantes da modalidades.

Finalmente, o Recreativo do Libolo reagia na sétima partida, quando conseguiu a primeira vitória na época 2014/2015, ao vencer na Cidadela, curiosamente, por 100-95.

 Já no Pavilhão do Dream Space, a equipa de casa conseguiu dar a cambalhota ao resultado (1-2), depois de vencer por 99-81.

 A  turma tricolor empatou a série (2-2), em pleno Pavilhão do Dream Space,  em Viana, ao vencer por 90-89. Os libolenses venceram o quinto jogo, por 78-77. A equipa petrolífera empatou a série, ao conseguir uma 97-88,  que forçou à finalíssima. Na derradeira partida, o Atlético Petróleos de Luanda bateu o Recreativo do Libolo, por 90-84.

Os petrolíferos ergueram pela 12ª vez o título de campeão nacional, quebraram um jejum de três anos.


Desempenho
Equipa militar falha objectivo


Mesmo com o melhor plantel entre as chamadas equipas grandes,  a formação do 1º de Agosto, líder do ranking nacional no que toca a títulos conquistados, com 17 troféus, não foi para além do terceiro lugar do BIC Basket, falhou  o objectivo que passava pelo alcance do 18º ceptro.

Apesar de ter começado bem a competição, a dominar a fase regular e a fase de grupos com alguma naturalidade, o 1º de Agosto não conseguiu manter os níveis de produtividade e foi superado, quer pelo arqui-rival, Atlético Petróleos de Luanda e Clube Recreativo do Libolo.

Com um plantel recheado de jogadores com muita experiência, casos de Joaquim Gomes “Kikas”, Felizardo Ambrósio, Armando Costa, Reggie Moore, Roderick Nealy, para além da irreverência de jovens como Edmir Lucas, Edson Ndoniema, Jonhe Pedro, Mohamed Cissé, Islando Manuel entre outros, a equipa militar não conseguiu pelo segundo ano consecutivo conquistar o título nacional.
 
INTER DECEPCIONA
ASA SURPREENDE

 
A equipa do Grupo Desportivo Interclube acabou por ser a grande decepção da temporada recém - terminada, em virtude de ter falhado o apuramento às  meias-finais do “Nacional”, tendo sido superado pela formação do Atlético Sport Aviação (ASA), de Carlos Dinis.

A prestação da equipa liderada por  Alberto Babo esteve muito aquém do esperado, apesar de possuir no  plantel atletas de grande valia técnica.

Já os aviadores acabaram por ser a grande surpresa por terem atingido as meias-finais do BIC Basket, apesar das limitações no seu conjunto, em termos de valores individuais, comparativamente, ao Atlético Petróleos de Luanda, 1º de Agosto, Recreativo do Libolo e Grupo Desportivo Interclube.
M.C


Troféu MVP
Quezada sucede Mingas


Emanuel Quezada, base do Atlético Petróleos de Luanda, conquistou o troféu de  MVP (Jogador Mais Valioso) da 37ª edição do Campeonato Nacional de  basquetebol, sucede o internacional angolano, Eduardo Mingas, que foi  o vencedor da edição passada.

 Nas sete partidas que disputou nos play-offs da final do BIC Basket, Emanuel Quezada marcou 168 pontos,  o que representa uma média de 24 pontos por cada encontro. O dominicano  acabou por ser um dos atletas decisivos na conquista do título da 37ª edição do Campeonato Nacional da “bola ao cesto”.

 Emanuel Quezada actuou durante 308 minutos, é por isso, um dos mais utilizados pelo técnico camaronês ao serviço do Atlético Petróleos de Luanda, Lazare Adingono. Já Janson Cain terminou os play-offs, com 113 pontos marcados, contra 98 e 94 de Roberto Fortes e Leonel Ditutala Paulo respectivamente.

 Leonel Paulo, Roberto Fortes, Hermenegildo Mbunga, Emanuel Quezada, Domingos Bonifácio e Janson Cain foram as mais valia dos petrolíferos da capital na recém terminada época desportiva.  
M.C


Nos playoffs
Reforços mostram serviço


Com um conjunto completamente “debilitado”, os petrolíferos da capital foram ao mercado estrangeiro e conseguiram as contratações do base Emanuel Quezada, dominicano naturalizado americano, para além do extremo poste Janson Cain, americano, reforços que contribuíram pela prestação positiva do conjunto tricolor que arrebatou o título da edição 37 do BIC Basket.

 Se o base Emanuel Quezada a adaptação à nova realidade não constituiu um problema, o mesmo já não pode dizer-se do extremo poste Janson Cain, que fez uma travessia no deserto, fundamentalmente, na fase regular.

