Jornal dos Desportos

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Rivais decidem continuidade na Taça

Melo Clemente - 31 de Março, 2015

Petro de Luanda quer travar ciclo de vitórias do 1º de Agosto logo mais no Pavilhão Victorino Cunha

Fotografia: Paulo Mulaza

Numa final antecipada, as formações do 1º de Agosto e do Atlético Petróleos de Luanda defrontam-se hoje, a partir das 18h00, no Pavilhão Victorino Cunha, em partida referente à primeira mão das meias-finais da Taça de Angola de basquetebol em seniores masculinos. Apesar do domínio da equipa militar, que na presente época desportiva venceu em duas ocasiões o seu arqui-rival no BIC Basket, contra nenhum triunfo dos petrolíferos da capital, o desafio desta noite é de difícil prognóstico, a julgar pela qualidade dos dois plantéis.

A jogar em casa e diante da sua exigente massa associativa, a equipa militar vai mais uma vez procurar vergar o seu opositor por uma margem confortável, que lhe permita realizar o prélio da segunda mão, marcado para esta sexta-feira, em princípio, no Pavilhão Principal da Cidadela Desportiva, sem grandes preocupações.

Com o ranking a jogar ao seu favor, o técnico Paulo Macedo vai tentar montar uma equipa que seja capaz de neutralizar as acções  ofensivas do seu adversário, com particular realce para o base Emanuel Quezada, dominicano naturalizado norte-americano, que tem sido o principal abono da família petrolífera, a par do internacional angolano, Leonel Paulo, extremo poste, sem desprimor pelos demais integrantes.

Dada a experiência da maior parte dos seus jogadores, casos de Joaquim Gomes “Kikas”, Reggie Moore, Felizardo Ambrósio “Miller”, Armando Costa, Edson Ndoniema e Roderick Nealy, este último norte-americano, o técnico militar vai apostar no rigor defensivo, circulação da bola em todas as áreas de jogo e sobretudo nas jogadas de contra ataque para surpreender o seu opositor, que tem melhorado os seus níveis de produtividade. Uma eventual vitória por números expressivos pode em princípio assegurar a continuidade da equipa rubra e negra na segunda maior competição a nível da “bola ao cesto”, no caso, a Taça de Angola.

Moralizados com a dupla vitória no último fim de semana no BIC Basket, onde ocupa o primeiro lugar do Grupo A, com sete pontos, contra cinco do Recreativo do Libolo, no segundo posto, os militares vão aproveitar o factor casa para vencer, somando deste modo a terceira vitória consecutiva.
A equipa do Eixo-viário, que conta já com um troféu na sua galeria na presente temporada, no caso, a Supertaça Wlademiro Romero, está fortemente apostada em manter o troféu da Taça de Angola em sua posse.

Numa jogada de mestre, a direcção do clube petrolífero e a pedido do seu corpo técnico, liderado pelo camaronês Lazare Adingono, solicitou o adiamento do seu jogo frente ao Sporting de Benguela, que estava inicialmente marcado para a última sexta-feira, a pensar exactamente no desafio desta noite, onde têm o poderoso 1º de Agosto. Menos desgastados, já que efectuaram apenas uma partida no último fim de semana, ao contrário do seu adversário, os petrolíferos da capital vão procurar esta noite surpreender os militares.

A equipa respira saúde, pelo que Lazare Adingono vai poder contar com toda as suas unidades. Ontem, na sessão derradeira de treino, os petrolíferos ensaiaram os mais variados diagramas defensivos e ofensivos para anularem as acções do seu oponente. Emanuel Quezada, Leonel Paulo, Roberto Fortes, Hermenegildo Mbunga, Jaison Cain, Pedro Bastos, entre outros, são seguramente as principais setas apontadas para o cesto da formação militar.

Para atingir as meias-finais, a equipa do 1º de Agosto eliminou nos quartos-de-final a formação do ASA, ao passo que os petrolíferos deixaram pelo caminho o Grupo Desportivo Interclube. Na outra meia-final, o Recreativo do Libolo recebe igualmente esta noite a modesta equipa do Progresso Associação Sambizanga. Os libolenses têm praticamente assegurado o passe para a final da competição, aprazada para o dia 17 de Abril.

HÁ DOIS ANOS
Moncho Lopéz negou
convite do Egipto


O actual treinador da selecção angolana de basquetebol, o espanhol Moncho López, chegou a ser contactado pelo Egipto, há dois anos, para orientar os actuais vice-campeões, um compromisso que por diferentes circunstâncias não se efectivou, afirmou o próprio. Em declarações à Angop, sábado, em Luanda, o técnico revelou ter recebido ao longo dos seis anos que trabalha em Portugal convites das selecções do Egipto, Hungria e Jordânia, mas por motivos vários, que preferiu não precisar, as coisas ficaram-se pela intenção, embora estivesse em alguns casos próximo de um acordo.

"Tive convites de outras selecções europeias, do continente africano e da Ásia. O Egipto (há dois anos), a Jordânia e a Hungria (anteriormente) são alguns dos países que falaram comigo. Houve interesse deles, em algum caso chegámos a estar muito próximos de um acordo, mas por diferentes circunstâncias eu não me comprometi", sublinhou.

Instado sobre se a posição de não assumir essas equipas teve a ver com o desejo de orientar Angola, que diz nutrir há algum tempo, Moncho Lopez disse não haver ligação entre os assuntos, pois ocorreram em períodos bastantes diferentes. O treinador pareceu lacónico, sendo que no decurso da conversa ao se referir a sua vinda ao país rematou: É uma ambição que tive. O facto de falar português pode-me abrir outros mercados, como foi o caso, neste momento, da selecção angolana. López considerou ser melhor o seleccionador comunicar-se no mesmo idioma que os atletas.

"Gosto muito desta selecção. Há uma série de atletas aqui com quem eu realmente quero trabalhar, sentir essa satisfação. Era muito importante partilhar com eles a experiência de trabalho e não hesitei nem um segundo", assegurou o técnico a quem foi confiada a missão de revalidar o troféu africano e apurar o país para as olimpíadas de 2016. Estão qualificadas a Tunísia (organizador), Angola (campeão em título), Marrocos, Mali, Cabo Verde, Costa do Marfim, Camarões, Gabão, Egipto, Uganda, Zimbabwe e Moçambique.