Jornal dos Desportos

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Selecção falha objectivo

Melo Clemente, em Las Palmas - 06 de Setembro, 2014

Melhoria de classificação do Campeonato do Mundo da Turquia foi mero sonho para a equipa liderada por Paulo Macedo

Fotografia: José Cola

A Selecção Nacional de basquetebol em seniores fracassou na 17ª edição do Campeonato do Mundo, por não conseguir  a qualificação para os oitavos-de-final da competição. A prova prossegue  hoje com a  disputa das primeiras partidas da segunda fase.

Apesar do processo de rejuvenescimento que o grupo sofreu a pensar no próximo Campeonato Africano das Nações, na Tunísia, em 2015, a direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), encabeçada por Paulo Alexandre Madeira tinha traçado como meta primordial a passagem para os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo.

 Depois do excelente estágio pré-competitivo que o “cinco” nacional efectuou  no Egipto, Brasil, Espanha e Luanda,  incluiu jogos amistosos com selecções poderosas a nível da “bola ao cesto”,onde se destacam os confrontos com as selecções do Brasil, Argentina, Canadá, Porto Rico, de entre outras, esperava-se uma prestação mais conseguida dos campeões africanos que participaram pela sétima vez numa fase final de um Campeonato do Mundo, depois de 1986/Ferrol (Espanha), 1990/Argentina, 1994/Toronto (Canadá), 2002/Indianápolis (Estados Unidos da América), 2006/Japão e 2010/Turquia.

A Selecção Nacional  alinhou  Valdelício Joaquim, Yanick Moreira, Reggie Moore, Edson Ndoniema, Islando Manuel e Hermenegildo Santos, realizou no total 15 jogos de controlo, números que permitiam aos pupilos de Paulo Macedo estarem ao seu melhor nível, quer do ponto de vista técnico, quer físico. Após um começo vitorioso, frente uma Coreia do Sul, por 80-69, partida onde a formação nacional experimentou algumas dificuldades, Angola não conseguiu manter os níveis de confiança nas três partidas subsequentes.

Na segunda jornada, frente a Lituânia  quarta classificada do ranking da Fiba-Mundo, uma das candidatas ao título, depois de ter controlado praticamente os três primeiros períodos, os angolanos não foram capazes de travar os lituanos  desprovidos de quatro das suas principais unidades que estiveram na conquista da medalha de bronze, em 2010, perdendo por 62-75. E para não variar frente ao México 24º no ranking mundial  com 59,2 pontos, contra 143 de Angola, no 15º posto  os comandados de Paulo Macedo não foram capazes de ultrapassar os mexicanos, perderam por 55-79. A derrota diante do México acabou por ser determinante nas contas finais da equipa nacional que ficou arredada da segunda fase.

Já em desespero, a Selecção Nacional foi “forçada” a realizar duas finais, onde tinha a obrigação de vencer as duas partidas se quisesse continuar em prova. Infelizmente, das duas venceu apenas uma frente a Austrália, por 91-87, antes já tinha perdido  para a Eslovénia, por 93-87.

A Selecção Nacional perdeu uma soberana oportunidade de superar provavelmente o nono lugar alcançado no mundial do Japão, já que os adversários que enfrentou na fase de grupos, estavam totalmente ao alcance do combinado nacional.

A falta de variantes, quer defensivas, quer ofensivas, para além da ineficácia no jogo exterior que não existiu praticamente, contribuiu para uma prestação menos conseguida da Selecção Nacional que regressa à casa mais cedo.


FASE PRELIMINAR
Campeões Africanos terminam em quinto


Contra todas as expectativas, a Selecção Nacional de basquetebol em seniores  despediu-se da competição, depois de ter ocupado o quinto lugar do grupo D da fase preliminar da 17ª edição do Campeonato do Mundo, à frente apenas da modesta selecção da Coreia do Sul.

Apesar de ter terminado com a mesma pontuação (sete) que  a Austrália e o México, terceiro e quarto classificados,  o “cesto average” acabou por colocar o combinado nacional em quinto lugar e  o consequente afastamento dos oitavos-de-final.