Fruto das suas qualidades técnicas e tácticas, Emanuel Quezada, rapidamente  tornou-se  o principal base dos petrolíferos da capital, relegou para o segundo plano os consagrados Paulo Santana e Domingos Bonifácio. Quezada chegou, viu e venceu na sua primeira época desportiva, numa competição que normalmente os estrangeiros levam algum tempo  para se adaptarem.

 Quem levou tempo para  adaptar-se foi Janson Cain, que sou apareceu em grande na final dos play -offs do BIC Basket, em que se destacou, quer nas acções defensivas, quer nas acções ofensivas.

 Emanuel Quezada e Janso Cain, dois jogadores que foram indicados pelo seleccionador nacional, Moncho López, foram sem margens de dúvidas as mais valias da equipa tricolor na recém terminada época desportiva, sem esquecer, como é evidente, a prestação dos internacionais angolanos, Leonel Paulo, Roberto Fortes e Hermenegildo Mbunga.

 Leonel Paulo e Roberto Fortes foram decisivos dada a excelente prestação dos petrolíferos na fase regular, fase de grupos e voltaram a brilhar na final dos play -offs.

 Leonel Paulo, extremo poste que faz parte do grupo que projecta a partir do dia 22 do mês em curso, a 28ª edição do Campeonato Africano das Nações , prova selectiva aos Jogos Olímpicos de Rio de Janeiro, em 2016, depois de ter falhado o Campeonato do Mundo de Espanha, por conta de uma lesão, foi o mais distinguido no recém terminado BIC Basket.

 O internacional angolano venceu os troféus de MVP (Jogador Mais Valioso) da fase regular, melhor marcador da prova, melhor recuperador e melhor percentagem nos dois pontos.

Carlos Júlio
recebe distinção
 

Numa temporada marcada por reclamações sistemáticas, quer de dirigentes, quer de treinadores, o categorizado árbitro Carlos Júlio, que este ano vai apitar no Campeonato do Mundo de sub-19, na Grécia, foi distinguido como o melhor juiz da temporada 2014/2015, pela organização da 37ª edição do BIC Basket.

 Carlos Júlio fez parte do trio de arbitragem  que apitou de forma competente a finalíssima, que envolveu as equipas do Atlético Petróleos de Luanda e Recreativo do Libolo, superou os seus principais opositores, nomeadamente, Fernando Pacheco “Baganha”, David Manuel, António Bernardo, Francisco Tando e Clésio Francisco. Aos 43 anos de idade, o arbítrio internacional faz parte dos quadros da FIBA desde 2001, apitou várias competições internacionais, com destaque para Campeonatos do Mundo a nível de seniores masculino e Jogos Olímpicos.

 A distinção de Carlos Júlio não mereceu qualquer contestação no seio da família do apito, que prometem melhorar o  desempenho na próxima época desportiva.

 Entretanto, Norberto Alves, técnico principal do Recreativo do Libolo, foi distinguido como o treinador do ano, superou inclusive o camaronês Lazare Adingono que se sagrou campeão nacional ao serviço do Atlético Petróleos de Luanda.       
M.C


Ranking
Domínio militar
 

Com 17 títulos conquistados , a formação do 1º de Agosto lidera o ranking, seguido do arqui-rival, Atlético Petróleos de Luanda

1979 - Clube Ferroviário de Luanda
1980 - Desportivo da Taag
1981 - 1º de Agosto
1982 - Sporting de Luanda
1983 - 1º de Agosto
1984 - Sporting de Luanda
1985 - 1º de Agosto
1986 - 1º de Agosto
1987 - 1º de Agosto
1988 - 1º de Agosto
1989 - Petro de Luanda
1990 - Petro de Luanda
1991 - 1º de Agosto
1992 - Petro de Luanda
1993 - Petro de Luanda
1994 - Petro de Luanda
1995 - Petro de Luanda
1996 - Atlético Sport Aviação
1997 - Atlético Sport Aviação
1998 - Petro de Luanda
1999 - Petro de Luanda
2000 - 1º de Agosto
2001 - 1º de Agosto
2002 - 1º de Agosto
2003 - 1º de Agosto
2004 - 1º de Agosto
2005 - 1º de Agosto
2006 - Petro de Luanda
2007 - Petro de Luanda
2008 - 1º de Agosto
2009 - 1º de Agosto
2010 - 1º de Agosto
2011 - Petro de Luanda
2012 - Recreativo do Libolo
2013 - 1º de Agosto
2014 – Recreativo do Libolo
2015- Petro de Luanda