Jornal dos Desportos

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rbitros da Hila criticam excluso

Gaudncio Hamelay-Lubango - 23 de Julho, 2018

rbitros de Luanda so os mais privilegiados na escolha do Conselho Central de rbitros

Fotografia: KINDALA MANUEL|EDIES NOVEMBRO

A exclusão de árbitros da província da Huila do campeonato nacional sénior masculino de basquetebol abriu \"uma briga\" com o Conselho Central de Arbitragem da Federação Angolana da modalidade. Os especialistas em apito gostariam de saber o critério de nomeação para se pôr termo às reclamações e lamentações.
A indignação dos árbitros huilanos é sustentada pela falta de coerência e de justificações infundadas do Conselho de Arbitragem da FAB. O responsável do Conselho Provincial de Arbitragem da Associação da Huila, Venâncio Suana, esclareceu que os filiados beneficiam de formação, testes físicos e psicotécnicos e outras actualizações promovidas em Luanda pela FAB.
\"Saímos da Huila para Luanda fazer as formações, mas nunca somos nomeados para apitar os jogos do Unitel Basket\", disse irritado.
O responsável afirmou que muitos árbitros reprovados nas avaliações feitas (testes físicos), durante as formações de actualização, são escolhidos para apitar os jogos do Unitel Basket, mas os huilanos aprovados são sempre \"ignorados\".
\"Aprovámos nos testes de avaliação à semelhança de muitos outros, mas não somos nomeados. Será por vivermos fora de Luanda?\", questiona com sentimento de descriminação.
Venâncio Suana reitera que o grupo huilano \"também quer evoluir e só é possível com nomeações do Conselho Central da Arbitragem da FAB\".
O responsável revelou que contactou várias vezes, via telefónica, o presidente do Conselho de Arbitragem da FAB para saber as razões da exclusão dos árbitros huilanos. A justificação da FAB foi de que \"não há dinheiro para indicar os árbitros de outras províncias\".
Com o rosto de indignação, Venâncio Suana sustenta que \"a resposta é evasiva para esconder a verdadeira razão\". Questiona a postura da FAB para a mesma situação: \"Como se explica a nomeação de árbitros de províncias mais distantes que a Huila para ajuizarem os jogos do Unitel-Basket?\".
O desabafo de Venâncio Suana surge num momento em que os restantes árbitros formados com os da Huila ostentarem a categoria internacional.
\"Trabalho e tenho também o sonho de ascender à categoria de árbitro internacional. A justificação de que não há dinheiro para os árbitros huilanos é evasiva\", disse.
Venâncio Suana revelou que a direcção da Federação tem outros propósitos para o basquetebol angolano num momento de contenção financeira.
\"O Concelho Central da Arbitragem preferiu levar a Namibe os oficiais de mesa de Luanda para acompanhar o campeonato nacional de Sub-14, em detrimento dos da Huila. Os custos ficariam reduzidos se tivesse convocados os de Lubango\", frisou.
A última vez que os árbitros huilanos apitaram os jogos do BIC-Basket ocorreu em 2016, quando os \"escolhidos\" decidiram entrar em grave em decorrência de falta de pagamentos. A consideração do sacrifício feito nunca foi valorizado pela FAB.
\"A nossa exclusão tem a ver por falta de solidariedade aos grevistas?\", questiona.
Venâncio Suana assegurou que havia sido alertado por um árbitro principal de um jogo em que esteve na quadra sobre as consequências da benevolência dos juízes huilanos.
\"O árbitro principal do jogo que apitei, havia me dito que estávamos a pôr a carroça à frente dos bois e que mais tarde arrependeríamos do acto de salvação. Hoje, faço a ligação daquelas palavras com a nossa situação vigente. É muita coincidência. O mesmo árbitro havia-me questionado: \"achas que sóis árbitros?\", lembrou o questionamento.
Sem recursos para alterar a postura da FAB, Venâncio Suana, árbitro nacional da primeira categoria desde 2011, clama ao Conselho Central de Arbitragem para rever a postura adoptada contra os filiados huilanos.
\"Nunca mais apitei um jogo do escalão superior, a não ser os de formação. Se metemos a carroça à frente dos bois, não fomos os únicos. Os restantes árbitros presentes no BIC Basket\'2016 não são huilanos. O tratamento deve ser igual a todos. Somos a mesma família\", disse.
Recorda-se que a Associação local controla 18 efectivos entre árbitros, comissários e oficiais de mesa formados no âmbito do Afrobasket. O grupo actualiza conhecimentos sempre que se promove actos formativos.