Lituânia e Eslovénia confirmaram as duas primeiras posições do grupo D, que teve como palco a cidade de Las Palmas, região de Gran Canária. Das cinco partidas que o cinco nacional disputou na fase de grupos, conseguiu duas vitórias, frente a Coreia do Sul, por 80-69, outra diante da Austrália, a quem venceu no adeus da  etapa inicial da competição, por 91-87.

A Selecção Nacional marcou 375 pontos, o que representa uma média de 75 pontos por cada partida e sofreu 399, o que  perfaz uma média de 79,8 pontos sofridos em cada jogo.

Os números atestam perfeitamente as fragilidades defensivas do combinado nacional.

Entretanto, dos 375 pontos sofridos durante a fase preliminar da prova, 147 foram obtidos de lançamentos dos seis metros e 75 centímetros.

Eslovénia, México e a  Coreia do Sul foram as selecções que mais pontos fizeram à longa distância, com 42, 36 e 27 respectivamente. Lituânia e Austrália marcaram cada 21 pontos nos lançamentos à longa distância. A Coreia do Sul terminou a fase preliminar sem qualquer vitória. Dos quatro jogos que disputados, somou igual número de derrotas, tendo ocupado a cauda da tabela classificativa do grupo           D. M.C


PRESTAÇÃO

Capitão Gomes
 “Kikas” passou
  longe do Mundial


A prestação do capitão Joaquim Gomes “Kikas” durante a fase preliminar da 17ª edição do Campeonato do Mundo esteve muito aquém das expectativas. Apesar da sua vasta experiência, o extremo poste  ao que tudo indica está de saída do Clube 1º de Agosto não mereceu a “confiança” do seleccionador nacional, Paulo Macedo. Das cinco partidas que a Selecção Nacional disputou na fase preliminar, Paulo Macedo utilizou-o apenas frente ao México e Lituânia. Aos 33 anos de idade, Joaquim Gomes “Kikas” pode ter disputado provavelmente o seu último Campeonato do Mundo, depois de ter participado nas campanhas do “cinco” nacional em Indianápolis, Estados Unidos da América, em 2002, Japão/2006 e Turquia/2010. “Kikas” e Eduardo Mingas, este com 35 anos de idade, fizeram a sua quarta participação.

Sete vezes campeão africano pela Selecção Nacional, Joaquim Gomes “Kikas” jogou 38 minutos e marcou apenas quatro pontos.

Já o extremo base Roberto Fortes regressa a uma competição de dimensão mundial, depois de se  ter  estreado em 2010, esteve em grande plano ajudou  nas acções ofensivas do “cinco” nacional, que se  ressentiu sem sombras de dúvidas das ausências de Carlos Morais, MVP (Jogador Mais Valioso) da última edição do Campeonato Africano das Nações, para além do poste Felizardo Ambrósio “Miller”.

Os dois atletas falharam a disputa do mundial de Espanha que hoje prossegue nas cidades de Barcelona e Madrid,  por lesão, ambos no joelho esquerdo.

O mesmo se pode dizer do Eduardo Mingas, Armando Costa e Reggie Moore que também se evidenciaram durante a primeira fase da competição. Milton Barros, que falhou o Campeonato do Mundo de 2010, teve igualmente uma participação discreta.

Já o poste Valdelício Joaquim, 2,08, atleta que brilhou na última temporada no BAI Basket transferindo-se  do Atlético Petróleos de Luanda para o Recreativo do Libolo também fracassou no mundial de Espanha.

Olímpio Cipriano  veio limitado para a competição, apesar do médico da Selecção Nacional, doutor Agostinho Matamba ter assegurado ao Jornal dos Desportos que o grupo respirava saúde, esteve igualmente aquém do seu rendimento, em face da lesão no joelho esquerdo. Os novatos Hermenegildo Santos, Islando Manuel e Edson Ndonima não comprometeram.     M.C